[Resenha] Assassin’s Creed: A Cruzada Secreta

cruzadaSinopse:

Nicollò Pollo, pai do explorador Marco, finalmente revela a história que manteve em segredo durante toda a vida – a história de Altair, um dos primeiros assassinos do Credo. É o curso da aventura de Altair em Constantinopla que irá selar o destino dos Templários e de sua saga na Europa.

Fonte: Livraria Cultura

O terceiro livro da série narra a história de vida de Altaïr, Mestre da Ordem dos Assassinos, contada por Niccolò Polo (pai do Marco!), que ouviu o relato da boca do próprio Mestre. A trama se passa no século XIII, durante as Cruzadas, em cidades como Masyaf, Jerusalém e Acre. Altaïr – que tem um passado trágico (é claro!) – comete um erro fatal em uma missão e é obrigado pelo Mestre, al-Mualim, a assassinar nove homens que estão arriscando a paz da região. Essa busca ocupa boa parte do livro, mas tudo muda quando Altaïr mata o último alvo. A partir de então, ele parte em outra missão, da qual depende a própria Ordem dos Assassinos.

Altaïr começa o livro sendo deliciosamente babaca (sua resposta a “Por que matou esse homem?” é “Porque ele podia”), e vai aprendendo com os erros e suas consequências até se tornar sábio e misericordioso – ou quase. Quer dizer, supostamente ele se torna misericordioso, mas em vários momentos do livro ainda o vemos matar pessoas sem necessidade. Parece que ninguém, nos livros dessa série, ouviu falar em “incapacitar o inimigo”.

Acho que isso se deve à inspiração no game, e é o que mais me incomoda nessas obras. Estratégias ou truques do jogo não fazem sentido nenhum num livro e, o que é pior, fazem o leitor lembrar-se do que inspirou o livro, tirando-o completamente da história e acabando com qualquer suspensão de descrença. Por exemplo: por que raios um inimigo de Altaïr, com seis guardas à disposição, mandaria dois de cada vez atacar o protagonista, dando-lhe a chance de dominá-los?

Os personagens são interessantes – incoerências à parte, Altaïr tem uma jornada cheia de dificuldades e sofrimentos, e você fica com vontade de saber mais sobre Malik. Mas o destaque do livro é a incrível Maria, uma inglesa que fugiu do casamento para se vestir de soldado e se juntar às Cruzadas, e a qual, sem dúvida, mereceria um livro só dela. O relacionamento de Maria e Altaïr é bem divertido, mas a escrita privilegia a trama sobre os personagens.

A história oferece algumas surpresas – mesmo que a resolução do mistério da primeira parte seja óbvia –, alguns momentos engraçados e uma tragédia grega (se você conhece a história, sabe do que estou falando!). Novamente, fiquei desejando uma revisão mais cuidadosa por parte da editora. Gosto muito da trama, dos personagens e do cenário dessas obras, mas erros de português mais uma narrativa superficial, que não me permitiu imergir na história, me cansaram. Provavelmente não lerei os outros livros da série, embora a frase final deste tenha me deixado tentada.

*

Assassin’s Creed: A Cruzada Secreta
Autor: Oliver Bowden
Tradutor: Domingos Demasi
Editora: Record
Ano de publicação: 2012
336 páginas

 

Citações preferidas

Do lado de fora das muralhas da cidadela, os sarracenos partiram, deixando para trás o corpo decapitado do pai de Altaïr para ser recuperado pelos Assassinos. Deixando feridas que nunca iriam cicatrizar.

*

– Há uma diferença, Altaïr, entre a verdade que nos é dita e a verdade que vemos. A maioria dos homens não se importa em fazer a distinção. É mais simples desse modo. Mas, como um Assassino, é de sua natureza notar. Questionar.

*

– Dediquei meu coração a conhecer a sabedoria, e a conhecer a loucura e a insensatez. Percebi que isso também era correr atrás do vento. Pois em muita sabedoria há muita dor, e aquele que aumenta o conhecimento aumenta a dor.

4 respostas em “[Resenha] Assassin’s Creed: A Cruzada Secreta

  1. Pingback: [Especial] Minhas leituras de 2014 + Planos pra 2015 | Sem Serifa

  2. Puxa, que pena não estarem mais interessados em resenhar os próximos. O único livro da série que eu li foi o Unitye eu bem que quis saber da opinião da equipe sobre ele. Não tenho parâmetro de comparação para saber se melhorou do ponto de vista da profundidade da narrativa e da revisão, mas já vi livros piores nesses aspectos (melhores também, mas, enfim…).

    • Oi, Carol! Então, li esses três porque comprei o box, mas realmente não vou continuar a série – tem coisa demais me esperando na minha pilha de livros não lidos, haha. Mas espero que tenha gostado dessas resenhas, e obrigada pela visita! 😀

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