[Resenha] Silo

Capa-SiloSinopse:

Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras. Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo. Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

Fonte: Instrínseca

Eu me considero uma leitora lenta. À exceção de infantis e algumas HQs, ler um livro em uma sentada só não é algo que eu faça com frequência. Então, acho que o fato de que devorei em 15 dias as 500 páginas de Silo já diz bastante sobre esse livro.

Nesta ficção científica do estreiante Hugh Howey, que é o primeiro volume de uma trilogia, um silo de 144 andares confina toda uma sociedade que não pode sair para a atmosfera tóxica do mundo lá fora. E é para fora que são mandados aqueles que cometem o maior crime que pode haver de acordo com as leis do silo: desejar sair dele.

Nem é preciso ler os textos de orelha para saber que há uma grande mentira envolvendo essa sociedade – desde os primeiros capítulos, os personagens começam a investigar algo de podre na administração do silo e nas leis impostas por ela.

A protagonista da história, Juliette, demora vários capítulos para aparecer, mas sua reputação a precede: ficamos sabendo sobre ela enquanto a prefeita Jahns investiga seu passado, depois que Juliette é indicada para um cargo de importância. Essa demora em apresentá-la é só um dos recursos do autor para manter o leitor curioso desde o começo. Tensão é o que não falta, e sempre muito bem trabalhada. A todo momento a vida de alguém está em jogo, e os personagens precisam decidir entre investigar a verdade e manter a própria segurança. Há também cenas de terror, que são bem escritas e de tirar o fôlego – quase literalmente, pois uma mesma personagem quase morre sufocada em dois momentos diferentes!

Em termos de tecnologia, o silo não é futurista: não há nenhuma máquina que não possa ser produzida com a tecnologia atual. Aliás, em alguns aspectos, eles chegam a ser bastante atrasados – o acesso a outros andares é feito sempre por uma gigantesca escadaria, o que é estranho, uma vez que a energia do silo é gerada pelo trabalho dos próprios habitantes, e acredito que seria plausível a presença de alguns elevadores. Mas a estrutura do lugar é bem explicada e, mesmo as partes mais técnicas, como algumas cenas em que Juliette conserta aparelhagens, têm uma descrição detalhada.

Juliette é uma personagem forte e inteligente. Durona, tem conhecimentos extensivos sobre mecânica, que é a sua especialidade desde jovem, e que a ajudam muito ao longo da trama. E não é à toa que ela foi nomeada em homenagem à personagem de Shakespeare –seus relacionamentos amorosos são sempre proibidos e lhe trazem complicações imensas. Mas Jules é perseverante e otimista, a heroína perfeita, e não abre mão de seus ideais, nem de seu amor.

Aliás, Howey é bastante maniqueísta na construção dos personagens, o que os torna um tanto previsíveis. Há os colegas de Jules, da mecânica, que são unidos como uma família, além de muito corajosos e com sede por justiça. O vilão e chefe da TI, Bernard, é um sujeito fisicamente parecido com o Pinguim (do Batman), não tem escrúpulos e acredita fortemente que os fins justificam suas ações. Poucos personagens ficam em conflito, sem saber qual lado escolher, mas essa dúvida é sempre breve e eles se decidem relativamente rápido.

Isso, porém, não desmerece a obra. Howey desenvolve muito bem sua trama, que não tem grandes furos, revelando segredos aos pouquinhos, de forma que o leitor pode tentar juntar as peças e deduzir por si só algumas das verdades que são desconhecidas para os personagens. Pois outra característica interessante da obra é que somos convidados a uma total imersão no universo dessa sociedade. Através de narrativas em terceira pessoa com pontos de vista alternados, Howey nos apresenta esse cenário exatamente como os personagens o veem: eles não imaginam que um dia alguém possa ter vivido fora do silo, ou quais as proporções do planeta que habitam. Alguns chegam a crer que aquele tubo subterrâneo foi uma criação divina, e que é o único hábitat imaginável para os seres humanos. Eles não conhecem o passado nem têm perspectiva de futuro.

Silo tem uma temática muito interessante e Howey soube desenvolver uma ótima história com ela. Agora que terminei, estou jogando o game Fallout 3 – que tem se passa num universo semelhante e que também recomendo para aliviar um pouco a espera pelos próximos volumes da série, que com certeza acompanharei.

*

Silo
Autor: Hugh Howey
Tradutor: Edmundo Barreiros
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2014
512 páginas

Livro cedido em parceria com a Intrínseca.

SELO BLOG

9 respostas em “[Resenha] Silo

  1. “Alguns chegam a crer que aquele tubo subterrâneo foi uma criação divina, e que é o único hábitat imaginável para os seres humanos.”

    Haha parece muito legal! vontade de ler 😀

  2. Ótima resenha! Silo é um livro que não dá pra largar, a sensação é tão real, as personagens são grandiosamente construídas que ao pausar a leitura você só pensará no que pode estar acontecendo aquelas vidas submersas num mundo triste, sem esperanças e corrupto. Estou ansioso para ler os outros dois livros!

    • Também estou muito ansiosa para a continuação, que parece que vai sair este semestre. E acabei de descobrir que o autor tem outro livro que parece bem legal, chamado “Half Way Home”. 😀
      Obrigada pelo comentário!

  3. Não me interessei pelo livro quando foi lançado, mas agora já acrescentei na lista de leituras de 2015 (ainda mais por estar à procura de outra ficção para curar a ressaca causada por Maze Runner). Essa frase foi a melhor: “Alguns chegam a crer que aquele tubo subterrâneo foi uma criação divina, e que é o único habitat imaginável para os seres humanos.”
    Único problema dele é ser trilogia. Tô cansada de séries!

    • Brenda, também fiquei um pouco de pé atrás quando vi que era uma trilogia, mas valeu muito a pena e agora estou ansiosa pela continuação. Mas tô com a mesma ressalva em relação a Maze Runner!

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