[Resenha] A raposa sombria: uma lenda islandesa

a-raposa-sombria-uma-lenda-islandesaSinopse:

Fábula moderna temperada de suspense e humor, A raposa sombria mistura o rigoroso inverno islandês, uma raposa enigmática, um pastor que a segue num périplo de provações e transformações, um naturalista e uma jovem com Síndrome de Down salva de um naufrágio… Além de lançar em português um dos mais importantes, celebrados e premiados autores islandeses contemporâneos, Sjón (1962-), traduzido em mais de 27 línguas – incluindo, agora, o português, em tradução direta de Luciano Dutra.

Fonte: Hedra

A Islândia é um país com 300.000 habitantes, com o 13º maior IDH do mundo e um inverno escuro – alguns dias têm apenas 3 horas de luz solar! Mas o que despertou meu interesse no país foi o fato de ter a maior quantidade per capita de escritores e livros (publicados e lidos) do mundo – uma a cada dez pessoas na Islândia vai publicar pelo menos um livro ao longo da vida. Parece o paraíso dos editores. Como, infelizmente, eu não falo islandês, tive que riscar o país da minha lista de possíveis moradias, e saciei minha curiosidade lendo um autor islandês.

A raposa sombria conta duas histórias: a caçada de um pastor a uma raposa-do-ártico e a vida de Abba, uma jovem com síndrome de Down. Ambientadas em um vilarejo islandês no final do século XIX, as duas histórias se entrelaçam com naturalidade, embora a real ligação entre elas só fique clara nas últimas páginas.

A narrativa sobre Abba, contada do ponto de vista de seu protetor, Fridrik Frikjonson, mistura o passado e o presente da vida da jovem, em episódios curtos, que contam sua trajetória mas não revelam grandes detalhes da personalidade da moça. O foco maior é na relação de carinho que Fridrik tem com ela, em contraste com o resto do vilarejo, que a despreza.

Já a parte sobre a raposa é uma jornada silenciosa, em que o pastor Baldur Sombra persegue o animal pelas neves. Há um tom um tanto mágico nessa história, com cenas inusitadas e até absurdas que lembram um pouco a literatura fantástica hispano-americana.

A transição tanto entre as histórias como entre diferentes tempos é muito fluida, e a leitura corre rápido, sem que o leitor precise de grandes explicações indicando essas mudanças na narrativa. Aliás, o estilo de Sjón é bem gostoso de ler, com descrições de cenários lindos e algumas frases bastante cômicas em meio a situações tensas e até trágicas.

O livro tem um gostinho de conto de fadas (Grimm, não Andersen) e é uma leitura breve com cenário e personagens bastante exóticos para o leitor brasileiro. Recomendo!

*

A raposa sombria: uma lenda islandesa
Autor: Sjóm
Tradutor: Luciano Dutra
Editora: Hedra
Ano de publicação: 2014
102 páginas

Citação favorita:

Ela olhou para o alto, bem nos olhos dele, e sorriu, e aquele sorriso multiplicou por dois a felicidade do mundo.

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Uma resposta em “[Resenha] A raposa sombria: uma lenda islandesa

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