[Resenha] O espelho do tempo

42272284Sinopse:

Jake Wilde é um corajoso adolescente que quer, a todo custo, encontrar a verdade por trás do desaparecimento do pai. Em sua busca por respostas, ele descobre qual era o projeto em que o pai estava envolvido: um espelho da mais pura obsidiana, capaz de romper as dimensões do espaço-tempo.

Fonte: Intrínseca

Escrever sobre esse livro é uma tarefa difícil, pois corro o risco de falar demais e estragar as suas muitas surpresas. Ao longo de 300 páginas, não paramos um segundo pra respirar: é um mistério atrás de outro e uma revelação seguida de outra, e muito ainda fica a ser resolvido em livros posteriores da série. Dar spoilers em uma resenha dessa trama intricada seria um desserviço ao leitor. Aliás, aconselho aqueles que gostam de surpresas que não leiam nem as orelhas do livro, que já contam um ponto chave da trama.

São vários os personagens: Jake Wilde, um garoto determinado a confrontar o padrinho, Oberon Venn, que ele acredita ter matado seu pai; o professor Wharton, que acompanha Jake de um colégio particular até a casa de Venn; Sarah, uma garota de origens desconhecidas que aparece fugindo de personagens misteriosos; Piers, funcionário de Venn cujo passado e conexões com o patrão são meio nebulosos; Gideão, um garoto ─ adivinha! ─ também misterioso que vive na propriedade de Venn; e Rebecca, uma garota que encontra Jake e Wharton no início do livro e reaparece mais tarde. A narração, em terceira pessoa, acompanha Jake e Sarah a maior parte do tempo, pulando para os outros quando necessário.

Jake logo descobre que o pai, antes de desaparecer da casa de Venn, estava trabalhando com este em um objeto chamado Cronóptico: um espelho de obsidiana que pode alterar as dimensões do espaço-tempo. Mas a trama vai além da viagem no tempo (como se já não fosse o bastante!), envolvendo também um mundo “encantado” de seres chamados shee, que consegue ser a parte mais assustadora do livro, superando até o Replicante que está atrás de Sarah. (O que é um Replicante? Também é melhor não dizer.)

O que posso dizer, sem estragar a experiência de ir lendo o livro e descobrindo o mundo e as conexões entre pessoas, tempos e lugares, é que o ritmo e a estrutura da narrativa são muito bem elaborados. A autora consegue manter a tensão e revelar as coisas aos poucos, de modo que o leitor não fica só com um monte de perguntas na cabeça, mas sim curioso e instigado a continuar a leitura. A curva de aprendizagem é bastante íngreme: as partes de Sarah, personagem desde o início envolvida profundamente em toda a confusão do Cronóptico, deixam o leitor um pouco confuso. Para compensar, porém, Jake não sabe nada no começo da obra e o leitor vai descobrindo as coisas junto com ele. É um equilíbrio que funciona bem, excelente para desvendar uma história tão complexa.

Na verdade, a trama sobrepuja um pouco os personagens. Não porque são muitos (achei que a autora também soube lidar bem com um grupo grande), mas porque os eventos se sucedem tão rapidamente que nem temos tempo de conhecer essas pessoas a fundo – elas parecem existir a serviço do Cronóptico. Jake, Venn e Sarah são tão obcecados com ele e com seus próprios objetivos que, apesar de alguns momentos de compaixão e sensibilidade, na maior parte do tempo são bastante implacáveis. No entanto, mesmo que às vezes não gostemos deles, é impossível não se envolver com personagens tão determinados, que vão atrás de fazer as coisas acontecerem.

Tenho duas críticas ao livro: a primeira é justamente o ritmo incessante, que chega a ser um pouco cansativo e não nos dá muitos momentos de introspecção com os personagens. Claro que é legal quando você não consegue parar de virar as páginas, mas trezentas são um pouco demais! A segunda é sobre a suspensão da descrença, que ficou um pouco prejudicada por certas reações dos personagens. Jake aceita todas aquelas circunstâncias absurdas rápido demais, e mesmo Wharton, que é o mais cético do grupo, não tem grandes crises ao descobrir sobre o espelho mágico que leva as pessoas ao passado. Sem contar um evento que ocorre num aeroporto, que é mais inacreditável que viagem no tempo…

No entanto, pra quem gosta de fantasias elaboradas, é uma ótima pedida: fiquei morrendo de vontade de ler os próximos e saber mais sobre esse mundo e como os personagens vão se relacionar daqui para a frente – e a editora ainda colocou um trechinho da continuação no final, pra aguçar ainda mais a curiosidade do leitor!

*

O espelho do tempo
Autora: Catherine Fisher
Tradutora: Flávia Assis
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2014
300 páginas

Livro cedido em parceria com a Intrínseca.

SELO BLOG

6 respostas em “[Resenha] O espelho do tempo

  1. Oie!
    Essa foi a primeira resenha que li desse livro e fiquei super empolgada para conhecer a obra. (Mas estou com medo de pesquisar mais sobre ela e acabar encontrando algum spoiler T_T). Adoro quando o livro nos prende e não descansamos até terminar de lê-lo. E essa história parece bem diferente e contagiante, não sei ao certo explicar a sensação que você me passou. Se tiver uma oportunidade, irei ler!

    Beijinhos,
    Blog Procurei em Sonhos

O que achou deste post?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s