[Resenha] A estrela de Kazan

Esta resenha foi feita com base no e-book em inglês da Macmillan. A tradução de trechos foi feita por mim.

estrelacapaSinopse:

Em 1896, numa igreja nos Alpes, uma garotinha abandonada é encontrada por uma cozinheira e uma criada. Elas a levam pra casa, e Annika cresce com os criados da casa de três excêntricos professores vienenses. Ela é feliz, mas sonha com o dia em que sua mãe verdadeira vai encontrá-la – até que, um dia, uma desconhecida glamorosa bate na porta.

Fonte: Livraria Cultura

 

 

Encontrei Iva Ibbotson em uma lista de recomendações de literatura infantil. Nunca tinha ouvido falar da autora, mas descobri que ela tem mais de uma dúzia de livros para o público infantojuvenil, muitos conhecidos e premiados lá fora. Escolhi ler A estrela de Kazan – simplesmente porque gostei do título – mas a editora Rocco publicou várias obras dela aqui no Brasil.

Para um livro infantil, logo fiquei surpresa com o cenário “estrangeiro”: Viena, no início do século XX. A “regra” é que livros infantis devem ter cenários reconhecíveis e não propor dificuldades ao leitor, e gostei do fato de este ser um tipo de romance histórico para crianças. Pelos olhos da protagonista Annika, uma garota abandonada numa igreja quando bebê, a autora descreve a cidade e inclusive toca em questões políticas.

Mas o cerne da história é Annika, que é criada por suas empregadas, Ellie e Sigrid, que cuidam da casa de três professores, que permitem que a garota também viva ali. Annika ama suas mães adotivas – mas, como é natural, sonha em encontrar sua mãe biológica. Um dia, como nos seus sonhos mais impossíveis, uma mulher elegante chega à casa dos professores e declara-se sua mãe. Annika é levada de Viena para a Alemanha, onde fica na mansão da mãe, uma aristocrata de família tradicional. A menina tenta reprimir a saudade e se integrar à nova casa, mas as coisas não são como ela sonhara, embora ela não saiba bem por quê. O leitor vê mais claramente que a menina: obviamente a família está em decadência, e há mais coisas por trás das ações da mãe do que ela quer que a garota saiba.

Os personagens são todos um pouco excêntricos, especialmente os três professores. Os amigos de Annika, tanto os de Viena como um garoto cigano que ela conhece na Alemanha, têm cada um seu momento de destaque.

Por meio do ponto de vista inocente de Annika (em terceira pessoa, com momentos de onisciência), o livro lida com questões bastante sérias – da morte de pessoas queridas, passando por questões de classe e preconceito, até suicídio (!). Gostei especialmente da reflexão sobre o que é família – o livro opõe a mãe biológica de Annika às pessoas que a criaram, expondo a lealdade que a menina sente pela mãe e mostrando como é possível abusar dos sentimentos de uma criança. Mas o livro nunca fica pesado demais – apesar de alguns momentos de tristeza de Annika, não há dúvida de que tudo se resolverá. E sempre acho legal quando livros infantis não fogem de assuntos difíceis.

A história começa um pouco lenta – talvez porque não dê pra saber bem aonde vai até a mãe de Annika chegar – mas fica mais animada depois que a garota vai para a Alemanha. O leitor sem dúvida vai se sentir angustiado com as coisas que fazem com as crianças e a impotência delas em alguns momentos, mas é ótimo vê-las crescer e lutar contra um mundo injusto. Exceto um ou outro momento estranho na narrativa que achei meio didático demais, a história é encantadora, e eu leria outros livros da autora.

*

A estrela de Kazan
Autora: Iva Ibbotson
Tradutora: Ângela Melin
Editora: Rocco
Ano desta edição: 2008
340 páginas

 

Citações preferidas

Era uma igreja adorável – um daqueles lugares que fazem parecer que Deus está prestes a dar uma festa incrível.

*

“Prefiro ter sido encontrada aqui do que ter nascido em um hospital chato”, Annika dizia. Dentro da igreja, porém, ela sempre se sentia perplexa e contrariada. “Era eu que você estava abandonando”, ela queria dizer à mãe ausente. “Não era qualquer um – era eu.”

*

“O mundo era lindo naqueles dias, Annika. A música, as flores, o aroma dos pinheiros…”

“Ainda é”, disse Annika. “Juro, ainda é.”

2 respostas em “[Resenha] A estrela de Kazan

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