[Resenha + Vídeo] Perdido em Marte

perdido-em-marteSinopse:

Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico – e um senso de humor inabalável -, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência.

Fonte: Livraria Cultura

Para ler a resenha em texto, clique abaixo em “Continuar lendo”.

Não tem muito o que explicar sobre a sinopse deste livro: depois de um problema com uma missão em Marte, um grupo de astronautas tem que deixar o planeta – mas acontece um acidente e Mark Watney é deixado para trás, considerado morto. A obra conta como ele sobrevive 500+ dias (marcianos) sozinho no planeta.

O livro começa com os diários de Watney em Marte. Otimista e resiliente ao extremo, desde o primeiro dia de seu “abandono” o astronauta começa a traçar estratégias para sobreviver até ser resgatado – nada de “mimimi agora vou morrer”. E essas estratégias envolvem basicamente fazer vários cálculos e fórmulas químicas para bolar mil gambiarras com o material que está à disposição (ferramentas, sistemas de suporte de vida, veículos espaciais, barracas e outros itens que haviam sido levados para sua missão, agora cancelada). Watney explica cada uma de suas gambiarras (e os resultados delas) muito detalhadamente desde o primeiro capítulo, expondo o leitor a um monte de cálculos bem precisos. Por esse motivo, a minha primeira impressão foi de que o título deste livro poderia muito bem ser “Por que ninguém te manda pra Marte”. Afinal, sou de humanas e, no lugar de Mark, escreveria um poema e choraria até meu oxigênio acabar ou minha cabine despressurizar.

Por falar em oxigênio e pressão, outro bom título para o livro seria “1001 maneiras de se ferrar em Marte”. Apesar da genialidade de Watney e de seus cálculos quase sempre certos, o planeta e as leis da física e da química parecem determinados a matar o personagem. Vários de seus planos dão certo, mas, quando não dão, a coisa fica feia. Isso gera alguns momentos de tensão e ansiedade no livro, o que é bom, porque tantas contas e explicações científicas deixam o texto muito cansativo. Eu segui com a leitura até o final porque me interesso muito por astronautas e viagens espaciais (inclusive dou o braço a torcer e sei que elas são mesmo tediosas e cheias de cálculos) e porque, de forma geral, as aventuras do protagonista eram mesmo impressionantes (fiz até um gif biográfico com spoilers resumindo os feitos dele).Mas esperava um livro mais dinâmico e humano. A profundidade dos personagens é zero, apesar de o autor mostrar, em uma cena ou outra, um pouco da vida pessoal dos colegas de Watney.

O que alivia um pouco a leitura (além do fato de que o espaço é naturalmente fascinante) é o bom humor do protagonista. Ao longo da narrativa, ele está o tempo todo fazendo piadinhas, tanto em seu diário de bordo como em suas mensagens para a Nasa – o que é bastante ousado, considerando que sua sobrevivência depende da esparsa e falha comunicação com a Terra. Em mais de um momento, ri alto e repeti para meus amigos alguns trechos em que Watney quebra a seriedade da situação, falando sobre os programas de TV que assiste no tempo livre (sua comandante deixou pra trás um pendrive cheio deles) ou dando nomes engraçadinhos para as coisas e acontecimentos à sua volta (“Primeira Migração Marciana de Batatas”, por exemplo).

No geral, foi uma boa leitura, embora eu tenha muitas ressalvas em relação à quantidade de detalhes técnicos. Recomendo apenas para quem gosta muito de ficção científica com explicações extensas e complicadas – se você é de humanas como eu e quer apenas se divertir como uma boa história, recomendo que vá direto ao cinema assistir à adaptação, que estreia dia 1º de outubro.

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Perdido em Marte
Autor: Andy Weir
Tradutor: Marcello Lino
Editora: Arqueiro
Ano desta edição: 2014
336 páginas

Citações favoritas

Segundo os meus cálculos, estou a 100 quilômetros da Pathfinder. Tecnicamente, trata-se da “Estação Memorial Carl Sagan”. Mas, com todo o respeito em relação a Carl, posso chamá-la como eu quiser. Sou o Rei de Marte.

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É uma sensação estranha. A todos os lugares que vou, sou o primeiro. Sair do veículo espacial? Sou o primeiro homem a pisar ali! Subir uma colina? Sou o primeiro a escalá-la!Chutar uma pedra? Aquela pedra não se mexia havia um milhão de anos!

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Acabei de assistir a um episódio no qual Steve Austin luta com uma sonda venusiana russa que pousou na Terra por engano. Como especialista em viagens interplanetárias, posso dizer que não há nenhuma imprecisão técnica na história. É bastante comum sondas pousarem no planeta errado. […] E, como todos nós sabemos, as sondas muitas vezes se recusam a obedecer diretrizes, optando, em vez disso, por atacar seres humanos à primeira vista.

Até agora, a Pathfinder não tentou me matar. Mas estou de olho.

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Você deve estar se perguntando o que mais eu faço no meu tempo livre. Gasto boa parte dele de preguiça, sentado, vendo TV. Mas você também faz isso, portanto não me julgue.

3 respostas em “[Resenha + Vídeo] Perdido em Marte

  1. Queria muito ter lido esse livro antes da estreia do filme, mas acho que vai ser uma missão impossível. Depois da sua resenha vou optar por assistir ao filme, pois acho que essa parte ‘chata’ de cálculos vai ser reduzida pra se enquadrar nos padrões hollywoodianos.
    ótima resenha!

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