[Resenha] Eu sou Malala

malalaSinopse:

Quem é Malala? O mundo a conheceu em outubro de 2012, quando foi baleada por extremistas do Talibã por insistir no direito das mulheres à educação. Mas Malala não é apenas um símbolo de luta por uma causa nobre. É uma personalidade excepcional, criada num ambiente rodeado por adversidades impensáveis ao leitor de países habituados à democracia. Eu sou Malala conta a história de uma menina que, aos dezesseis anos, foi convidada a dirigir-se ao mundo em um discurso na sede das Nações Unidas, em Nova York. Apesar de seus poucos anos de vida, sua trajetória condensa os impasses de uma família exilada pelo terrorismo global e os obstáculos à valorização da mulher no mundo muçulmano.

Fonte: Companhia das Letras

Eu sou Malala é um livro que tenho há vários anos e, por motivo nenhum, demorei muito para ler. Juntando meu interesse pelo mundo islâmico e por biografias de mulheres que vivem em realidades diferentes da minha (aliás, comprei esse livro junto com Para poder viver), há tempos eu sentia que devia conhecer mais sobre a garota tão famosa que lutou pelo direito à educação e quase pagou com a própria vida.

Nascida em 1997 no Paquistão, filha mais velha de um dono de escolas particulares e de uma mulher analfabeta, Malala sempre foi apaixonada pelos estudos. Mas seu aprendizado foi ameaçado ainda na infância, quando o Talibã tomou poder na região em que sua família vivia e proibiu meninas de irem à escola. Primeiro usando um pseudônimo e depois revelando a identidade, Malala deu relatos e entrevistas à imprensa internacional defendendo o direito das meninas paquistanesas à educação, e se tornou alvo do Talibã. Um membro do grupo atirou nela dentro de um ônibus escolar quando a garota tinha 15 anos, em 2012, e Malala quase morreu. Desde então, ela mora na Inglaterra com a família, e continua falando e buscando apoio para que crianças do mundo todo tenham garantido o direito à educação – movimento que lhe rendeu, em 2014, o Prêmio Nobel da Paz.

Sua biografia conta a história desses primeiros e conturbados 15 anos de vida, no Paquistão. Ela oferece um panorama da história recente do país, ao mesmo tempo que explica o contexto político e cultural da região em que cresceu. É angustiante acompanhar seu relato de como sua terra natal, o turístico vale do Swat, virou uma zona de guerra entre o Talibã e o exército. Houve até uma época em que Malala e sua família tiveram que se refugiar temporariamente em outra região do país. Em meio aos horrores da guerra, ela sempre se manteve preocupada com os estudos, e ficou aliviada quando voltou para sua cidade após esse período e encontrou seus livros escolares intactos.

Malala e sua família são muito religiosos, e os discursos dela e do pai sempre insistiram que o Corão prega o direito à educação para homens e mulheres. Porém o Talibã, que distorce morais e conceitos religiosos, afirmou que posições como essa eram ameaças ao Islã, e as usou para justificar os ataques a Malala.

Mas seus relatos não são apenas de luta. Mais do que seus ideais em defesa da educação, Malala nos conta a história de uma garota normal, que compete com as colegas de classe, briga com os irmãos, reclama da própria aparência e tenta deixar seus pais orgulhosos. E também acredita fortemente no próprio potencial para fazer mudanças, independentemente da idade. Ela teria sido um grande ídolo para meu eu adolescente, e não é à toa que sua história foi também contada em livros infantis e juvenis.

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História de Malala no livro infantil Histórias de ninas para garotas rebeldes

Em meio a tantos relatos sobre a luta política de Malala ao lado do pai, fiquei muito curiosa por saber mais sobre a mãe da garota. Uma mulher humilde e bastante conservadora, Toor Pekai foi analfabeta por muitos anos, e estava tendo seu primeiro dia de aulas quando a filha sofreu o atentado. Então ela se viu obrigada a abandonar tudo o que conhecia e se mudar para um país cuja língua não falava, em nome da vida da própria filha. Fuçando um pouco a internet, descobri que, poucos anos após o atentado, Toor Pekai estava aprendendo a ler e a falar inglês, e que já construía uma nova rede de amigos na Inglaterra. De acordo com Malala (nessa entrevista), os próprios papéis de gênero dentro de sua família começaram a ser revistos.

 

Nossos homens pensam que ganhar dinheiro e dar ordens é ter poder. Não percebem que o poder está nas mãos da mulher, que passa o dia cuidando de todos e que dá à luz. Em nossa casa mamãe administrava tudo porque meu pai vivia ocupado. Era ela que acordava cedinho, passava nossos uniformes escolares a ferro, preparava nosso café da manhã e nos ensinava como devíamos nos comportar. Era minha mãe que ia ao mercado fazer compras e cozinhar. Tudo ficava a seu encargo.

 

Apesar de ser uma leitura tão satisfatória, o que desejo é que esse livro, publicado quando a autora tinha 16 anos, se torne muito desatualizado e que as conquistas de Malala se estendam ainda por muitos anos.

 

*

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Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã
Autoras: Malala Yousafzai e Christina Lamb
Tradutores: Caroline Chang, Denise Bottman, George Schlesinger e Luciano Vieira Machado
Editora: Companhia das Letras
Ano de publicação: 2013
344 páginas

 

Citações favoritas:

“Vocês estão agindo contra o povo e contra o Paquistão”, afirmava [meu pai, sobre os militares e a ISI]. “Não apoiem a talibanização, é desumano. Dizem-nos que o Swat vem sendo sacrificado em benefício do Estado. O Estado é como mãe, e mãe nenhuma abandona ou trai os filhos.”

*

Embora amássemos estudar, só nos demos conta de quanto a educação é importante quando o Talibã tentou nos roubar esse direito. Frequentar a escola, ler, fazer nossos deveres de casa não era apenas um modo de passar o tempo. Era nosso futuro.

*

O Talibã podia tomar nossas canetas e nossos livros, mas não podia impedir nossas mentes de pensar.

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