[Especial] Evento – Como se constrói um mundo

Começou nesta quinta-feira, véspera do Dia do Orgulho Nerd, o evento O Futuro é o Corpo, a Tecnologia é o Presente. Sediado no recém-inaugurado Sesc Paulista, em São Paulo, o evento promove uma série de bate-papos e oficinas sobre a literatura de ficção científica e fantasia. No bate-papo que abriu o evento, Daniel Lameira, Cláudia Fusco e Jim Anotsu conversaram sobre o tema “Como se constrói um mundo”. Resumimos neste post alguns dos assuntos tratados!

Os palestrantes mencionaram como o Brasil, que se assemelha um pouco a um cenário distópico, é um terreno fértil para a produção de distopias; o que levou a queixas sobre o cenário do mercado editorial nacional: pequeno, pouco profissionalizado e limitado por regras de diversos players.

Um dos grandes problemas apontados no cenário nacional é o preconceito literário. Os convidados falaram sobre como esse problema vem da academia, e do fato de que no Brasil, como tantas outras coisas, as universidades sempre foram um lugar para poucos. Em compensação, Cláudia Fusco lembrou que há excelentes pesquisadores dessas literaturas atuando no país atualmente, e trazendo uma bem-vinda inovação para a academia.

Outra pauta da conversa foi a mídia tradicional, que vem tendo que se reinventar e se ressignificar nos últimos anos. Como Jim Anotsu apontou, “a internet mudou a dinâmica de poder da crítica”, dando voz a muito mais gente. A crítica literária, antes restrita a acadêmicos e jornalistas de grandes veículos, agora encontra vozes mais diversas e mais próximas dos leitores.

Dentro da temática da ficção científica e da fantasia, dois assuntos muito relevantes foram tratados. O primeiro foi o fato de que a ficção científica não trata do futuro, e sim de temas atuais, e como ultimamente o público tem percebido essa proximidade do gênero. Fusco lembrou também que a ficção científica pode cometer erros, inclusive em sua percepção do mundo ao nosso redor, e que não podemos limitar nossa leitura à percepção desses erros. Ela mencionou como exemplo o fato de que O conto da aia, de Margaret Atwood, não apresenta nenhum recorte racial – um problema que deve ser apontado, mas que não faz com que a obra perca seu valor e relevância.

Outro assunto muito pertinente levantado por Daniel Lameira é um problema recorrente entre os escritores brasileiros: a ambição de construir universos complexos e ricos, esquecendo-se de focar na história. Todos os palestrantes concordaram que o elemento humano deveria vir antes da criação do mundo, e criticou-se o fato de que a ficção científica hard muitas vezes coloca os detalhes científicos em mais destaque do que os personagens. Por outro lado, Lameira vê de forma positiva o fato de que os alguns escritores do gênero são vanguardistas, dentro da literatura brasileira, em estudar estratégias e técnicas para desenvolver uma literatura mais comercial.

Foi uma conversa que equilibrou bem a visão de um escritor, uma pesquisadora e um editor, e me deixou cheia de ideias e reflexões, aguardando os próximos eventos. O espaço do novo Sesc é bem aconchegante, mas, para quem perdeu este ou não puder ir aos próximos dias do evento, as conversas estão sendo registradas e depois se tornarão episódios do podcast Curta Ficção.

Uma resposta em “[Especial] Evento – Como se constrói um mundo

  1. Adorei o post! (Eu AMO o Sesc e os seus eventos literários! Hahaha Ansiosa para conhecer esse da Paulista. Meu sonho é morar perto de um, porque aqui eu tenho que ir para Piracicaba ou Campinas.)

    Beijo

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