[Com Opinião] Sanderson vs Rothfuss

Bolacha ou biscoito? Toddy ou Nescau? Sanderson ou Rothfuss?

As grandes batalhas da nossa era.

Os rapazes do Grumpycast fizeram um programa para enaltecer Brandon Sanderson e aproveitaram pra jogar lenha na fogueira e perguntar: quem é o melhor entre os dois? Se você não acompanha os grupos de discussão por aí, a comparação entre os autores da Cosmere e da Crônica do Matador do Rei é uma discussão recorrente, talvez porque eles estejam entre os escritores mais populares do gênero (não só aqui como lá fora), com fãs apaixonados dos dois lados.

Para o pessoal do cast, o Sanderson ganha de longe. Quem me conhece sabe que Brandon é meu salvador pessoal, mas sou uma enorme fã do Pat e achei alguns dos argumentos injustos. Mas como devemos respeitar a opinião alheia e aceitar com serenidade visões diferen… haaaa, brincadeira. Eu vim contra-argumentar ponto a ponto. Então vamos ver o que eles disseram!

Atenção: há spoilers da Crônica ao longo de todo o post.

War-Rothfuss-Sanderson

Pat: “Talvez mais majestoso que The Way of Kings.” Brandon: “1000% menos sexo com deusas aleatórias do que em The Wise Man’s Fear.” (x)

– Sanderson termina as séries: É verdade que ser fã do Brandon é bem mais recompensador do que do Patrick, e é maravilhoso ter a certeza de que ele vai entregar livros novos com intervalos curtos. Mas a  experiência ─ e impaciência ─ do leitor não têm nada a ver com a qualidade dos livros. Brandon é mais produtivo, mas isso não necessariamente torna as suas obras “melhores” (mais sobre essa palavra abaixo).

E vale lembrar que os dois têm métodos de escrita diferentes, que se refletem nas obras. O Brandon, como ele mesmo já disse no Writing Excuses várias vezes, planeja suas tramas do começo ao fim antes de começar a escrever, e quase nunca muda de ideia no meio do caminho (vantagens de ser um robô). O Patrick (assim como o George R. R. Martin, que também tá devendo uns livros por aí) escreve e reescreve seu primeiro rascunho, tanto que levou 15 anos para terminar O nome do vento. Livros escritos por “jardineiros”, para usar o termo famoso cunhado pelo Martin, tendem a exigir mais tempo e ter uma trama menos fechadinha, sem milhares de fios que se entrelaçam perfeitamente e explodem a mente do leitor ao final. O que nos leva a…

 

– As histórias do Sanderson são melhores; a história do Rothfuss é só enrolação: Pra começar, “melhor” é uma palavra que não significa nada. Vamos usar algumas mais específicas: as tramas do Brandon são mais intricadas; seus livros apresentam mais plot twists; geralmente os personagens têm uma missão ou meta clara e a narrativa é mais focada na ação (com momentos de reação, mas a trama principal é logo retomada); e de modo geral todos os livros de uma série têm um clímax.

Isso é melhor? Se é o que você prefere ler, sim. Mas nem todas as histórias devem ser focadas em uma trama de ação e ter um clímax bombástico, não só em fantasia como na literatura em geral. A própria ideia de conflito, geralmente aceita como a base de qualquer trama, não é um padrão universal.

A história da Crônica é mais intimista. O maior desafio no primeiro livro não é derrubar um tirano, mas conseguir acesso a uma biblioteca. Antes de pensar em vingar a morte dos pais, o protagonista precisa passar de semestre e pagar a matrícula do próximo. A escala dos problemas é menor, mas nem por isso eles não importam para o personagem – pelo contrário, são extremamente dramáticos. E tem gente que prefere histórias assim. (Eu sou fã da Robin Hobb, uma autora com um ritmo ainda mais lento que o do Rothfuss e que muita gente detesta – mas muita gente ama também. Uma comparação entre ela e o Rothfuss faria mais sentido, aliás.) Olhar para uma história dessas e falar que “nada acontece” é dizer que não acontece nada do que você esperava.

Só porque boa parte das fantasias tem batalhas épicas e um ritmo acelerado, isso não é a regra nem define o gênero.

Inclusive, o Brandon já disse várias vezes que ama a fantasia porque é um gênero que pode ser combinado com qualquer outro. Assim, Elantris é uma história de zumbis; Mistborn é um heist; a era 2 de Mistborn é um Western… Já o Patrick está escrevendo uma autobiografia com toques de tragédia: sabemos qual será o final, sabemos que não é feliz, e só queremos descobrir como foi a jornada até lá. O Kvothe é a estrela do show aqui:

 

― Em nome da simplicidade, presumamos que sou o centro da criação. Para isso, deixemos de lado inúmeras histórias maçantes: a ascensão e queda de impérios, as sagas de heroísmo, as baladas de amor trágico. Avancemos depressa para a única história que tem importância real. ― Seu sorriso se alargou. ― A minha.

 

Sua vida se torna o eixo da história – e por mais que seja uma vida bem movimentada, ao longo dos anos tem seus momentos cotidianos. Muito diferente de livros escritos em 3ª pessoa com vários pontos de vista, como peças de um quebra-cabeça, e que se passam, em sua maioria, em períodos curtos.

Além disso, falar que as tramas do Rothfuss são fracas não leva em conta que a história ainda não se fechou – e que, apesar disso, os fãs estão há anos criando teorias, caçando pistas e unindo fios soltos (ouça este podcast para conhecer algumas dessas teorias). Isso não seria possível se não houvesse uma construção de mundo rica que aponta que há muito pensamento por trás dos livros, e que deve se explicar no terceiro (e mítico) volume. Há uma chance de que o último livro deixe pontas soltas e não se feche tão bem quanto os fãs esperam e que eu tenha que morder a língua? Tudo é possível. Mas o Patrick disse que “tudo que está no livro está lá por um motivo”, e até aqui não tenho razões para não acreditar nele.

 

― Se eu parecer divagar, se parecer me perder, lembre-se de que as histórias verdadeiras raramente seguem em linha reta.

 

– A escrita do Rothfuss não é tudo isso:

Quando se elogia a escrita do Rothfuss, não é porque ela é difícil ou rebuscada. Não que linguagem assim não possa ser bonita, mas no caso do Pat, ele emprega um vocabulário simples para expressar ideias profundas, fazendo abstrações e reflexões que você não encontraria num livro do Brandon (pelo menos não dessa forma).

O Brandon já disse que escolheu escrever numa linguagem o mais “límpida” possível, como um vidro através do qual o leitor vê a história. Já o Pat se utiliza muito de sugestões, metáforas, imagens inusitadas, construções incomuns, brincadeiras de linguagem e por aí vai, que é o motivo pelo qual as pessoas tendem a apreciar tanto sua escrita.

Quer saber, só vou deixar o prólogo aqui e que ele fale por si mesmo:

 

NOITE OUTRA VEZ. A Pousada Marco do Percurso estava em silêncio, e era um silêncio em três partes.

A parte mais óbvia era uma quietude oca e repleta de ecos, feita das coisas que faltavam. Se houvesse vento, ele sussurraria por entre as árvores, faria a pousada ranger em suas juntas e sopraria o silêncio estrada afora, como folhas de outono arrastadas. Se houvesse uma multidão, ou pelo menos um punhado de homens na pousada, eles encheriam o silêncio de conversa e riso, do burburinho e do clamor esperados de uma casa em que se bebe nas horas sombrias da noite. Se houvesse música… Mas não, é claro que não havia música. Na verdade, não havia nenhuma dessas coisas e por isso o silêncio persistia.

Dentro da pousada, uma dupla de homens se encolhia num canto do bar. Os dois bebiam com serena determinação, evitando discussões sérias ou notícias inquietantes. Com isso, acrescentavam um silêncio pequeno e soturno ao maior e mais oco. Ele formava uma espécie de amálgama, um contraponto.

O terceiro silêncio não era fácil de notar. Se você passasse uma hora escutando, talvez começasse a senti-lo no assoalho de madeira sob os pés e nos barris toscos e lascados atrás do bar. Ele estava no peso da lareira de pedras negras, que conservava o calor de um fogo há muito extinto. Estava no lento vaivém de uma toalha de linho branco esfregada nos veios da madeira do bar. E estava nas mãos do homem ali postado, que polia um pedaço de mogno já reluzente à luz do lampião.

O homem tinha cabelos ruivos de verdade, vermelhos como a chama. Seus olhos eram escuros e distantes, e ele se movia com a segurança sutil de quem conhece muitas coisas.

Dele era a Pousada Marco do Percurso, como dele era também o terceiro silêncio. Era apropriado que assim fosse, pois esse era o maior silêncio dos três, englobando os outros dentro de si. Era profundo e amplo como o fim do outono. Pesado como um pedregulho alisado pelo rio. Era o som paciente ― som de flor colhida ― do homem que espera a morte.

 

-O Kvothe é perfeito: Kvothe é o típico herói de fantasia, com sua capa esvoaçante e poderes sobrenaturais, melhor que todo mun… Só que não. Sim, ele é genial. Aprende as coisas rápido, é um cantor e músico excepcional, tem uma memória perfeita e pensamento rápido. Mas personagens, principalmente protagonistas, com talentos especiais e poderes inatos não são nada novo.

E falar que ele não tem defeitos é simplesmente errado. Ele é teimoso e orgulhoso ao ponto de se endividar (arriscando a vida ao dar seu sangue a uma ex-aluna do Arcanum) pra não ter que pedir dinheiro aos amigos; quando está irritado é rude com professores e pessoas em posição de poder; é tão imprudente que pula de um telhado achando que é um teste de fé, gasta a pouca grana que tem com a sua música e se endivida ainda mais, e vive provocando um cara rico e poderoso que já o odeia. Às vezes é inocente, até ingênuo, caindo nos truques das inimigas ou falando do Chandriano na Universidade sem perceber que vai virar motivo de riso. Na verdade, a maioria dos problemas que Kvothe tem na Universidade é causada por ele mesmo e por sua personalidade irascível.

Mas, além disso, é fato que ele não é a pessoa mais foda desse universo. Ele perde miseravelmente numa luta com Devi em O temor do sábio; sabemos que Elodin entrou na Universidade mais jovem que Kvothe e é um nomeador com muito mais conhecimento; Denna, embora não tenha uma educação formal, tem uma memória prodigiosa também (o próprio Kvothe se surpreende quando ela afirma saber uma canção após ouvi-la uma vez) e é inteligente acima da média (Willem se surpreende quando ela capta detalhes sobre a simpatia na primeira vez que aprende sobre isso); e Auri, pelo que sugere A música do silêncio, pode ser mais poderosa não só que ele, mas que a maioria das pessoas. Kvothe não é um floquinho de neve especial rodeado por pessoas medíocres. E há coisas que ele não consegue aprender (como a língua siaru), assim como, quando vai a Ademre, não se torna subitamente o melhor entre eles (nem de longe – preciso lembrar que ele apanha de uma menina de 10 anos?). Também ajuda o fato de que o Kvothe-narrador reconhece constantemente que boa parte de sua fama é uma ilusão construída por ele.

Se você gosta ou não dele é uma questão pessoal, mas Kvothe não é um personagem plano nem perfeito.

 

– O sistema de magia não tem regras: Há dois tipos de magia na Crônica: um representado pela nomeação (realizada pela capacidade inata de acessar a “mente adormecida”), além de englobar os Encantados, o Chandriano e outras criaturas cuja fonte de poder é desconhecida e sem contornos nítidos. Essa é a clássica magia “soft”.

Por outro lado, existe a simpatia, que Kvothe, quando menino, considerava “magia”, mas descobre ser nada mais do que habilidades controláveis e quase científicas. Digo “quase” porque obviamente não existe Alar que permita a alguém dividir a mente em várias partes e ligar objetos com base em sua composição. Mas se você beber metais, também não vai ganhar poderes. Premissas impossíveis são meio que a base de toda fantasia. Dado isso, a simpatia é um sistema “hard”, uma vez que, segundo o Rothfuss:

“Eu literalmente tenho a matemática de muitas dessas coisas. Eu fiz os cálculos de quanto calor preciso para isso ou aquilo, e considerando as perdas. […] Uma vez que explico os fundamentos pra você, se meus personagens são espertos usando esses fundamentos, então você pode apreciar a esperteza deles em um nível mais profundo, e é muito satisfatório.”

Caso isso pareça familiar, é porque é literalmente a 1ª Lei da Magia do Sanderson: a habilidade de um autor de resolver um conflito com magia é DIRETAMENTE PROPORCIONAL a quão bem o leitor compreende essa magia.

Ao longo de O nome do vento e de O temor do sábio, as regras da simpatia são explicadas mais de uma vez. Sabemos que usar o próprio sangue é perigoso, porque pode levar ao congelamento, e que é impossível tentar fazer uma ligação com o ar, pois você vai sufocar; sabemos que quanto mais parecidos são dois materiais, melhor eles se conectam e menos esforço é exigido do simpatista; sabemos que, ao conectar dois itens e erguer um deles, você levantará o peso dos dois, não apenas de um… Enfim, nós sabemos os princípios que regem essa magia e o que acontece quando você faz mais do que pode.

Se alguns aspectos desses sistemas já foram utilizados em outras obras e por outros autores (como a nomeação, famosamente, por Ursula Le Guin em Terramar), isso não significa que Patrick não os imbuiu com características próprias. E isso nos leva ao próximo ponto.

 

– A história é clichê: Sim e não. É verdade que a Crônica tem vários elementos da fantasia clássica: o herói órfão que vai vingar a morte dos pais num mundo medievalista não é exatamente groundbreaking. Mas ela é conscientemente clichê. Quero dizer: o Rothfuss não engoliu um monte de fantasias e regurgitou a mesma fórmula porque não sabia fazer nada diferente; ele se propôs a escrever uma fantasia com toques de familiaridade, “algo meio novo e meio diferente. Mas, ao mesmo tempo, eu queria que fosse familiar e afetivo e empolgante de um jeito nostálgico” (x). Um pouco como Jordan, que escreveu o primeiro volume de A roda do tempo com alusões óbvias ao Senhor dos Anéis para que o leitor começasse em “território conhecido”.

No entanto, ao mesmo tempo que se apoia em aspectos “clichês”, constantemente os traz ao primeiro plano, apontando com ironia os pontos em que sua história se aproxima do modelo e recusando a ficar preso a ele:

 

― Começou na Universidade. Entrei para estudar a magia do tipo de que se fala nas histórias. Magia como a do Grande Taborlin. Eu queria aprender o nome do vento. Queria o fogo e o relâmpago. Queria respostas para 10 mil perguntas e acesso aos arquivos deles. Mas o que encontrei na Universidade foi muito diferente de uma história e fiquei desencantado.

*

― Quer dizer que vocês querem tornar-se arcanistas, não é? ― disse o mestre. ― Querem a magia de que ouviram falar nas histórias da hora de dormir. Ouviram canções sobre o Grande Taborlin. Estrepitosas cortinas de fogo, anéis mágicos, mantos invisíveis, espadas que nunca perdem o fio, poções que fazem voar ― prosseguiu, abanando a cabeça, enojado. ― Bem, se é isso que estão procurando, podem se retirar agora, porque não o encontrarão aqui. Isso não existe.

*

― Se esta fosse uma história de taberna, toda feita de meias verdades e aventuras absurdas, eu lhes contaria que o meu tempo na Universidade foi gasto numa dedicação pura. Eu teria aprendido o nome eternamente mutável do vento, partiria a galope e me vingaria do Chandriano. ― Estalou os dedos com força. ― Simples assim. Mas, embora isso pudesse render uma história divertida, não seria a verdade. A verdade é esta: fazia três anos que eu vivia o luto pela morte de meus pais, e o sofrimento daquilo tinha-se esmaecido numa dor surda e contínua. […] Porém há mais coisas na vida do que a vingança. Eu tinha obstáculos muito reais a superar bem ali. Minha pobreza. Minha origem humilde. Os inimigos que eu fizera na Universidade eram mais perigosos para mim do que qualquer dos componentes do Chandriano.

 

A proposta do Brandon é justamente fugir da fantasia clássica. Apesar de ele ser não só fã mas ter completado A roda do tempo, em sua própria obra Brandon está sempre apresentando sistemas de magia originais e mundos diferentões. E isso é ótimo e altamente necessário, porque a fantasia tem um potencial ilimitado e tem mesmo que se reinventar e explorar novas possibilidades.

Mas o Patrick mostrou que ainda há lugar para os velhos arquétipos, que ainda é possível criar algo envolvente baseado numa magia tão antiga quanto a dos nomes e em uma premissa tão batida quanto a da vingança. Seu maior trunfo, talvez, tenha sido construir um universo cheio de elementos da fantasia clássica e injetá-lo com uma realidade e humanidade com que seus leitores conseguem se identificar: o luto da morte dos pais, passar de ano na faculdade, não conseguir pagar os boletos, gostar da mina mas ter medo de se declarar… E com uma história relativamente simples e uma escrita acessível mas tocante, alcançou um público muito amplo, agradando tantos a fãs do gênero como quem não costuma ler fantasia. Acredito que daí venha todo o “hype”.

 

Então, aqui vai a conclusão: essa comparação não pode ser feita. Isso porque, apesar de ambos serem autores contemporâneos de fantasia cujas histórias se passam em mundos secundários, suas propostas são tão diferentes que qualquer comparação vai cair, inevitavelmente, numa questão de gosto pessoal. Da minha parte, prefiro ler dois e tentar apreciá-los pelo que são, não pelo que não são nem estão tentando ser.

Anúncios

4 respostas em “[Com Opinião] Sanderson vs Rothfuss

  1. Também gosto bastante de ambos! Talvez um pouco mais do Sanderson do que do Rothfuss, mas é porque eu adoro histórias cheias de reviravoltas e que fujam do medieval (não que eu não goste de medieval).

    E realmente não faz sentido comparar. Não podemos descontar pontos do Sanderson por não ter uma escrita poética, já que não era o objetivo dele, e também não podemos descontar pontos do Rothfuss por ele não ter uma trama cheia de plot twists, porque também não era o objetivo dele. Tudo bem não gostar dos livros de um ou de outro por causa disso, mas é importante reconhecer, em uma resenha, que os dois fizeram um bom trabalho dentro daquilo que se propuseram (ao meu ver, claro, já que os elementos que tornam um livro bom para mim podem não ser os mesmos que tornam um livro bom para você).

    Sobre algumas declarações de que “não acontece nada nos livros do Rothfuss” (especialmente em relação ao segundo), acho que não procede. Se você for analisar, tem bastante conflito sim, porque conflito não é necessariamente uma grande batalha. Só talvez não seja o tipo de conflito de que boa parte dos leitores do Sanderson gostam.

    Aliás, se fosse para fazer comparação, seria muito mais adequado comparar o Sanderson com o Lynch, que tem uma proposta bem mais parecida (plot twists de fazer cair o queixo, mundo não medieval, etc.).

    No fim, acredito que esse tipo de comparação muitas vezes surge do fato de que certos leitores, tanto do Sanderson quanto do Rothfuss, agem como se o fato de outra pessoa não gostar dos livros como uma afronta pessoal. Ontem mesmo vi em um grupo uma pessoa postando uma resenha mais negativa que positiva de O Império Final (mas bem embasada e respeitosa), e uma série de comentários de fãs revoltados, como se fosse um crime não gostar e criticar os livros do Sanderson.

    Boa análise a sua!

    • Oi, Lais!

      Exatamente! De modo geral a discussão que inspirou esse post foi bem bacana, e eu revi umas ideias também a partir de outros comentários. E acho importante poder discutir, porque acredito que você pode (e deve) analisar as coisas que ama de um jeito crítico. Ficar endeusando um autor ou outro leva a situações como essa que você descreveu!

      Obrigada pelo comentário! 🙂

  2. Caraca, mal comecei a me aventurar no gênero da fantasia e já sou apresentado a TRETAS, daquele tipo que os fãs adoram fomentar, com direito a comparações esdrúxulas e tudo.

    Para alguém vendo de fora como eu, cujo contato com os nomes envolvidos se resume a ter lido O Nome do Vento (embora já esteja com o 1º volume de Mistborn aqui comigo, tudo culpa desse blog!), não dá nem pra entender o porquê de cogitar uma comparação entre os caras, que são autores com estilos diferentes, propostas diferentes e em fases diferentes de suas carreiras.

    Como o post já esclareceu muito bem, se o Pat é intimista e propõe contar a vida de um carinha e suas desventuras desde criança até sabe-se lá onde vai terminar, tenho a impressão que o Sanderson é geralmente um worldbuilder obsessivo, sistemático e megalomaníaco (o cara criou planetas inteiros pro seu universo? Wtf?). E aí, dá pra comparar o trabalho de um astrônomo com o de um físico de partículas? Claro que não, são abordagens em níveis completamente distintos, que podem inclusive ser igualmente complexos.

    Objetivamente falando, o único ponto que considero válido – com ressalvas – a nível de autoria é o fato de que Sanderson é mais produtivo; não conheço ninguém que gostaria que seu autor favorito escrevesse MENOS. De resto, qualidade de enredo, habilidade de escrita, se é clichê ou não (e se for, até onde isso atrapalha) é completamente subjetivo e existem razões perfeitamente razoáveis pra que alguém prefira um ou outro.

    Fechando um comentário empolgado (tão grande quanto o próprio artigo!): não sei quanto ao Sanderson, mas assisti algumas entrevistas com o Pat e ele é um cara PUTA divertido. Cheguei a ver um vídeo no qual ele joga Dungeons n’ Dragons com o pessoal do Penny Arcade (encarnando o próprio Viari, das Crônicas),e nunca imaginei que ficaria tão entretido assistindo um grupo de nerds jogando RPG por horas seguidas, que surpresa. Recomendo fortemente pra quem é fã dele.

    Ótimo post!

    • Oi, Daniel! Tudo bem?

      Vale dizer que as tretas são, em grande parte, bem amigáveis! Claro que tem gente que não aceita que pessoas têm gostos diferentes, mas são minoria nos grupos de que eu participo. Acho legal discutir quando as pessoas respeitam opiniões alheias e tentam apresentar argumentos objetivos. Só as respostas a essa post já me fizeram rever algumas ideias.

      E exatamente! A fantasia é um gênero tão amplo que comparar duas obras só por serem fantasia nem sempre vai fazer sentido. E apesar de vc não ser lido Sanderson ainda, é bem isso mesmo. Adorei a comparação com um astrônomo e um físico, uau!

      O Brandon é realmente insano nessa parte de worldbuilding. Os livros/séries dele se passam em mundos diferentes, mas que fazem parte de um mesmo universo (e vc pode ler todos separadamente, mas há algumas conexões entre esses mundos, para os fãs mais obcecados se divertirem). Pra mim, nesse sentido, ele é um dos maiores escritores de fantasia atuais.

      O Pat é ótimo, né? Adoro ver entrevistas com ele, e sei que ele é bem envolvido nessas comunidades de RPG! E o Brandon é ótimo também – eu o admiro muito porque é um cara que realmente tenta ajudar outros escritores, dando cursos e gravando um podcast sobre escrita (se vc não conhece, recomendo ouvir alguns episódios do Writing Excuses. Mesmo pra quem não escreve, eles abordam assuntos muito interessantes!).

      Enfim, muito obrigada pelo comentário empolgado e aproveite Mistborn!

O que achou deste post?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s