[Com Opinião] As 5 piores coisas em Harry Potter and the Cursed Child

Eu sou da geração Harry Potter. Eu amo Harry Potter. Mas eu também acredito que você pode, e deve, questionar as coisas que ama. Por isso, embora Albus e Scorpius sejam dois lindos que amo e vou defender e eu tenha gostado de partes da peça, Cursed Child me deixou com mais críticas do que elogios na ponta da língua. Como infelizmente não tenho uma linha direta para a JK Rowling (sorte dela), minhas reclamações ficam registradas aqui.

A seguir, SPOILERS DE TODA A PEÇA!

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Uma representação das minhas expressões ao longo da leitura.

1) Delphi “Diggory”

A vilã da história é a filha de Voldemort e Bellatrix Lestrange. Só escrever essa frase já me fez ser transportada para o fanfiction.net em 2003 (e eu amo fics, mas isso não é um elogio). O que JK & cia. estavam fumando quando acharam isso uma trama digna do 8º livro? Como assim a Bellatrix estava grávida naquela época?! Cara, eu não acredito que sobrevivi ao fandom de Harry Potter nos anos 2000 para a Rowling me fazer pensar na vida sexual do Voldemort em 2016.

(Fica também o questionamento: por que ela era loira, se Tom Riddle e Bellatrix eram ambos morenos? A filha de Voldemort tingia o cabelo nas horas livres? SÃO TANTAS QUESTÕES.)

Além disso, viagem no tempo é uma escolha narrativa que tem muitas chances de dar errado, e a falta de tempo para desenvolver a história e/ou a inabilidade dos autores criou justificativas fracas para todas as escolhas dos personagens e vários absurdos nos universos alternativos. O que nos leva a…

 

2) Cedric Diggory passando vergonha e virando Comensal da Morte

Você está me dizendo que este rapaz da Lufa-lufa – a casa conhecida pela lealdade e honestidade –, que os livros sempre representaram como um cara honrado e nobre, ficou constrangido uma vez e decidiu que genocídio era o melhor caminho? Ótima caracterização, pessoal! É assim mesmo que a gente trata os personagens falecidos!

 

3) Snape herói

Se você não sabe o que eu acho sobre o Snape, esse post explica. Então imaginem minha reação ao vê-lo assumir o papel de herói em um dos universos alternativos da peça, ou ler os novos elogios que saíram da boca do Harry, incluindo a frase mais asquerosa que já tive o desprazer de encontrar: “They were great men, with huge flaws, and you know what — those flaws almost made them greater”. Sério? Séeeeeerio? Os defeitos que fizeram o Snape apoiar Voldemort o tornaram um cara melhor ainda? Os defeitos que fizeram ele ser um babaca abusivo com crianças?

S. É. R. I. O. M. E. S. M. O. ?

Detalhe: no mesmo universo, o Draco se torna um homem terrível. Eu nunca fui uma grande fã do Draco, mas ele é um personagem complexo nos livros, um adolescente forçado a tomar decisões terríveis sob enorme pressão. Mas, enquanto o Snape ganha mais uma chance de parecer um cara corajoso e nobre (blergh), o Draco cai novamente no papel estereotipado do sonserino do mal. E Scorpius é forçado a conhecer o seu pai como um assassino e torturador, enquanto fala para o Snape:

“Thank you for being my light in the darkness.”

Hahahaha, não.

 

4) Harry tirânico

Fiquei bem perturbada com as ideias de Harry sobre como criar um filho. Tudo bem que James não estava presente na vida dele, mas ele teve outras figuras paternas e duvido que qualquer uma delas o teria proibido de ver seu melhor amigo e mandado uma professora seguir os seus passos. Que merda foi essa? Como a Gina deixou ele fazer isso? E não tem universo nenhum em que a McGonagall ia ter aceitado um negócio desses.

Draco é um pai muito melhor. PRONTO, FALEI.

(E não quero nem comentar aquela história de “às vezes queria que você não fosse o meu filho”. O menino é um adolescente revoltado; você é um fucking adulto, aja de acordo!)

 

5) O queerbaiting

JK Rowling já fez várias declarações em apoio à comunidade LGBT. Alguns anos atrás, tirou o Dumbledore do armário numa entrevista. Uma vez disse que o tratamento dado aos lobisomens pela comunidade bruxa era uma metáfora para pessoas com HIV. No entanto, nunca fez nada no cânone de Harry Potter no sentido de representatividade LGBT.

Quando comecei a ler a peça, pensei que isso pudesse mudar. A amizade de Albus e Scorpius é o foco da história e, com o passar do tempo, ganha contornos decididamente românticos – o que foi enfatizado por quem viu a peça, especialmente naquela cena maravilhosa das escadas se encontrando, claramente saída de uma montagem de comédia romântica. A história inteira gira em torno do fato de que eles são a pessoa mais importante na vida um do outro, o que é reforçado pelos próprios personagens e outras pessoas (até a diretora da escola e a vilã percebem que a relação deles é importante). A questão é: não precisava ser assim. A história poderia ser sobre Scorpius, Albus e Rose se tornando amigos e virando o trio da nova geração. Mas não é.

Em vez disso, Rose, que quase não participa da peça, aparece no final como crush de Scorpius (embora na única vez que eles interagem ela seja extremamente preconceituosa com ele), realizando a maior magia de toda a produção: a inserção apressada de um Romance Heterossexual Obrigatório pra ninguém ficar com ideias erradas. Porque não basta criar um relacionamento lindo que poderia ser um passo gigante para a representatividade LGBT e não fazer isso (e se tem alguém que poderia se dar ao luxo de dar esse passo, é JK Rowling), você também tem que acabar com qualquer esperança de que poderia ser esse o caso. As menções a outros romances poderiam simplesmente ter ficado de fora, deixando a critério do público interpretar o relacionamento dos dois. Mas nada de finais abertos em Harry Potter: todo mundo emparelhado com o sexo oposto.

É, não foi dessa vez.

Pra quem quiser ler artigos mais completos sobre isso: ‘Harry Potter and the Cursed Child’: A missed chance at breakthrough LGBTQ representation e Harry Potter e a representatividade amaldiçoada.

*

E mais algumas coisas:

  • As menções aos lobisomens me deixaram triste. Depois de tudo pelo que aconteceu, eles continuam sendo considerados criaturas do mal? E eu tenho que ouvir mais elogios ao Snape mas nem uma única menção a Remus Lupin???
  • Diálogo de redenção do Dumbledore com o Harry. DUAS VEZES. LET IT GO, MAN.
  • Se eu tivesse um vira-tempo, salvaria Sirius Black. Prioridades, minha gente.
  • Rose sendo esnobe/preconceituosa foi uma caracterização bem estranha para a filha de Rony e Hermione. Ainda mais quando ela não tem espaço para evoluir na história.
  • Scorpius, melhor jovem, pessoa mais inteligente, só menciona que viajar no tempo e alterar o passado pode ter consequências graves DEPOIS que eles fodem tudo?
  • Trolley Witch quebrando expectativas. Oloko!
  • Harry e Draco duelando depois de dois minutos de conversa é algo em que eu consigo acreditar. Gostei muito das cenas com eles, Ron, Hermione e Ginny, especialmente quando se unem para um propósito comum. E Harry não preenchendo a papelada do Ministério e Hermione o repreendendo por isso: muito amor.
  • Draco dando um abraço desajeitado no filho… algumas coisas nunca mudam.
  • Acabei de lembrar que o Albus beija a Hermione quando está fingindo ser o Ron. Ai, não. Por quê? (Mas não podemos ter um casal gay, hein, isso sim é demais!)

7 respostas em “[Com Opinião] As 5 piores coisas em Harry Potter and the Cursed Child

  1. Adorei ler seu texto.

    As minhas inclusões na sua lista seriam:
    – acho que o vira-tempo já era o ponto mais fraco do sistema de magia da J.K. e quando comecei a ler o livro e vi que ela ia por esse caminho achei que ia dar muita merda. Adoro histórias com viagem no tempo, mas as regras do vira-tempo não eram muito claras e eu não entendia porque os bruxos não usavam ele para solucionar qualquer crise. Não deu a merda que eu esperava, e na verdade eu adorei ver as realidades futuras alternativas, mas sinto que o vira-tempo cria mais problemas do que resolve. Porque fiquei com a impressão depois de ler esse livro de que usar o vira-tempo pra resolver as coisas não é um problema, só é um problema se você não faz as coisas direito quando usa o vira-tempo. Pelo que vemos, é possível salvar pessoas mortas usando o vira-tempo (o Cedrico sobreviveu). Então porque não fazem isso sempre? Não consigo entender, porque o estrago não é necessariamente tão grande assim. Eles poderiam ter salvado o Cedrico sem precisar humilhá-lo em público. Era só fazer um feitiço que o prendesse no lugar por algumas horas. Pronto, o menino ia continuar vivo.

    – a motivação do Albus pra salvar o Cedrico me parece tão frágil. Ele era um “spare” como o Albus, então pronto, o Albus foi lá e salvou? Por que o Cedrico e não as outras várias pessoas que morreram no mundo bruxo?

    – muitas coisas aconteceram repentinamente, sem desenvolvimento. Acho que isso tem a ver com o formato teatral, em que se tem menos tempo para se desenvolver algumas tramas. O que é explicação, mas não desculpa.

    • Oi, Marcos!

      Bem apontado! Na verdade, li um post falando que o uso do vira-tempo na peça chega a contrariar as regras do livro, e que eles não poderiam ter alterado nada no passado. Do jeito que foi feito criou uma infinidade de questões, e de fato as estratégias para salvar o Cedrico foram absurdas (dois minutos de reflexão teriam mostrado vários jeitos melhores de tentar). Tudo bem que a trama exigia isso pra funcionar, mas forçou tanto a barra que não me deixou aproveitar a história. Pareceu que eles não tiveram tempo de pensar em nada melhor e tentaram fazer uma ideia ruim funcionar de qualquer jeito.

      E o Albus pensou em salvar o Cedrico só por ter visto o apelo do Amos, mas sério, TANTA gente que ele podia ter salvado. rs

      Se eles querem que a gente considere a peça parte do cânone, acho que ela tinha que ser um pouco mais coerente.
      Enfim, obrigada pelo comentário!

      • Senti que eles tinham uma boa história, mas faltou amarrar melhor a narrativa, justificar melhor as ações dos personagens. O começo da peça é muito ruim, de doer, diálogos forçados, situações absurdas.

        Não sei o que penso do livro (aliás, acho que sei: gostei muito de umas partes, desgostei muito de outras, o que fica difícil dar um veredito final), mas fico triste de achar que poderia ter sido bem melhor, que teria dado um bom conto grande ou romance curto para encerrar HP. Eles tinham boas ideias, faltou amarrar, se esforçar mais.

        Claro que tudo isso pode ser justificado dizendo que esse é o roteiro (roteiro é a palavra pra teatro?) preliminar da peça, que não é a versão final, que claro que iam ter coisas que precisariam ser melhoradas. Mas então não precisava soltar pros fãs de Harry Potter, que estão há anos aí sentindo saudades de algo que viveram tão intensamente, uma versão inacabada.

        Sobre o Vira-tempo, quanto mais penso mais fraco acho. O suposto problema de usar o vira-tempo é que é difícil ter controle das alterações, perigoso brincar com o tempo, e sempre que você mexe com o tempo acontecem efeitos-cascata difíceis de controlar, certo? Mas esses efeitos-cascata só são um problema quando você viaja anos pro passado! Quando a sua viagem no tempo faz o seu filho nunca ter nascido. Esses efeitos-cascata não seriam um problema se você voltasse horas pro passado. Se depois do Harry voltar do cemitério, no 4º livro, o Dumbledore tivesse voltado horas pro passado e evitado a morte do Cedrico, não teria tido nenhum efeito cascata ruim.
        Entendo que se o vira-tempo funcionasse assim, não ia existir história, porque quando você pode voltar no tempo pra mudar o passado qualquer ação perde impacto, nada fica emocionante. Mas então pq o vira-tempo funciona de um jeito nos 7 livros (tudo que o Harry faz quando viaja no tempo já tinha acontecido) e de outro no Cursed Child?
        Resumindo a história do vira-tempo, acho que o problema é que no HP3 a viagem no tempo é o primeiro jeito desse aqui: http://i.imgur.com/bc8Du.jpg, e no Cursed Child funciona do terceiro jeito.

        Desculpa os comentários imensos, mas tô precisando conversar sobre o livro. Você sabe algum lugar onde tem tido textos/discussões?

      • Acho que essa é a versão final do roteiro? Não sei se ainda vão fazer modificações…

        E com certeza podia ter sido melhor, rs. Por mim eles podiam trocar a trama inteira da Delphi e da viagem no tempo (ou pelo menos, fazer uma viagem no tempo mais bem pensada).

        “Se depois do Harry voltar do cemitério, no 4º livro, o Dumbledore tivesse voltado horas pro passado e evitado a morte do Cedrico, não teria tido nenhum efeito cascata ruim.” – Exato! O que causa o problema de qualquer coisa poder ser resolvida por qualquer um que tenha um vira-tempo.

        Essa imagem explica! O fixed point era o esquema no 3o livro… e a peça vai totalmente contra.

        Vi que alguns blogs/vlogs brasileiros vêm postando resenhas. Fica de olho nas comunidades de fantasia/HP, devem sair várias esses dias!

  2. Pingback: [Especial] Livros favoritos de 2016 | Sem Serifa

  3. Olá! Já faz um tempo que eu li Criança Amaldiçoada, o hype e a decepção esfriaram, mas há certas coisas que eu sempre quis apontar (e só não fiz antes porque não tenho um site só meu, então tenho que me contentar em comentar em textos de pessoas que entendem mais do assunto, mas enfim…)
    01: acho que o pior erro de todos foi o Marketing dizendo que esta é “A Oitava História” e depois vendendo o roteiro como se fosse livro; alguém devia ter explicado que isso não ia dar certo… faz muito tempo que eu trabalhei numa peça de teatro, mas posso dizer que roteiro NÃO É divertido de se ler. É tudo objetivo, expositivo, sem nuances nem sutilezas. E depois, o próprio formato de teatro trabalhou contra a expectativa dos fãs.
    02: Essa peça não é realmente uma história independente, mas uma série de referências à saga; daí o uso do vira-tempo, para que eles voltem para o Torneio, voltem para o dia da morte dos pais de Harry, para que vejamos o Hagrid pegando o bebê Harry: é basicamente um série de revisitas a momentos da saga, e isso é a maior qualidade e o maior defeito da peça… a sinopse criou expectativas de uma nova história, focada na nova geração dos Potter, Weasley e Malfoy com a antiga, mas isso em dado momento (cof, cof, segunda parte da peça) fica em segundo plano, em prol de revisitar os momentos emocionantes da saga que eu já citei.
    03: Achei que a sequência na realidade em que Voldemort ganhou a guerra tinha um potencial gigantesco. Como eu disse, a revisitação excessiva tomou tempo para um contexto mais original. E que contexto melhor do que esse, ao vermos como os personagens que amamos agem nessa versão distorcida do presente? Mas sabe, mais do que o Draco se tornando mau, o que mais me incomodou foi o Scorpius se tornando um bully cruel que se diverte em torturar alunos; digo, o contexto mudou, mas a essência dos personagens devia ser praticamente a mesma, e o Scorpius é talvez o personagem mais gentil e bem-resolvido dessa história. Quando o Draco testemunhou em primeira mão cenas de violência, descobriu que tinha aversão por isso, que não gostava de ver gente ser torturada e morta, muito menos de participar disso. Mas o Scorpius dessa realidade gosta, então ele é PIOR do que o pai na idade dele?!!!
    04: Acho que o Snape aliado do Scorpius faz sentido; ele sempre foi essa figura de aliado improvável, e já que ele gostava do Draco, fazia sentido ele ajudar de boa vontade o filho dele. O problema é a descaracterização que fizeram do personagem. Como J. K. Rowling disse, ele é todo cinza, não pode ser chamado de santo nem demônio, o que na minha opinião quer dizer que ele não pode ser chamado de herói nem de vilão. Durante a saga, ele antagonizou contra o Harry, mas na hora do aperto, lá estava, impedindo a azaração na vassoura do garoto, vigiando-o no jogo, informando a Ordem o que Harry dissera sobre Sirius na sala de Umbridge… ele é esse personagem dúbio, complexo… e aí vemos mais uma vez o formato de peça trabalhar contra o desenvolvimento. Poderia fazer sentido o personagem passar por um reexame de consciência, depois que Harry tinha morrido e ele não tinha mais razão de continuar, então talvez ele repensasse toda sua trajetória. Uma coisa que me esqueci de abordar quando comentei no seu texto sobre ele: o maior defeito do Snape é que ele tinha uma mente extremamente fechada (vide sua eficiência como Oclumente), que se recusava a absorver detalhes necessários da realidade e das opiniões dos amigos. Snape nunca ouviu as queixas de Lily sobre seus colegas Comensais da Morte, nem a opinião de Dumbledore sobre Harry ser um bom garoto, porque só absorvia o que queria. Então, vê-lo abrir a mente e perceber em parte pelo que realmente valia a pena lutar era muito interessante. Mas o formato de teatro não permitiu que tivéssemos uma visão melhor disso, só temos um diálogo em que ele alega ter passado a acreditar na causa de Harry, após anos lutando em memória dele. De novo, é até possível, mas do jeito que aparece, não só soa forçado, como é extremamente vago.
    05: as duas partes mais polêmicas estão ligadas, DE NOVO, ao formato de peça de teatro referencial ao original… uma pessoa que assistiu à peça em Londres disse que a figura de Voldemort foi uma forte antagonista na história. Então a Delphi não é uma vilã independente, é só um artifício para trazer de volta a ameaça do vilão principal. E como o roteirista precisava de uma motivação para que ela fosse até o fim com esse esquema, inventou que ela era uma filha perdida que queria conhecer o pai, porque para eles, uma seguidora qualquer não seria suficiente. Eu sei, é preguiça demais da parte deles…
    Já o Cedrico é mais uma combinação de preguiça e limitação do formato de teatro (de novo ele!). Eles inventaram esse plano de salvar o cara, e precisavam que a sobrevivência dele causasse a vitória de Voldemort; e teve uma coisa de que eu gostei, foi ligação disso com Neville. Há muitas teorias sobre ele ser o verdadeiro Eleito, ou um segundo Eleito, já que foi ele que liderou a resistência de Hogwarts e destruiu a última Horcrux. Neville é, infelizmente, ignorado entre as participações na peça, o que é uma pena (não faria mais sentido o Harry pedir pra ELE vigiar o Albus e aconselhá-lo?), e aqui descobrimos que a presença dele era crucial para a vitória de Harry. Mas miseravelmente, a criatividade do roteirista de teatro acabou, e ele decidiu que para que a sobrevivência de Cedrico causasse a morte de Neville (e consequentemente, de Harry), o primeiro teria que MATAR o último! Preguiça ou limitação do formato de teatro? Acho que as duas coisas.
    06: apesar de tudo, tem umas coisas interessantes nessa história, que me fizeram pensear em uma versão dessa história, com várias mudanças, explorando as partes que tinham potencial, como: a revolta do Albus como um “spare” da Sonserina; a Rose como uma Hermione mais confiante e popular; a personalidade surpreendentemente acolhedora do Scorpius (uma das poucas coisas bem aproveitadas dessa história); e a minha preferida, a realidade em que Voldemort venceu.
    Imagine a Rose sendo uma aluna popular, talentosa e até meio arrogante, mas também idealista e caridosa com as causas populares do mundo bruxo. Imagine que enquanto o primo está se remoendo por ser um zoado da Sonserina, ela se empenha em apoio aos nascidos-trouxas e bate o pé para que mudanças sejam feitas na escola.
    Imagine que a fim de fazer algo grandioso, Albus cai na lábia da misteriosa Delphi, e é convencido a entrar numa trama, sem saber que será usado para bagunçar o tempo (e a Delphi tendo outras origens e sendo uma vilã mais independente); imagine Scorpius e Rose o seguindo, porque não abandonariam sua família e amigo.
    Imagine que, quando algo dá errado e eles ficam passando por épocas diferentes do tempo, surgem realidades paralelas, e entre estas, Scorpius fica preso na realidade de “VOLDEMORT WINS”, e recebe a ajuda de Snape, porque de novo, ele é o aliado improvável, e imagine os dois se identificando um com o outro, já que Scorpius está se empenhando em reparar um dano que ele ajudou a causar, fazendo Snape sentir empatia pelo garoto de forma mais crível do que “ah, digamos que depois de anos lutando por Harry Potter, acho que passei a acreditar na causa dele”
    Imagine o Scorpius que antes era tão bem-resolvido, duvidando de si mesmo ao descobrir que, nessa outra realidade, ele se tornou sádico e cruel (acho que ele vai precisar de um abraço).
    Imagine o potencial para explorar inúmeras realidades, dimensões paralelas, a nível Interestelar ou “Inception”, hein?… Tá, agora estou viajando…
    ENFIM:
    Essas são minhas considerações: acho que os erros da peça foram por causa do formato limitador da peça de teatro, e da falta empenho do roteirista em passar por cima disso; e também por causa da dependência que o enredo tem de referências ao original (o que explica a trama de viagem no tempo), em detrimento de um contexto novo. Sinto que escreveram essa peça como uma grande homenagem à saga e não como uma história propriamente dita. E essa é sua maior qualidade e seu maior defeito.
    P.S:. essas ideias que eu tive para uma história baseada são na verdade coisas que eu gostaria de ter feito, se estivesse na posição de roteirista da “Oitava História”, mas sei que boa parte delas não seria possível no formato de teatro (acho que as limitações explicam, mas não justificam os defeitos do enredo, pois o roteirista não se empenhou em contorná-las). Mesmo assim, talvez um dia eu escreva uma fanfic com essas ideias…
    PS.S:. acho que a autora se meteu nisso sem saber o que viria, então não a culpo pelos problemas da peça. Acredito que ela tenha recebido a proposta de uma peça de teatro em homenagem a sua saga, e lisonjeada, tenha autorizado, até porque ela revisou o texto. Mas quando eles começaram a desenvolver, ela deve ter ficado de mãos atadas, porque já tinha autorizado a peça e já estavam começando os preparativos; cancelar tudo por não ter gostado do resultado traria muitos problemas. Por isso, acredito que a culpa seja mais dos realizadores da peça dos que da autora, que nunca cometeria nem um décimo dos erros cometidos aqui.

    • Oi, Vinicius! Muito obrigada pelo comentário, adorei ler suas colocações. Acho que vc resumiu bem em “Sinto que escreveram essa peça como uma grande homenagem à saga e não como uma história propriamente dita.” – é o que parece! Eu tb esperava algo como uma continuação da história, uma história da nova geração, e no fim foi uma grande mistura que não fazia sentido só para trazer eventos e personagens antigos de volta em vez de trabalhar os novos. Se a JK tivesse escrito ela mesma, talvez fosse diferente mesmo – é uma pena que ela não se envolveu mais de perto no projeto. Enfim, obrigada novamente pela visita!

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