[Lista] Livros da nossa infância

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Se você já entrou em uma livraria onde crianças se divertem no cantinho da leitura da seção infantil, é possível que tenha se lembrado de sua própria infância. Os pequenos leitores muitas vezes despertam em nós certa nostalgia e até a esperança de um futuro com novos leitores ávidos. A verdade é que há quem tenha se iniciado na leitura na fase adulta ou na adolescência, mas muitos de nós trazem a paixão desde a infância, quando revirávamos as prateleiras dos adultos e pulávamos de alegria ao ganhar, num Natal ou aniversário, um livro infantil cheio de ilustrações e uma boa história.

Motivadas por essa nostalgia literária, trouxemos pra vocês uma lista dos nossos favoritos dos tempos de criança.

 

Bárbara

O primeiro amor de Laurinha

Este livro fala exatamente do que promete o título: o primeiro amor de uma garota. Laurinha está na 5ª série (era assim que se chamava o 6º ano na minha época) e se envolve pela primeira vez nas paixões e os desencontros da adolescência. Li esse livro aos dez anos; os dramas da menina estavam muito próximos da minha vida e eu me apaixonei pela personalidade dela. A parte gráfica também me encantou: todas as páginas são coloridas, e a diagramação faz várias brincadeiras com o texto, o que chamava muito a minha atenção – eu não parava de folhear o livro! (Não sei se a edição nova tem o mesmo tratamento, porém.)

Laurinha protagoniza também outros dois livros do autor: As cores de Laurinha e O mistério da fábrica de livros (aliás, não é surpresa que eu tenha me apaixonado por uma personagem que era curiosíssima sobre o processo de produção de livros).

Minha edição:

O primeiro amor de Laurinha, de Pedro Bandeira. Hamburg Donnelley, 1999.

Edição atual:

O primeiro amor de Laurinha, de Pedro Bandeira. Moderna, 2009.

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Dez anos depois que ganhei meu exemplar, consegui um autógrafo do autor!

Flor de maio

Quando eu estava na terceira série, li este livro para as atividades da aula de Português, que incluíram uma peça de teatro. Fui eu quem interpretou a protagonista (sinto muito, mas não tenho registros fotográficos disso!), uma jovem borboleta que, ao sair do casulo, percebe que falta um pedaço de sua asa. No começo da história, a borboleta está deprimida e desesperada, achando que jamais vai voar como as outras, até que faz amizade com uma cigarra e uma formiga que farão de tudo para ajudá-la a vencer essa barreira. É uma história sobre perseverança e amizade, com personagens otimistas, e de quebra traz uma mensagem sobre ecologia. (E, caso queiram saber, a peça foi um sucesso.)

Minha edição:

Flor de maio, de Maria Cristina Furtado. Editora do Brasil, 1985.

Edição atual:

Flor de maio, de Maria Cristina Furtado. Editora do Brasil, 2008.

Sim, eu grifei minhas falas para ensaiar.

Sim, eu grifei minhas falas para ensaiar.

Divinas aventuras: histórias da mitologia grega

Muitas crianças têm sua fase de fascínio pela mitologia antiga. Eu estava nesse período quando tive que ler esse livro para a escola, e é claro que me encantei. Divinas aventuras me serviu como um guia da mitologia grega, que eu li e reli para conhecer melhor os deuses e imaginar minhas próprias histórias sobre eles. Cada capítulo é dedicado a uma divindade – Atena, Hermes, Apolo, Ártemis, Posêidon, Gaia, Zeus e Cronos – que, em primeira pessoa, se apresenta para o leitor e conta uma de suas aventuras, em textos de no máximo três páginas. Uma bela introdução para crianças!

Divinas aventuras, de Heloísa Prieto. Companhia das Letrinhas, 2000.

Favor reparar na etiqueta de Pokémon.

Favor reparar na etiqueta de Pokémon.

Salve-se quem puder (coleção)

Esta coleção, que eu encontrei na biblioteca da escola e devorei inteira ao longo da 5ª série, traz histórias de aventura de autores estrangeiros. Bastante interessantes, elas se passam em cenários bem variados, com personagens de nomes engraçadinhos (como agente Ésse Creto e Sir K.Peta) e um diferencial que me cativou: a cada dupla de páginas, o leitor precisava ajudar o protagonista a prosseguir para a próxima parte da história, resolvendo um um labirinto, decifrando uma mensagem secreta ou um enigma etc. À moda de revistas de cruzadinha, todas as respostas estavam na última página. Era uma delícia sentir que eu estava interagindo com os livros e ainda lendo uma aventura bem divertida. As histórias são independentes e podem ser lidas em qualquer ordem; o meu volume favorito era O castelo da intriga, de Paul Stewart, no qual a protagonista era misteriosamente transportada para a Idade Média.

Site com todos os livros da coleção

Harry Potter

Um dia, em 2001, peguei emprestado o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, sem fazer ideia do tema, nem que era um best-seller que ganharia uma adaptação no cinema naquele mesmo ano. Mas desde o primeiro capítulo me apaixonei por cada detalhe e por cada personagem daquela história. Como aconteceu com milhares de outros leitores, Harry Potter me acompanhou ao longo de toda a adolescência e me trouxe muitas experiências novas no mundo literário: o envolvimento profundo com as personagens, a empolgação de acompanhar uma série, a ansiedade de aguardar o próximo lançamento e toda a emoção de ver a história adaptada para o cinema. E, é claro, foi o primeiro fandom de que participei ativamente, ao longo de muitos anos. Por isso, esses livros não poderiam deixar de encerrar a minha lista!

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J.K.Rowling. Rocco, 2000. 224 p.

Acho que isso exemplifica o quanto eu gostei.

Acho que isso exemplifica o quanto eu gostei.

*

Isa

O sítio do Picapau Amarelo

isa4Minha introdução a Monteiro Lobato foi minha introdução à leitura: esses foram os primeiros livros que li (e reli) sozinha, em edições da década de 1950 que eram da infância da minha mãe. Tínhamos a coleção completa, e li quase todos – até o desatualizado Emília no país da gramática! –, mas meus preferidos eram As reinações de Narizinho (o primeiro da série) e Os doze trabalhos de Hércules – que é, possivelmente, a origem do meu amor por livros de fantasia e pela mitologia grega.

Os livros de Lobato estiveram envolvidos em polêmicas nos últimos anos devido a conteúdos racistas, mas acredito (neste caso, como em todos os outros) que a melhor política é reconhecer os preconceitos do passado em vez de fingir que nunca existiram, e admirar as obras pelo que têm de bom. As personagens de Lobato são encantadoras e a sobrevivência de seu universo até hoje, de formas diversas, é prova do talento do autor em escrever para crianças. E, como as melhores obras infantojuvenis, podem ser apreciadas por leitores de todas as idades.

Edição atual:

Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Biblioteca Azul, 2014. 376 p.

 Artemis Fowl

isa1Que fique registrado que a Bárbara queria inserir Artemis Fowl na lista dela, mas eu não deixei. Isso porque essa série de 8 livros foi pra mim o que Harry Potter é pra muita gente; passei uma década lendo esses livros e chorei copiosamente quando o último saiu ano passado.

O protagonista é Artemis, um garoto gênio do crime, que no primeiro livro tem apenas 11 anos. Ele descobre que existe um mundo de fadas no subterrâneo da Terra – e, com sua enorme inteligência, consegue raptar uma fada, a fenomenal Holly Short, dando início a uma história de confronto entre humanos e os Elementos de Baixo.

O desenvolvimento de Artemis ao longo da série é simplesmente maravilhoso; de um garoto solitário, frio e até cruel, ele faz amigos, aprende a ter compaixão e se sacrifica por aqueles que passou a amar. Além disso, o humor dos livros é delicioso, as personagens secundárias são ótimas e a trama, em geral, é bem construída e tem um ritmo acelerado – é fácil ler um livro de uma sentada só.

Uma das coisas de que mais gosto no autor (o qual, aliás, tive o prazer de ver em uma Bienal em São Paulo) é que ele nunca subestima o leitor: não acredita em usar palavras simples para escrever pra crianças. Meu livro preferido é o segundo – que certamente é o livro que mais reli na vida. Colfer pisa na bola um pouco no sétimo, mas o último compensou com um final digno da série. Recomendo a leitores de todas as idades.

Volume 1:

Artemis Fowl: o menino prodígio do crime, de Eoin Colfer. Record, 2001. 288 p.

Os Karas

Esses cinco livros de Pedro Bandeira foram uma das poucas leituras para a escola que eu amei. Os Karas são um grupo de cinco adolescentes de um colégio de São Paulo que desvendam tramas macabras: desde a criação de uma droga da obediência até o ressurgimento do nazismo e o sequestro da filha do presidente americano. Como é costume em livros infantojuvenis, os adolescentes se viram sozinhos para desvendar os mistérios e salvar o dia. Na verdade, o grupo, com seus integrantes com talentos específicos que se unem para realizar uma missão, lembra um pouco a velha fórmula de filmes de assalto, estilo 11 homens e um segredo.

E, como esses filmes, a coleção é cheia de aventura e suspense e uma delícia de ler, especialmente para crianças e adolescentes, que com certeza vão desejar fazer parte do grupinho. Pedro Bandeira propõe ideias bem interessantes nesses livros, mas o leitor nunca sente que está aprendendo uma lição, mesmo quando ele trata, por exemplo, da destruição do meio ambiente. São uma excelente e divertida introdução à leitura, ao contrário de muitas leituras obrigatórias hoje nas escolas…

Edição atual:

Droga da Obediência, de Pedro Bandeira. Moderna, 2009. 192 p.

Alex Rider

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Outra série estrangeira infantojuvenil, um tanto reminiscente d’Os Karas, que um amigo me emprestou. A premissa é basicamente um James Bond adolescente. Após a morte do seu guardião, Alex é recrutado para o MI6 (sabe, o tipo de coisa que sempre acontece com garotos de 14 anos) e enviado para diversas investigações. A série já tem dez livros, mas só li até o quinto. Pra falar a verdade, não os releria hoje, mas são cheios de ação e suspense e à época me divertiram imensamente.

Volume 1:

Operação Stormbreaker – Alex Rider contra o tempo, de Anthony Horowitz. Fundamento, 2013. 160 p.

Júlio Verne

isa3O primeiro livro dele que peguei foi A volta ao mundo em 80 dias, uma edição de bolso encontrada por acaso numa livraria. Depois, me voltei para outros clássicos: 20 mil léguas submarinas; Viagem ao centro da Terra; Cinco semanas em um balão… eu os pegava na biblioteca municipal ou comprava edições antigas em sebos.

Júlio Verne, pra quem não sabe, foi um dos precursores da ficção científica e um dos maiores escritores de aventura de todos os tempos – escreveu mais de cem livros, a maioria falando de lugares nos quais nunca esteve (como a Lua – ou a Amazônia). Muitos de seus livros são adaptados até hoje para o cinema ou viram edições simplificadas para o público infantil – ao ponto que é difícil, às vezes, encontrar os originais (mais fácil vasculhar uns sebos!). São livros deliciosos, exemplos da grande literatura de exploração e aventura, embora alguns cheguem a ser complexos devido às pesquisas infindáveis de Verne em diversos campos do conhecimento.

Algumas edições atuais:

A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne. L&PM, 2012, e-book.

20 mil léguas submarinas, de Jules Verne. Zahar, 2011. 456 p.

*

E você, o que gostava de ler durante a infância? De quais livros infantis gosta até hoje? Conta pra gente!

2 respostas em “[Lista] Livros da nossa infância

  1. Nossa, não pude deixar de lembrar de dois livros de infância que ainda tenho! Um é Cavalgando o Arco Íris, leitura da 2ª série, um livro lindinho, com ilustrações tão fofas que não consegui me desfazer dele quando vendi algumas coisas para o sebo. Tinha 8 anos e ele ainda está comigo.

    O outro é Sete Gritos de Terror, que li umas quinhentas vezes, tá todo desbeiçado, foi molhado, sentado, dobrado e a brochura quase se soltou, mas ainda está aqui, guardadinho. rs Esse eu era um pouquinho mais velha, uns 12 anos, mas lembro que eram contos sombrios e muito interessantes. Admito ter perdido algumas noites de sono por causa dele. rs

    Abraço! 😀

  2. Ah, eu entendi agora… Você que inspirou Sybylla para fazer a blogagem coletiva. E eu achando que estava faltando o seu link na lista de participantes.
    Se eu tivesse um autógrafo do Pedro Bandeira, naqueles idos tempos, me sentiria o máximo 😀
    A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne foi um livro que ganhei do meu tio um mês antes dele morrer e por isso ele ainda não foi para o BookCrossing Blogueiro. Mais do que a história, ele virou um objeto afetivo.
    Beijus,

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