[Com Pipoca] 7 adaptações que amamos – e 2 que odiamos

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Gosta de cinema? Quando um livro que você ama ganha uma adaptação, você vai ver o filme? Há quem prefira não se arriscar, para evitar decepções. Mas a verdade é que existem muitas adaptações boas por aí, inclusive filmes que você nem sabia que vieram de livros.

A partir de hoje, esta nova seção do Sem Serifa vai trazer resenhas de livros que deram origem a grandes filmes.

E, para começar, preparamos uma lista das nossas adaptações de livros favoritas – e algumas que detestamos.

 

Isa amou:

filme1O sol é para todos (1962)

O livro é o famoso To kill a mockingbird, o único da autora Harper Lee. A história, narrada em primeira pessoa por uma menina, trata de um assunto nada infantil: uma acusação (falsa) contra um negro por ter estuprado de uma jovem branca. O pai da menina, Atticus Finch, é o advogado que tenta defender o moço, mas tem que enfrentar o racismo na cidade do Alabama onde se passa a história. O filme, embora perca a narrativa singela de Lee, também é fenomenal, e Gregory Peck está perfeito como Atticus Finch, tendo inclusive ganhado o Oscar pelo papel.

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O poderoso chefão (1972)

Muito raramente, aparece um filme que não só é digno do livro em que se inspirou, mas chega a superá-lo. Este é um deles. Embora o livro seja muito bom, tem uma subtrama em particular que é totalmente absurda e foi (com toda a razão) cortada do filme. Fica apenas o melhor da história sobre a família mafiosa dos Corleone, com atores de primeiríssima linha.

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O senhor dos anéis (2001-2003)

Como não mencionar? Peter Jackson, apesar de alguns deslizes, acertou muito na adaptação, e o elenco ajudou. Filmagens lindas em cenários épicos, efeitos especiais inovadores para a época (e que ainda hoje são bons!) e uma trilha sonora magnífica. Para ter uma ideia de como as coisas podiam ter dado errado em termos de roteiro, pensem nas adaptações de Harry Potter... ou de O Hobbit.

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Orgulho e preconceito (2005)

Embora a minissérie de 1995 seja geralmente considerada “a” adaptação, em termos de fidelidade (e Colin Firth), o filme de 2005 é a versão que mais vi e revi. Acho Keira Knightley e Rosamund Pike perfeitas como Elizabeth e Jane Bennet, e o elenco ainda conta com Donald Sutherland como o sr. Bennet e Judi Dench como a chatíssima Lady Catherine de Bourg. Matthew Mcfayden, embora muito diferente de Firth, também ficou ótimo como o sr. Darcy. Os elos fracos foram o sr. Wickham, nem de perto charmoso o suficiente, e o pobre sr. Bingley, que ficou “pateta” demais. Mas a fotografia é linda, a música é maravilhosa, o humor captura o espírito do livro e o romance é apaixonante. O que dizer da cena em que Darcy ajuda Lizzie a subir na carruagem? As mina pira num romance regencial.

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Jane Eyre (2011)

Outra adaptação que eu não podia deixar de fora, e cuja maior força são os protagonistas – Michael Fassbender, sempre ótimo (embora um pouco bonito demais) como o sr. Rochester, e Mia Wasikowska, excelente como Jane, com a quantidade certa de timidez e intrepidez, coragem e temor. O cenário também é lindo e o roteiro conseguiu manter vários diálogos do livro, sem ficar estranho.

Isa odiou:

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Troia (2004)

O filme em si já é ruim – uma música insuportavelmente épica e dramática ao longo das longuíssimas 2 horas e meia, além de diálogos e cenas de amor clichê. Mas, enquanto adaptação da Ilíada, é de chorar. Primeiro, se ignora que a guerra durou 10 anos – simplesmente o ponto central desse épico, que é a pedra basilar da cultura ocidental. Então temos o fato de Pátroclo ter sido transformado num primo mais novo de Aquiles (quê?) e de Briseida e Aquiles terem um casinho de amor (porque seria uma pena não aproveitar o Brad Pitt), de modo que toda a raiva de Aquiles após a morte de Pátroclo parecer um tanto exagerada. Além de pérolas como Heitor casualmente matando Menelau, e os momentos em que Aquiles corta a cabeça de uma estátua do deus Apolo e Heitor pergunta a outro nobre se eles vão fazer os planos de guerra baseados em sinais dos deuses (uma questão estranhíssima, considerando que os deuses andam entre os homens e influenciam seus destinos… ou pelo menos fazem isso em Homero; no filme só vemos Tétis, mãe de Aquiles, que aparece catando conchinhas na praia). A única coisa que salva é Sean Bean como Ulisses.

Bárbara amou:

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Laranja mecânica (1971)

Este é um caso raro em que, quando me perguntam se prefiro o filme ou o livro, não sei o que responder. O diretor Stanley Kubrick fez um trabalho incrível, que dialoga com a obra de Anthony Burgess e a completa. Seu filme cria toda uma estética para a história de Alex DeLarge, que vai desde os figurinos da gangue juvenil até as decorações estranhíssimas do seu mundo futurista. A linguagem desenvolvida por Burgess foi mantida, assim como toda a violência da história (o que gerou muita polêmica), mas sem perder o foco nas principais questões da obra: os limites do livre arbítrio na escolha entre o bem e o mal e a perda de humanidade causada pela falta desse livre arbítrio. Para mim, é o exemplo mais bem sucedido de adaptação cinematográfica, e tem o bônus de alterar o final do livro – do qual nem o autor gostava!

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As vantagens de ser invisível (2012)

Esta adaptação não tinha muito como dar errado, uma vez que o diretor, Stephen Chbosky, é também o autor do livro. Mas a verdade é que deu certo até demais. Os atores conseguem passar toda a sensibilidade dos personagens, sendo charmosos sem perder os ares de adolescentes desajustados. Quase nenhum aspecto da história foi deixado de lado na escrita do roteiro, e ainda temos o bônus de escutar, na trilha sonora, todas as músicas que Charlie amava – inclusive uma cujo nome, no livro, o menino nunca descobria.

Bárbara odiou:

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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004)

Muita gente gosta desse filme, mas na minha opinião foi o pior de todos. Sei que o diretor Alfonso Cuarón tem seus méritos, principalmente por ter dado à produção um tom mais sombrio, que foi mantido nos filmes seguintes. Mas, embora eu não seja muito puritana com adaptações, devo dizer que esse filme destrói a história do livro. Não vou nem comentar o novo Dumbledore, que foi transformado num velho hippie inquieto e instável. Questões importantíssimas para a trama (como a história dos Marotos) foram deixadas de lado, e muitas cenas ficaram sem explicação: quem são essas pessoas que fizeram um mapa? Por que o rato do Rony vira um homem, e qual era a relação desse homem com o pai de Harry? E, o mais importante: por que Harry viu um cervo brilhante na beira do lago? Para quem não leu o livro, esses foram elementos simplesmente jogados, sem qualquer ligação com a história principal. E quem leu com certeza sentiu falta de mais atenção a questões relevantes e menos bobeirinhas.

E você, quais são as suas adaptações favoritas? E quais te deixaram com vontade de esfregar o livro na cara do roteirista?

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10 respostas em “[Com Pipoca] 7 adaptações que amamos – e 2 que odiamos

  1. Stardust, gente. Passou a se chamar “Stardust: o mistério da estrela”.
    Se referiam ao livro como “um conto de fadas para adultos”. O ~slogan~ do filme era “um conto de fadas malcomportado” IMAGINA ENTÃO O RESTO.

    Sério, bate todas as adaptações porquíssimas que eu já assisti.

  2. “Orgulho e Preconceito” é uma adaptação maravilhosa. Não me canso de assistir.
    Para mim, Harry Potter não funciona como filme (ou melhor, HP livros e HP filmes são coisas muito distintas). Gosto de manter uma regra como fã da série: só discuto Harry Potter com quem já leu os livros! Hahaha E apesar de concordar com a Bárbara que a melhor parte da história de Prisioneiro de Azkaban (meu livro preferido entre os sete) foi simplesmente excluída do filme e muita (mas muita mesmo) coisa ficou sem resposta, acho que ainda gosto desta adaptação mais do que do resto da série. Talvez exatamente pelo ar mais sombrio. O que mais me irrita, dentre tantas outras coisas, em todos os filmes é o final de Cálice de Fogo. O Cedrico morreu, Voldemort acaba de voltar e ninguém acredita no Harry, e, mesmo assim, o filme tem um final todo feliz! Como assim, gente?

    Eu cheguei a escrever sobre algumas adaptações no SLET, não sei se vocês chegaram a ver. 😉
    http://sobrelivrosetraducoes.wordpress.com/2014/06/24/sobre-livros-e-suas-adaptacoes-a-culpa-e-das-estrelas-e-varias-outras/

    Beijo, meninas!

    • Brenda, eu nunca sequer tentei discutir Harry Potter com quem não leu os livros! No máximo, explico a história caso a pessoa esteja muito interessada (e confusa com os filmes, o que costuma acontecer).
      O Cálice de Fogo é bem ruinzinho também, com as cenas simplesmente jogadas, mas eu detestei tanto o Prisioneiro de Azkaban que pra mim nada seria pior, haha.
      Não tinha visto esse post seu, não, vou dar uma olhada. 🙂

    • Também gosto muito das adaptações de Jogos Vorazes, são perfeitas. E ainda têm a vantagem de que mostram algumas coisas que a Katniss não via, por exemplo como era feita a arena.

    • Gosto muito do filme O Iluminado, mas ainda não li – aliás, ainda não li nada do autor, mas pretendo.
      Que bom que gostou do post, obrigada pela visita! 🙂

  3. Olá, meninas!

    Adorei o post! AMO, AMO E AMO Orgulho e Preconceito! Essa adaptação é maravilhosa em todos os sentidos!
    E gosto mais do filme de As vantagens de ser invisível do que gostei do livro! Esperei muuito mais da leitura. 😡

    Adorei o blog!
    Beijos!

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