[Resenha] Graça e Fúria

2018gracaSinopse:

Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos.

Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar.

Fonte: Seguinte

Em Viridia, as mulheres não podem escolher seu marido. Ou seu emprego. Ou qualquer coisa, na verdade. Ler é proibido, assim como erguer a voz ou tentar resistir a qualquer ordem dada por um homem. O país é governado pelo Superior, que possui dezenas de Graças em seu palácio, mulheres cuja função é ser bonitas, prendadas e submissas e dar um exemplo a todas as outras do país.

Pela primeira vez, seu filho mais velho, o Herdeiro, está pronto para começar a escolher suas Graças, uma honra para a qual todas as províncias do país podem enviar sua candidata. Na província industrial de Lanos, Serina Tessaro está se preparando para a competição — assim como a irmã Nomi, que irá acompanhá-la como sua aia. Enquanto Serina foi treinada a vida inteira para ser bela, recatada e do lar, e não vê sentido em se revoltar com o modo como as coisas são, Nomi se rebela contra as tradições e regras do seu país. Corajosa, impetuosa e rebelde, Nomi não sabe como vai suportar uma vida à sombra da irmã, sob a vigilância estrita do palácio.

Graça e Fúria é obviamente um livro que trata de empoderamento feminino, e se as características repressoras de Viridia a princípio parecem meio exageradas, até o fim do livro temos uma explicação para o país ser como é.

O livro é narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista das duas irmãs, em capítulos intercalados, e cada irmã tem seu arco próprio. Se a princípio a história de Nomi me pareceu mais interessante, até o fim do livro Serina era a minha preferida, disparado. A trama de Serina surpreende desde o começo e só se torna mais emocionante com o passar do livro, e o crescimento da personagem é espetacular.

Por outro lado, a partir de metade do livro, eu vi para onde estava indo a trama de Nomi (por motivos que incluem ser fã de Jane Austen), e foi um pouco frustrante só poder esperar essa trama se desenvolver (embora eu deva dizer que ela não toma nenhuma decisão injustificada no contexto). Ela continua sendo uma personagem complexa, mas em comparação com o arco de Serina, sua história não a muda tanto para o melhor — só a deixa mais desiludida.

Como é difícil falar da trama sem revelar alguns detalhes, seguem alguns SPOILERS: a premissa me lembrou muito Warbreaker, de Brandon Sanderson, que também fala de duas irmãs, uma das quais era destinada a ser a esposa de um rei — e que no fim trocam de papéis. Sim, logo nos primeiros capítulos do livro, Nomi é escolhida como Graça, enquanto Serina acaba pagando por um crime da irmã e é enviada para a prisão (se o primeiro plot twist não me surpreendeu, esse me pegou totalmente desprevenida). Essa inversão de papéis funciona muito bem para forçar as protagonistas a ser tudo que não foram educadas pra ser. (FIM DOS SPOILERS)

Há um pouco de romance no livro, mas nunca é a prioridade das irmãs — as duas estão sempre focadas em ajudar uma à outra, apesar de suas diferenças e de haver um pouco de rancor nessa relação. Também conhecemos várias personagens secundárias com suas próprias histórias, e é legal ver como — embora as irmãs sejam as estrelas do livro — há muitas outras mulheres fortes na trama.

Já os homens, que que eu tenho a ver? Brinks — no meio dessa sociedade opressora, também vemos exemplos de homens que não são cretinos completos (embora um deles pudesse ter agido mais cedo e se comunicado um pouco melhor!). Mas a maioria é tão ruim quanto você deve estar pensando.

O final do livro me deixou um tanto enlouquecida para ler o próximo volume da série, e estou ansiosa para ver para onde vão as irmãs em seguida e como vão se relacionar depois de tudo que aconteceu neste volume.

*

Graça e Fúria
Autora: Tracy Banghart
Tradutora: Isadora Prospero
Editora: Seguinte
Ano de publicação: 2018
304 páginas

3 respostas em “[Resenha] Graça e Fúria

  1. Conforme eu lia – recebi a prova antecipada, então rabisquei o livro todo! – eu vibrava com cada vez que as irmãs pensavam que deveriam se unir ao invés de nutrir rancor uma pela outra ou quando a sociedade quer que as mulheres estejam separadas e competindo entre si, porque sabe que se elas se unirem, uma revolução acontece! Adorei, já estou rascunhando a resenha até! ❤

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