[Com Opinião] 5 ideias comuns sobre fanfiction e a verdade sobre elas

Cada vez que alguém começa a falar sobre fanfic, eu já me preparo psicologicamente. Faço parte de fandoms – comunidades de fãs – há muitos anos, e comecei a ler fanfictions na mesma época em que comecei a escolher livros. E nunca parei. Para mim, são coisas complementares, e interagir com os fandoms de meus livros, séries e filmes preferidos é um hobby e um modo de consumir literatura, televisão e cinema. Mas pouca gente fora dos fandoms sabe direito o que é fanfic, quem as produz, para quem, com que propósito etc. Neste post vou abordar 5 ideias equivocadas mas bastante comuns sobre esse tipo de texto.

Pensando nisso, neste post vou responder a 5 ideias bastante comuns sobre esse tipo de texto, que leio muito por aí ou já ouvi pessoalmente. Então vamos lá!

1) Fanfiction surgiu com a internet

Errado. O termo aparentemente já corria nos anos 40, com significados diferentes, como histórias escritas por não profissionais, ou fantasia em revistas de ficção científica. Com o significado que tem hoje, foi popularizado nos anos 60, graças ao vovô de todos os fandoms: Star Trek. Isso via fanzines, bem antes da disseminação da internet. Com ela, é claro, a coisa se expandiu.

Mas o fenômeno de fanfics é muito mais antigo. Talvez ajude se pensarmos nela em outros termos. Embora o site mais popular de fics nos primórdios da rede fosse o famoso Fanfiction.net, hoje o acervo mais conhecido é o Archive of Our Own, criado pela OTW, a “Organização para Trabalhos Transformativos”. O termo “trabalhos derivativos” também é usado. E a história da arte e da literatura é uma história cheia de trabalhos derivativos.

Não estou falando no sentido de que “nada se cria, tudo se transforma”, de que todo escritor se inspira em seus predecessores. Não, me refiro a adotar mesmo personagens e histórias de outras pessoas. Afinal, a maior parte da arte renascentista é fanart da Bíblia ou da mitologia greco-romana. Virgílio pegou um personagem de Homero e criou a Eneida. Antes dos direitos autorais, não era raro que livros de sucesso recebessem continuações não autorizadas: o romance Pamela, de Samuel Richardson, teve várias. Um século antes, Cervantes escreveu o segundo volume de Dom Quixote para combater uma continuação lançada por outro cara. Mesmo assim, algumas décadas depois, uma tradução francesa do segundo volume de Cervantes mudaria o final da obra; o tradutor passaria então a publicar sua própria continuação das aventuras do personagem. Em 1913, foi lançado um livro que juntava personagens de todas as obras de Jane Austen em uma nova história.

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Claro que muito disso aconteceu em outras épocas, quando o autor não tinha controle nem direitos sobre sua própria obra. Com os direitos autorais, ganhar dinheiro sobre o trabalho alheio ficou (justamente) proibido.* A não ser, é claro, que o detentor de direitos autorize e receba a sua parte, como é o caso do Universo Expandido de Star Wars, por exemplo, e dos livros de Star Trek.

Enquanto alguns autores (entre eles, famosamente, Anne Rice, George R. R. Martin e Robin Hobb) são contra fanfiction por motivos diversos, outros já veem fics como um exercício de criatividade. Um dos meus escritores e pessoas preferidas, Brandon Sanderson, disse o seguinte sobre produções de fãs em uma entrevista:

“Eu não tenho um problema com isso. Acho que os fãs deviam ser livres para fazer o que querem. Quando eu lia, na infância, sempre inseria meus próprios personagens nos livros enquanto os lia. Eu acredito fortemente que, uma vez que você está lendo um livro, ele pertence a você – pelo menos a versão dele na sua mente. Você tem o direito de mudá-lo em na cabeça para o modo como quer que seja. E também acredito no poder da ficção e da arte de inspirar mais ficção e arte.”

Na mesma entrevista, anunciou ainda que está pensando em um modo de os fãs postarem fanarts legalmente, para que possam vendê-las. Melhor pessoa, não?

Mas se produções de fãs inspiradas em trabalhos protegidos por copyright ainda causam certa polêmica, brincar com coisas já em domínio público é uma constante. Uma das obras que adoro mencionar, recomendar e dar de presente, A canção de Aquiles, é uma releitura da Ilíada (uma releitura gay, e falo mais disso a seguir). Mas trabalhos derivativos também tomam outras formas. Uma adaptação incrível de clássico é Os diários de Lizzie Bennet, um vlog inspirado em Orgulho e preconceito, de Jane Austen. Pra não falar de todas as obras de Shakespeare que viraram filmes ou séries ou novelas, como 10 coisas que odeio em você.

A questão é: hoje, fics são um fenômeno tipicamente da internet (como tudo o mais na nossa vida), mas escrever ou ilustrar ou fazer arte de forma geral com base em histórias e personagens criados por outras pessoas não é nada novo. Grande parte da mídia e da literatura que consumimos são obras derivativas. Enquanto isso era feito no passado e ainda pode ser feito visando ao lucro, fics escritas no contexto de fandoms não têm nenhuma intenção de defraudar os criadores das obras originais. Elas são criadas e distribuídas por gente que não ganha nada com isso, simplesmente porque gostam de determinada obra.

* A OTW argumenta que fanfictions são trabalhos derivativos sem fins lucrativos: não prejudicam o autor (podendo agir na verdade como promoção gratuita do trabalho original), nem pretendem substituir ou copiar o trabalho original.

 

2) Fic é quando as pessoas continuam uma história

Não necessariamente. Claro que existem fics que vão além do espaço e do tempo de um livro, respondendo a dúvidas ou preenchendo lacunas sobre o que aconteceu depois do fim, ou antes do começo da obra. Afinal, quando você ama alguma coisa, nem 15 livros ou 10 temporadas são suficientes pra tudo que você ler ou saber sobre os personagens, e às vezes você quer matar um autor por “pular” partes importantes. Aí o fandom entra em ação, fazendo hipóteses, criando teorias, proseando, ilustrando etc.

Mas fandoms se ocupam também (talvez até mais!) de releituras, respondendo a questões como: “E se o evento X não tivesse acontecido?”, “E se o personagem Y não tivesse morrido?”, “E se Z e W se conhecessem em circunstâncias diferentes?”. E, é claro, o clássico: “E se A não ficasse com B no final, mas com C?”.

No “jargão” das fics, que classifica os trabalhos em gêneros diferentes dos usuais na literatura, existe algo chamado “universo alternativo”, o que basicamente significa tirar personagens da sua obra original e colocá-los em qualquer outro cenário (real ou fictício, original ou derivativo).

Tá a fim de pôr Harry, Ron e Hermione no Velho Oeste?

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Queria que os personagens do seu YA preferido morassem na Terra Média?

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Acha legal imaginar os personagens de um clássico do século XIX vivendo nos anos 80?

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A imaginação (e o tempo livre) é o limite.

 

3) Fanfic é só sobre sexo, geralmente gay, e outras coisas “bizarras” e/ou “pervertidas”

Pense na última bizarrice que você viu na internet e gostaria de desver. Perturbador, né? Mas você sabe que a internet não é só isso e continua usando a internet e aproveitando as muitas oportunidades incríveis que ela fornece. Acontece que as coisas mais… incomuns acabam escapando dos confins onde foram criadas. Muitas são tiradas de contexto e ridicularizadas. E, tudo bem, já vi muita coisa em fandoms que não entendo e muitas que gostaria de desver. Mas, pra usar uma metáfora bem banal, isso é a ponta do iceberg.

É verdade que há muitos shippers. Pra quem não sabe, ship vem da palavra relationship, que geralmente implica um relacionamento amoroso entre dois ou mais personagens. Aparentemente o termo foi criado em 1996, num fórum de Arquivo X, por alguém reclamando sobre um possível relacionamento entre Mulder e Scully (!). O termo slash é ainda mais antigo: surgiu com o fandom de Star Trek pra se referir a fics sobre Kirk e Spock (que apareciam como K/S – slash é a palavra em inglês para o símbolo da barra) e eventualmente foi adotado pra se referir a qualquer ship não-heterossexual. (No entanto, a barra em si foi adotada como indicação de qualquer relacionamento amoroso, por ex.: “Eu amo Han/Leia!”)

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Então: é verdade que há muitos shippers e consequentemente muitas fics são sobre romance e/ou sexo, e que boa parte delas são LGBT+. Mas, em primeiro lugar, é importante diferenciar isso do que estou chamando de bizarro. Ainda se vê uma noção de que shippar dois homens ou duas mulheres “é coisa de pervertido”. Isso é um discurso que remete à época em que homossexualidade era considerada doença ou era associada à pedofilia, e que você infelizmente ainda encontra por aí. Quando falo de bizarrices, me refiro mais a ships do tipo Snape/Teletubbies ou Ron/Edwiges (peço desculpas se você não sabia da existência disso).

Relacionamentos homossexuais consensuais não são, e não devem ser considerados jamais, “perversões”. Essa é uma ideia perigosa que precisa morrer. Comentários que vão desde “Você tá viajando, não tem nada entre esses dois!” até acusações de que você está vendo “maldade”, que está “deturpando” a amizade etc., são um reforço da visão de mundo heteronormativa da nossa sociedade, que faz com que personagens que têm uma trama tipicamente romântica, por exemplo, jamais se envolvam de fato no cânone*. Porque imagina o que o público ia pensar! Pensem nas crianças! Daí surgem uns termos do tipo “bromance” (que ou se refere a uma amizade normal ou é um termo que identifica rapidinho um caso de queerbaiting). Absolutamente ninguém acha estranho se você sugere que um homem ou uma mulher numa série deviam se pegar – mas quando são dois homens a pessoa está vendo coisa onde não existe.

Esse discurso da “perversão” também está inserido num preconceito maior com literatura erótica, especialmente aquela escrita por mulheres, para mulheres. Não que não haja rapazes escritores de fic, mas é um campo predominantemente feminino. Uma teoria é que isso se deve ao fato de a produção de erotismo/pornografia dirigida para mulheres ser bem menor e menos incentivada do que aquela para homens.

* Cânone: termo para algo que aconteceu comprovadamente no livro/filme/série/etc. Há sempre a discussão se o que um criador disse fora da obra faz parte do cânone ou não…

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Mas, além disso e de modo complementar, muitas vezes o que leva alguém a escrever fic é uma postura crítica em relação às suas obras preferidas. Quem nunca sentiu que entendia determinado personagem melhor do que os escritores? Quem nunca se revoltou com alguma decisão “out of character”? Fandoms são lugares em que consumir significa ter uma postura ativa e questionadora. Fics existem para devolver aos fãs o poder de dar aos personagens o destino que acreditam que eles merecem – ou para se enxergar naquilo que amam.

“Eu adoro HP, mas você reparou não tem nenhum personagem gay ou lésbica ou bi ou trans nos livros?” (O que a Rowling diz em entrevistas sobre Dumbledore não conta em termos de representação, mas isso é outra conversa.) Pois bem, a pessoa vai lá e faz uma leitura de uma obra que adora de modo que seus personagens preferidos tenham outras orientações sexuais. Ou sejam adeptos do poliamor. Ou sejam negros, asiáticos, indígenas. Ou tenham deficiências, ou sejam neurodivergentes…

O fato de o mundo do fandom e das fics ser tão predominantemente composto por minorias não é coincidência. É apenas uma reação à falta de representação e diversidade na maioria das produções que a gente consome. A internet criou um espaço onde grupos marginalizados podem se inserir na ficção e se ver representados, produzir e distribuir trabalhos que dificilmente seriam aceitos por outras mídias, e interagir com pessoas que pensam e se sentem do mesmo modo. O próprio fandom de Harry Potter, um dos mais ativos desde a disseminação da internet, se desenvolveu na questão da representatividade até ultrapassar a autora em alguns pontos – tanto é que Rowling recebeu críticas ferrenhas dos próprios fãs quanto ao queerbaiting e apropriação cultural.

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Além de toda essa gama de possíveis temas e motivações para fics, também vale notar que um dos gêneros se chama crack, e refere-se a histórias ou ships totalmente absurdas. Algumas coisas são criadas de propósito para serem ridículas. Só que quando você tira isso do contexto, surge a ideia de que naquela comunidade só há “bizarrices”.

 

4) Quem escreve fic está só treinando pra virar escritor profissional ou não consegue escrever nada original

Você já chegou pra um amigo que toca um instrumento e perguntou: “Pra que você faz aula de piano se não vai entrar na sinfonia da sua cidade”? Ou pra alguém que joga futebol no fim de semana: “Tudo bem você gostar disso, contanto que uma hora entre na seleção brasileira”?

Pois bem, escrever é um hobby. Desenhar é um hobby. Mas, enquanto pouca gente acredita que alguém que joga futebol ou estuda piano tem que se profissionalizar, por algum motivo escrever e ilustrar devem servir a um propósito. E, claro, a ideia de que tudo que fazemos tem que reverter em lucro – tempo é dinheiro! – deixa as pessoas bem confusas quando alguém faz algo de graça e sem nenhuma intenção de perseguir aquilo profissionalmente.

É comum você ouvir por aí que quem escreve fic está praticando até poder escrever algo “original” – original equivalendo a bom, como se trabalhos derivativos não pudessem ser bons (vide o tópico 1). Às vezes isso é verdade, e a pessoa adota personagens de terceiros para praticar sua escrita. Às vezes a pessoa começa a escrever fic, passa a publicar livros próprios, e continua escrevendo fic. Mas há ótimos escritores de fics que não têm nenhuma intenção de escrever profissionalmente. Os motivos variam: às vezes a pessoa já tem outra carreira de que gosta bastante e/ou não está a fim de navegar o difícil e concorrido universo editorial. Mas nem sempre é uma questão de “por que não”, mas de “por que sim”: a pessoa gosta de escrever fics, e ponto.

Uma vantagem é o feedback imediato. Quem já tentou publicar um livro sabe que o intervalo entre você terminar a obra e ela sair nas livrarias (se você tiver a sorte de ter seu original escolhido por uma editora) é longo e frustrante. Mas a pessoa pode publicar uma fic hoje e receber reações amanhã. Tudo bem, com a autopublicação, teoricamente a mesma coisa é possível, mas é bem mais difícil você angariar um público para suas histórias originais. No caso de trabalhos derivativos, o público já existe, já tem as premissas básicas para entender sua história (quem é quem, o que aconteceu no livro/na série etc.) e você pode só partir para o que interessa – o que, admitamos, pode ser bem mais divertido, tanto para o autor como para o leitor. Além disso, embora sempre existam alguns comentários babacas, a maioria esmagadora de leitores de fics é muito apoiadora, o que é ótimo quando você precisa de ânimo para escrever.

E mais que tudo isso, escrever e ler fics é mais do que isso: é fazer parte de uma comunidade de fãs. Criar uma obra derivativa é um trabalho de amor: ninguém escreve ou ilustra coisas baseado em algo que detesta. Dedicar seu tempo a isso é construir em cima de algo que inspira paixão em você. Um fandom tem uma dinâmica própria. Participar dele é estar envolvido em uma série de atividades e recompensas: trocar opiniões, conhecer pessoas, alegrar o dia de alguém ou ajudar alguém com seu trabalho, receber presentes na forma de histórias ou ilustrações, analisar obras de ficção de um jeito que os estudiosos, resenhistas ou a maioria dos fãs jamais faria etc. etc. Não é de modo algum só uma questão de “treinar pra virar escritor”.

 

5) A qualidade das fics é sempre menor que a de livros publicados

Quem diz isso geralmente aponta para certas fics infames que foram publicadas. Todo mundo sabe que A Trilogia Que Não Deve Ser Nomeada originalmente era uma fic de Crepúsculo.* Por que isso aconteceu? Acredite, é algo que escritores e leitores de boas fics se perguntam diariamente. A verdade é que, embora as fics tenham uma má reputação por essas e outras coisas, há escritores muito bons por aí.

Claro que há gente inexperiente começando a escrever e que não cria exatamente obras-primas** – mas todo escritor evolui na escrita ao longo do tempo (inclusive aqueles que nunca escreveram fics).

E estou falando como alguém que trabalha com livros: existem alguns trabalhos derivativos muito bons na internet. De graça. Você pode encontrar fics com tramas de ação, suspense, fantasia, ficção científica ou romance com tamanho de livros (100, 200 mil palavras). Histórias até com personagens originais, que desenvolvem uma trama envolvente, com um ótimo estilo e muito melhores do que muitos livros que vejo por aí.

Para não mencionar que, ao contrário de alguns autores (autopublicados ou mesmo publicados por editoras), muitos escritores de fics se dão ao trabalho de pedir uma revisão de seus trabalhos – e, sim, os revisores também não ganham nada por isso. Em resumo, há muita gente escrevendo muito bem na internet, e enquanto isso as pessoas estão gastando dinheiro com livros ruins.

* Aliás, outra autora conhecida, Cassandra Clare, escrevia nos fandom de Harry Potter (e esteve envolvida numa enorme polêmica por questões de plágio).
** E só uma observação sobre aqueles escritores mais jovens que mencionei: dar feedback de fic é uma questão de etiqueta. Acredito que críticas construtivas deviam ser a regra sempre, mas ainda mais no caso de uma produção disponibilizada de graça, e que você não é obrigado a ler.
*

Por tudo isso, quando ouço pessoas menosprezando ou ridicularizando produções de fãs – ignorando a evolução histórica das artes, a existência de uma série de trabalhos derivativos “legitimados” nas mídias atuais e o que motiva a produção de fãs – fico bem irritada. A realidade dos fandoms é complexa e é impossível defini-la como uma coisa ou outra, apenas. Todas essas manifestações de fãs que mencionei coexistem e, na minha opinião, boa parte delas não é só apenas interessante, inteligente e bem-feita, como também importantíssima em termos de representação e crítica. Então aqui fica meu desejo para que as pessoas procurem conhecer e entender mais esse universo – e participar dele também!

15 respostas em “[Com Opinião] 5 ideias comuns sobre fanfiction e a verdade sobre elas

  1. Exceleeeeente texto! Meus parabéns, porque já passou da hora de falarmos sobre o ~tabu que são os trabalhos derivativos, e vocês fizeram isso de maneira impressionante. 😉

    Outra atividade importante em fandoms – que infelizmente ou é ignorada, ou é tratada como “loucura”, “excentricidade” -, é a linha de discussão de headcanons e análise dos personagens. Já li textos incríveis sobre seriados, livros e personagens, que eram tão complexos e informativos, que superavam (e muito!) as aulas de literatura que tive na faculdade. Psico-análise de personagens em um nível tão avançado, que deixaria meus professores de Psicologia da Personalidade de queixo caído.

    • Né?! Não falei tanto disso, mas é uma das minhas partes preferidas do fandom, aquelas análises enormes super bem pesquisadas – e nem feitas pra tirar um título de qualquer coisa. Fico chocada às vezes com a dedicação da galera em ir atrás de fontes obscuras, haha. Muito legal.
      Obrigada pelo comentário! ❤

  2. Utilidade pública esse post, hein! Compartilhei nas redes todas, rs!
    Gosto muito quando vocês fazem esses textos de formação/informação! (Façam mais, rs!)
    Acredito que vocês têm uma bagagem muito boa, muito rica, e são sensíveis a ponto de enxergar a cultura e a apropriação da cultura hoje sem ranços elitistas e tradicionalistas que só restringem a nossa vida, sabe?
    Ponto para vocês. ❤ (E sorte nossa, que podemos ler tudo que escrevem!)

  3. ADOREI esse post, super completo e lindo *-*
    Só uma dúvida: Eneas, de Eneida, existe em A Odisséia? Porque até onde li de ambas as obras (A odisseia li há mais de 10 anos e a Eneida eu leio um pedaço quando dá xD), eu não lembro.Sei que o Vírgilio coloca Eneas como sobrevivente da guerra de Troia, mas não lembro de haver qualquer menção disso no livro de Homero. Pra mim, a Eneida é mais um spin-off da Odisseia a partir do enredo mesmo que da personagem, mas, claro, posso estar enganada.

    De todos os modos, partiu compartilhar esse post, porque, né?

    Bjoo!

    • Oi! Então, na Odisseia acho que não mesmo, mas ele aparece na Ilíada. Participa de algumas batalhas e é salvo pelos deuses uma ou outra vez. Mas é, personagem bem secundário. Foi totalmente um spin-off da parte do Virgílio, kkk.
      Enfim, obrigada! Que bom que vc gostou do post 😀

  4. Pingback: [Com Opinião] As 5 piores coisas em Harry Potter and the Cursed Child | Sem Serifa

  5. Nossa… Parece que participamos do fandom de HP na mesma época! Que maravilha achar um par… A fic da Cassandra Clare de HP é mt boa mesmo, eu curti demais na época. Até quis reler depois de ler Instrumentos Mortais, mas não achei mais…
    Eu era do time D/G e li coisas incriveis do casal. A Flora Fairfield, brasileira, escreveu as melhores fics que já li sobre eles.
    Adorei o site de vcs inteiro. Parabéns.

  6. Pingback: [Especial] Dia do orgulho LGBT+ | Sem Serifa

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