[Resenha] O assassino do rei

Esta resenha contém spoilers do primeiro livro da série, O aprendiz de assassino. Ela foi feita com base no e-book em inglês da Random House. A tradução de trechos foi feita por mim.

assassinoreiSinopse:

Fitz sobreviveu à sua primeira missão como assassino a serviço do rei, mas foi por pouco. Amargurado e sofrendo, ele pretende abandonar seu juramento ao Rei Sagaz e permanecer nas montanhas distantes. Porém o amor e acontecimentos de uma urgência terrível o atraem de volta à corte em Torre do Cervo para as intrigas mortais da família real. Renovando seus violentos ataques ao litoral, os Salteadores dos Navios Vermelhos deixam um rastro de vilarejos queimados e vítimas ensandecidas. O reino também sofre agressões internas – a traição ameaça o trono do rei doente. Neste momento de grande perigo, o destino do reino talvez resida nas mãos de Fitz – e seu papel na salvação dele pode exigir seu sacrifício supremo.

Fonte: Livraria Cultura

Sem delongas, já digo que a continuação de O aprendiz de assassino é espetacular. O segundo livro de uma trilogia pode dar bem errado: por ser o segundo ato da história, às vezes se arrasta ou não tem um final satisfatório. Mas, se eu tinha gostado muito do primeiro livro da saga, simplesmente não consegui largar O assassino do rei (o que foi um problema, dado que a belezinha tem mais de 700 páginas!). Seguem alguns comentários mais gerais, e alguns com spoilers depois do aviso no final.

Fitz retorna de sua missão nas montanhas meses depois que Kettricken partiu para encontrar o noivo em Buckkeep. As consequências do envenenamento do assassino são uma parte importante do livro, e um dos muitos problemas que Fitz vai enfrentar no retorno. O tio Regal (Majestoso) ainda o odeia e ambiciona o trono para si e, para piorar, o rei Shrewd (Sagaz) adoeceu e parece estar sob a influência do filho mais jovem. No palácio, Fitz começa a ser perseguido pelos antigos colegas de treinamento no Talento, que o odeiam e tentam invadir sua mente e descobrir seus segredos. Fora as intrigas palacianas, a situação com os Navios Vermelhos está cada vez mais desesperadora, o que faz Verity (Veracidade) tomar uma decisão drástica que pode levar à ruína dos Seis Ducados.

Não quero revelar muito mais sobre a trama, então vamos falar sobre os relacionamentos. Os personagens de Hobb são incrivelmente bem desenvolvidos e há muitos destaques nesse livro. Em homenagem à autora, comecemos com as mulheres.

Kettricken, que na resenha passada eu disse ter potencial, se mostra de fato uma grande figura nesse livro. Além de seu relacionamento complicado com Verity, ela tem que lidar com a corte de Buckkeep, muito diferente do seu lar nas montanhas. Aos poucos ela vai se mostrando uma pessoa mais decidida (com uma ajudinha de Fitz, o que achei bem fofo, aliás), até revelar toda a sua coragem e inteligência. Adorei o crescimento da personagem. Outra mulher que adoro cada vez mais é Patience (Paciência). Além de revelações sobre o seu passado, ela e Fitz têm um momento, em especial, muito tocante. Até o final do livro fica claro que, por mais diferente que seja de Kettricken, Patience também possui uma coragem própria e um grande coração.

Mas a mulher mais importante na vida de Fitz neste volume é Molly, que acaba no palácio depois que a cidade onde estava é atacada pelos salteadores dos Navios Vermelhos e com quem ele finalmente se acerta. As cenas deles não foram as minhas preferidas no livro (talvez por serem tão difíceis para ambos os personagens), mas Hobb dá uma aula sobre como escrever romances. Fiquei impressionada com o modo como retratou que o amor não basta. Várias dificuldades sociais se colocam entre os dois, e a autora faz o leitor entender o lado de ambos (mesmo que o livro seja narrado por Fitz). O protagonista, aliás, se comporta como um adolescente no pior sentido da palavra, e por mais que eu ficasse louca com algumas coisas que ele dizia e fazia, conseguia ver o que motivava suas atitudes. Ambos crescem muito ao longo do livro, o que é um processo doloroso, mas muito bem descrito.

No geral, as personagens femininas estão bem mais proeminentes neste livro: as vemos na guarda da família real e lutando contra os Navios Vermelhos. Senti uma presença feminina mais forte nesse sentido, que já era indicada pela existência de Hod, o que foi bem legal!

Vamos aos homens. Na resenha anterior, pedi mais Verity e Fitz, e fui atendida! O relacionamento de Fitz com o tio se torna mais estreito neste livro (às vezes mais do que eles gostariam, há, há), e a confiança que existe entre eles aquece meu coraçãozinho gelado. Fitz realmente idolatra Verity – e não é por menos! O tio merece devoção, e senti falta dele durante uma parte do livro em que fica afastado. A dedicação dele ao pai e ao reino, a saudade que sente do irmão morto e a autodúvida que fica remoendo me fazem querer dar um abraço nele. Vem cá, seu lindo. (Esta resenha está perdendo objetividade.)

Já a relação com Shrewd é mais complicada, e Fitz e o rei têm alguns confrontos neste livro. No entanto, vemos um lado mais humano de Shrewd, assim como uma grande coragem. Não quero dar mais detalhes, mas fiquei angustiada com as coisas pelas quais ele passa. Já de Regal não quero falar muito: continua chato, mas agora ainda mais perigoso, e sua influência maligna move a trama deste volume. Às vezes ele é tão mesquinho e terrível que chega perigosamente perto de se tornar uma caricatura, mas quando percebemos seus motivos e entrevemos sua personalidade meio perturbada, ainda é possível acreditar nele enquanto personagem.

Deixei os dois melhores para o final. Primeiro, Burrich. Que desenvolvimento esse personagem teve desde o começo do primeiro livro! Agora, ele se vê novamente envolvido com política, passa por uns maus bocados (físicos e emocionais), e mostra seus sentimentos em relação a Fitz ainda mais claramente (não que eles não sejam óbvios, mas Fitz é desconfiado demais – como Chade diz em certo momento, “Você nunca vai acreditar que as pessoas se importam com você, vai?”). Conhecemos mais sobre o passado de Burrich nesse livro e as revelações me deixaram chocada. (Chade, aliás, também revela um pouco mais dos seus sentimentos, embora continue sendo um personagem mais fraco: o mentor ancião ninja que aparece misteriosamente quando bem entende.)

Mas o destaque do livro é, sem dúvida, o Bobo. No primeiro volume, ele aparecia de vez em quando para confundir Fitz, mas agora não só continua fazendo isso como se torna um personagem central e cuja importância só deve aumentar. Revela várias coisas para Fitz – que acabam levando a outras perguntas e confusão generalizada – e também passa por vários perrengues e fortes emoções, que me deixaram fragilizada. Alguém dá um abraço nele também pfvr. Aliás, abraço não teve, mas a amizade com Fitz se fortalece e as conversas deles estão entre os meus diálogos preferidos do livro. O Bobo é um personagem fascinante, mas o mais legal sobre ele é que vai além de ser uma figura misteriosa que sabe mais que todo mundo: também tem sentimentos, dúvidas e medos, e não pode resolver tudo sozinho.

Por fim, relacionamentos caninos! Fitz aparentemente percebeu que os cachorros dele só morrem e agora seu novo companheiro é um lobo. Fitz salva o lobinho (chamado Nighteyes) de uma vida de maus-tratos e eles desenvolvem uma conexão. O legal é que ele e o lobo têm altos papos mentalmente, e o lobo é hilário e não entende por que Fitz não quer que, por exemplo, ele fique opinando enquanto ele faz sexo. É difícil fazer o bicho entender o conceito de privacidade. Mas, além da hilaridade, a conexão com Nighteyes também ajuda Fitz a lidar com essa magia e dar mais passos para aceitar quem ele é. Aliás, o segredo de Fitz neste livro é um ponto importante, e vemos mais claramente as consequências de ser um usuário dessa magia.

O livro é enorme, mas em nenhum momento fiquei entediada. Isso graças à escrita de Hobb, que é maravilhosa. Além de a prosa ser muito gostosa de ler, com diálogos interessantes e descrições bem-feitas, algumas cenas neste volume tiveram descrições incríveis: me refiro especialmente àquelas em que as experiências sensoriais de Fitz estavam bem loucas, devido à conexão com a mente de outras pessoas ou com Nighteyes – ou ambos ao mesmo tempo. A confusão é descrita de modo sutil e às vezes tive que voltar para entender o que estava acontecendo. Hobb é excelente.

Por fim, termino com a constatação de que esse é um livro mais tenso, mais sério e mais triste do que o primeiro. Dois temas se destacam: o da solidão – não apenas com Fitz, mas com Burrich, o Bobo e Kettricken – e o da velhice ou perda da força física, com Fitz e Shrewd. Ambos tratados com sutileza e sensibilidade, até que me vi ainda mais envolvida com os personagens. Terminei o livro bem preocupada com todo mundo, e terei que ler o próximo em breve, porque não vou aguentar a tensão. Resenha no blog logo mais.

Agora, alguns comentários mais pontuais!

 

A SEGUIR, ENORMES SPOILERS DO LIVRO:

  • Patience e Burrich?! Era pra eu ter adivinhado essa conexão? (Admito que fui enganada pelos meus óculos de visão LGBT; pelas descrições eu jurava que o Burrich era apaixonado pelo Chivalry – mas não, os heteros estavam espreitando o tempo todo!) Em certo momento ela chama ele de “Burr”. #morri
  • Uma hora o Regal literalmente fala: “O rei vai ouvir sobre isso!”. Calmaê, Draco Malfoy.
  • Nighteyes não morre, ebaaaa! Eu tava tão preocupada!
  • Adorei Fitz servindo de mediador entre Kettricken e Verity; estava realmente torcendo pra eles se darem bem e fiquei meio preocupada que ela estivesse caindo no papo furado do Regal no começo. (Aliás, estava, né? Ainda bem que isso não foi longe.) Mas não sei se a reconciliação do casal não foi meio mágica demais. Afinal, o problema era que a personalidade dos dois não batia muito.
  • Falando nisso, e Fitz e Verity trocando sensações enquanto estão com as respectivas mulheres?! Ri demais. Que constrangedor.
  • Não sei se fiquei convencida de que o Verity não teria feito nada pra impedir a influência do Regal sobre o pai. Sim, uma hora é explicado que as drogas eram necessárias, mas podiam ter tirado o Wallace de lá, né? Vocês deixam o Regal livre, dá nisso!
  • Diz pra mim que a Molly não tá grávida… pf nunca t pedi nd
  • Não ligo de ver o Fitz sendo torturado e destruído física e emocionalmente (amo inclusive), MAS PAREM DE BATER NO BOBO.
  • A morte do Shrewd foi triste demais. Tudo sobre o Shrewd foi triste demais.
  • O FINAL. FIQUEI PASMA QUANDO PERCEBI POR QUE ELES TAVAM NO CEMITÉRIO. (!!!)
  • Aliás, vamos falar sobre Burrich usando a magia que mais abomina para salvar Fitz??? E chorando e abraçando Fitz e chamando-o de “filho”??? AGUENTA CORASSAUM
  • Aguardo muitas emoções no final da trilogia, e já vou me preparando pra ver gente que amo morrer. Sinto que o Burrich é um forte candidato. Oremos.

*

O assassino do rei
Série: Saga do assassino
Autora: Robin Hobb
Tradutor: Jorge Candeias
Editora: Leya
Ano de publicação: 1996
Ano desta edição: 2014
736 páginas

*

Resenhas da série Realm of the Elderlings:

Trilogia Farseer/Saga do Assassino: O aprendiz de assassinoO assassino do reiA fúria do assassino

Trilogia Liveship Traders: Ship of MagicMad ShipShip of Destiny

Trilogia The Tawny Man: Fool’s ErrandGolden FoolFool’s Fate

Rain Wild Chronicles: Dragon KeeperDragon Haven – City of Dragons – Blood of Dragons

Trilogia The Fitz and the Fool: Fool’s AssassinFool’s Quest

 

Citações preferidas

Eu sabia que era uma coisa destruída e patética, uma marionete com metade das cordas emaranhadas ou um cavalo com um tendão rompido. Jamais seria o que fora; não havia nenhum lugar para mim no mundo que já habitara. Burrich tinha dito que a pena era um substituto pobre para o amor. Eu não queria a pena de nenhum deles.

*

“Justiça. Aí está uma coisa que pela qual estaremos sempre sedentos, e sempre terminaremos secos. Não. Devemos nos contentar com a lei. E isso é cada vez mais verdadeiro quanto mais alto o nível de um homem. A justiça o teria posto na linha para o trono, Fitz. Cavalaria era meu irmão mais velho. Mas a lei diz que você nasceu fora do casamento, e portanto jamais pode fazer qualquer reivindicação pelo trono. Alguns diriam que roubei o trono do filho do meu irmão. Eu deveria ficar chocado por o meu irmão mais novo querer tomá-lo de mim?”

*

“Eu sonhei com você. Quando estava longe.”

Ele me olhou desconfiado. “É mesmo? Que tocante. Não posso dizer que sonhei com você.”

“Senti a sua falta”, eu disse, e desfrutei de um breve vislumbre de surpresa no rosto do Bobo.

“Que engraçado. É por isso que você vem se fazendo de bobo ultimamente?”

*

Meu quarto mal tinha mudado durante os anos em que vivera ali, desde a primeira noite em que me mudei para lá. Era um quarto vazio e monótono, sem imaginação. De repente, eu era uma pessoa vazia e monótona, sem imaginação. Eu buscava e caçava e matava. Eu obedecia. Mais cão que homem. E nem um cão favorito, que fosse acariciado e elogiado. Apenas mais um da matilha. Quando fora a última vez que fora chamado por Sagaz? Ou Chade? Até o Bobo ria de mim. O que eu era para qualquer pessoa, exceto uma ferramenta? Havia alguém que se importava comigo por mim mesmo? Subitamente não consegui mais suportar minha própria companhia.

*

“Nem todos os homens são destinados à grandeza”, eu o lembrei.

“Tem certeza, Fitz? Tem certeza? Para que serve uma vida se ela não faz diferença nenhuma à grande vida do mundo? Uma coisa mais triste eu não consigo imaginar. Por que uma mãe não deveria dizer a si mesma, ‘se eu criar essa criança direito, se amá-la e cuidar dela, ela viverá uma vida que trará alegria àqueles ao seu redor, e assim eu terei mudado o mundo’?”

*

“Existe algo pior do que ficar com raiva de pessoas que você ama?”

Depois de algum tempo, ele falou. “Ver alguém que você ama morrer. E estar com raiva, mas não saber para quem dirigi-la. Acho que isso é pior.”

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19 respostas em “[Resenha] O assassino do rei

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  16. UFA! Após uma maratona no feriado, 4 dias e mais de 700 páginas depois, batendo meu recorde pessoal absoluto de leitura, poderei voltar a comer e dormir em paz! Que livro mano, QUE LIVRO!!!

    Descobri a série graças a esse blog e agora, em troca de boas recomendações, ele tem minha completa lealdade juramentada! Mas tenho que desabafar meus sentimentos sobre essa experiência num comentário gigante cheio de SPOILERS antes que eu perca todos aqueles que eu amo por causa de segredos, mentiras e muita teimosia.

    Ótima resenha, inclusive concordei com ela quase que ponto a ponto. Há mesmo uma quantidade boa e variada de personagens que são apresentados e se desenvolvem bastante ao longo da trama. Talvez até pelo volume do livro, sobre tempo e espaço pra adicionar pequenos acontecimentos no dia-a-dia da Torre que acabam adicionando mais dimensões aos habitantes e os distanciam dos clichês. Embora entenda que algumas pessoas achem que isso possa tornar o desenvolvimento da trama BEM lenta, a ótima escrita da Hobb salva vidas nessa hora: também não me entediei em momento algum lendo o texto.

    Sei que momento especial entre Paciência e Fitz é esse citado no texto… Uma reflexão singela sobre a preocupação dela, num momento nem tão decisivo na trama, mas que foi um dos pontos altos do livro pra mim. Arrepios. E a criada dela, Renda? “Ela é mais perigosa do que parece”, disse Breu/Chaude num momento. Tem que ter mais detalhes sobre ela nos próximos livros!

    Podem me chamar de monstro, mas eu queria que a trama da Molly tivesse seguido da forma como foi deixada no 1° livro, não do jeito que foi (“Quem era aquele com quem você estava de braços dados aquele dia? Era seu primo? Ãhhnnn…” – putz). Um coração partido real por ter dormido no ponto seria mais trágico, mas melhor na minha opinião. E romances impedidos por mal-entendidos são muito clichês, ainda bem que mudou de rota rápido. Agora, a forma como terminou essa história foi de lascar, PRECISO SABER O QUE VAI ACONTECER DEPOIS. Não tinha pensado em gravidez, será? 😮

    A morte do rei doeu, mas o que aconteceu depois mesmo é que me fez soltar um sonoro VISH, com o Fitz em seu melhor momento como assassino EVER, reduzindo a morte dos traidores a descrições secas com menos de 2 linhas, como se fosse rotina. Brutal!

    Kettricken, Veracidade e Bronco/Burrich foram excepcionais mesmo, roubaram a cena mais de uma vez pra mim. Ainda assim, dois personagens foram definitivos pra minha satisfação com esse livro:
    – O Bobo já era meu personagem favorito desde o 1º livro, especificamente a partir do momento em que Fitz entra no quarto dele e vê o que tem lá. Imprevisível mas humano, irritante mas fiel. E 100% genial.
    – F*cking Night-Eyes. O personagem mais carismático e engraçado do livro, carpe diem e sem nenhuma noção de convenções sociais. Igualzinho algumas pessoas que conheço. E salvou a vida do Fitz em mais de um momento repelindo os inimigos (“saiam de perto dele seus VIRA-LATAS!”), ou ajudando nas batalhas. BADASS. E também fiquei super feliz em ver que ele sobreviveu até o fim, temo muito por seu bem-estar no futuro da saga…

    Pra não dizer que foi perfeito, achei Regal/Majestoso um boçal completo e pra mim acabou sim virando uma caricatura, infelizmente. Baixinho covarde e insolente, visualizei até um bigodinho pra ele ficar enrolando que nem aqueles vilões de filmes velhos, até com um capanga (Wallace que virou Coparede em português graças aos trocadilhos do Bobo :D). Enquanto Fitz tomava cuidado o tempo todo com o que falava e fazia pra não ser acusado de traidor, o cara soltava altas pérolas e manipulava todo mundo na caruda, e ficou por isso mesmo. Os heróis agiam apenas por reação e não ativamente, e ser o favorito do Rei não pareceu argumento suficiente pra deixá-lo deitar e rolar – até pelo que já tinha feito no 1º livro. Pelo menos uns petelecos ao longo do livro ele devia ter levado. E agora tenho sede de vingança e minha vontade de vê-lo morrer brutalmente será prorrogada por mais 1 livro. Essa Hobb é muito esperta mesmo.

    Pronto, desabafei. Comentário maior do que a própria resenha é novidade até pra mim, acho. Culpa do livro, que é muito bom!

    Valeu!

    • Fala, Daniel!! Que dizer desse comentário melhor que a resenha? hahahaha ❤

      Acho que vc tb se adequou ao estilo da Hobb. Entendo pq tem gente que não curte, mas eu pessoalmente – em geral – gosto do ritmo mais lento dos livros dela.

      Adoro a Renda! Ela e Paciência são uma dupla que aparecem pouco, mas sempre me deixam feliz.

      Quero só ver o que vc vai achar da trama da Molly no terceiro livro…

      Fala sério, tudo que acontece depois da morte do rei é muito bom! Momentos mais fodas do Fitz, com certeza.

      Nighteyes, melhoooor lobo. E necessário para deixar um comic relief de vez em quando, assim como o Bobo, já que o Fitz é tão emo o tempo todo.

      É, Regal como vilão não convence muito. Fica aquela sensação de que o Fitz merecia um antagonista mais esperto. (Bom, nas próximas trilogias ele arranja uns inimigos mais fodas…)

      Enfim, muito muito obrigada pelo comentário! Adoro saber a reação das pessoas a esses livros! Te aguardo quando terminar a trilogia!

      • Haha, fiquei mesmo na pilha quando terminei o livro e tive que extravasar de algum jeito, essa sessão de comentários terminou sendo a vítima. Já tô aqui olhando no calendário e planejando outra maratona para o 3º livro, sinto que não conseguirei ler nada da Hobb aos poucos…

        Aliás, pelo que andei pesquisando, a pouco tempo atrás saiu o 16º livro da série, né? E aí, vai ler? Dá pra dizer que a série é consistente ao longo daquele monte de trilogias?

        Abraço!

      • Já li! Então, tenho algumas críticas – sem dar spoilers, eu esperava um pouco mais, por ser o último livro da série, e acho que ela podia ter focado mais em certo relacionamento. Mas chorei horrores, hahaha.
        Dessa trilogia final, o segundo livro é o melhor (e o 1 é bem chatinho). Gosto das três trilogias do Fitz, inclusive, mas todas elas têm um livro que é meio ruim, na verdade. Não que isso em impeça de recomendar a série em geral, tem muita coisa incrível no meio. Mas de todas as séries dela, acho que só Liveship Traders só tem livro bom e melhora consistentemente a cada livro!

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