[Resenha] Se você me chamar eu largo tudo… mas por favor me chame

Esta resenha foi escrita pela nossa amiga e colega Sabrina Coutinho, estudante de Editoração da ECA-USP.

sevocemechamareulargotudoSinopse:

Dani se dedica a procurar crianças desaparecidas. No mesmo instante em que sua mulher faz as malas para ir embora de casa, ele recebe o telefonema de um pai desesperado lhe pedindo ajuda para encontrar seu filho. O caso o levará a Capri, onde virão à tona lembranças de sua infância e das duas pessoas que mais o marcaram: o afetuoso sr. Martín e o forte George. O reencontro com o passado levará Dani a profundas reflexões sobre sua vida, a história de amor com sua esposa e as coisas que realmente importam.

Fonte: Editora Record

Sou suspeita para falar desse livro. Isso porque ele apareceu na minha vida quando eu mais precisava dele. De verdade, me apaixonei, me apeguei e fiquei muito feliz de ver que foi publicado no Brasil (assim posso indicar mais e mais).

No inicio do ano passei um mês na Espanha para melhorar meu espanhol e, bom, eu precisava ir atrás de livros para praticar o máximo possível. Fui, então, fazer o que faço de melhor: perambular por livrarias. Sou fascinada por títulos fortes, principalmente esses que são frases completas, cheias de significado. Eis que vejo: Si tú me dices ven lo dejo todo… Pero dime ven, esse título tão sonoro, combinado com uma ilustração aquarela da maravilhosa e a indicação de que era um best-seller. Pensei: é esse!

O livro é como um conjunto de 22 crônicas, tamanha é a força dos títulos e do desenvolvimento de cada capítulo. Cada uma retrata uma fase decisiva da vida de Dani, que precisa retomar essas memórias para se encontrar. Nessas lembranças não contam apenas acontecimentos, mas também medos e angústias, muitas vezes parecidos com aqueles que nós mesmos temos. É essa identificação que gera uma cumplicidade, que dá vontade de ler de novo algumas frases, de escrevê-las em um caderninho, de tatuá-las!

Esse é um romance reflexivo, daqueles para ler com calma. Não tem grandes aventuras ou cenas ardentes, mas tem reflexões maravilhosas. O conceito mais original e bonito é ensinado a Dani por George, um homem que conhece durante uma viagem fugitiva, a bordo de um navio para Capri. George diz que, ao longo da vida, conhecemos muitas pérolas, pessoas muito especiais, mas que no curso de nossa existência precisamos encontrar nossos diamantes: “uma dessas pessoas que se fazem tão fundamentais e importantes na sua vida, que parecem criadas unicamente para você.” Ele acredita que se pode reconhecer essas pessoas pela sua energia e que a vida se encarrega de deixar os sinais para que todos encontrem esses diamantes.

Depois de ler você vai:

– Refletir sobre relacionamentos (atuais, passados, futuros);

– Refletir sobre as pessoas especiais que já passaram por sua vida, mesmo que por pouco tempo;

– Refletir sobre a necessidade de refletir.

Meu conselho: se entregue a esse livro! Encontre os pontos dele quese encaixam em sua vida, ou apenas aprecie com distanciamento. Mas tire um tempo para refletir.

Obs.: a versão que eu li foi a da Penguin Random House, publicada pela primeira vez em 2001. Ainda não tive acesso à edição brasileira (Verus Editora), mas acredito que o título perdeu muita força, considerando que o título original foi tirado de uma música muito popular espanhola.

*

Se você me chamar eu largo tudo… mas por favor me chame
Autor: Albert Espinosa
Editora: Verus
Tradutor: Marcelo Barbão
Ano de publicação: 2001
154 páginas

Trechos preferidos:

Amar só se pode conjugar no passado. Eu amei… Querer é no presente, amar é no passado.

*

O outro anel que levava era o que ela havia me dado no dia que me amou ao máximo. Sei que é difícil acreditar que eu saiba qual foi o dia exato que ela me amou até o nível mais alto.

Mas eu juro que, quando se acaba uma relação, você pode concluir qual foi esse dia. Você nota… Você pressente…

*

A felicidade não existe, Dani. Só existe ser feliz a cada dia.

*

Havia muitos anos que eu não via necessidade em viver o momento. Mas, agora mais do que nunca, isso era imprescindível, já que o momento não metraria nada de valor. Já o futuro, a passagem do tempo, tinha a chave detudo e me devolveria a mim mesmo sem nenhuma dor.

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