[Resenha] Armadilha do paraíso

armadilhaSinopse:

Depois de uma infância de maus tratos e abandono, o jovem Han Solo finalmente foge das garras de um grupo de contrabandistas para seguir seu sonho de se tornar um grande piloto. Mas a realidade de exploração e injustiça nem sempre é fácil de ser deixada para trás, e seu novo emprego em Ylesia, um retiro para peregrinos religiosos, revela não ser o paraíso que os sacerdotes anunciam. Han precisará de toda a sua malícia e a sua astúcia para sobreviver às armadilhas em seu caminho, sejam as de contrabandistas inescrupulosos ou as de falsos profetas e seus interesses escusos.

Fonte: Aleph

Armadilha do paraíso é o primeiro livro da trilogia Han Solo, de A. C. Crispin – que eu conhecia porque ela também é a autora de Portal do tempo, um livro de Star Trek que eu adorei (e que a Babi resenhou). Crispin tinha me impressionado por conseguir recriar a voz dos personagens muito distintamente, e repete o feito nesse livro: ler seus diálogos é como ouvir Han Solo falar. E, como eu adoro Han (alguém não?), foi uma leitura muito agradável.

Este livro é uma das Legends, ou seja, não faz parte do cânone oficial de Star Wars, mas a autora cria um passado bem interessante e verossímil para Han, então você pode muito bem ignorar que não é “verdade” e só aproveitar a leitura. O livro conta sobre a infância e o início da juventude de Han. Começamos com um jovem Han a bordo de uma nave de ladrões e contrabandistas, sendo obrigado a cometer crimes para Garris Shrike, o capitão, que ele odeia. A única pessoa a bordo da nave com quem se importa é Dewlanna, uma Wookiee (sim!). Han, um ladrão extremamente hábil desde criança, deseja escapar da vida opressora a bordo da nave. Seu plano é ir até Ylesia, um planeta que enviou um pedido por pilotos estelares; lá, pretende ganhar dinheiro suficiente para bancar sua inscrição como cadete em nada mais, nada menos que a Academia Imperial (Han, nãaaao!).

A trama do livro, supostamente, gira em torno de Ylesia, um planeta que refina substâncias ilícitas que Han deve transportar, e de seus habitantes suspeitos, os T’landa Til (parentes dos Hutts), que mantêm uma população de peregrinos escravizada sob o poder de ilusões prazerosas que os machos de sua raça produzem (ah, aliens com poderes bizarros! É por isso que eu gosto de Star Wars!). A verdadeira trama do livro, no entanto, é um romance – entre Han e Bria, uma das peregrinas, que ele consegue convencer a fugir do planeta antes que coisas piores aconteçam com ela. Seu relacionamento com Bria é o que cria o verdadeiro arco emocional do livro e começa a pôr Han a caminho de se tornar o personagem que conhecemos.

Embora boa parte do livro se foque no romance – imagino que nem todo mundo vá gostar de alguns trechos mais melosos – eu achei bem fofo e representativo de Han enquanto pessoa. Que Han é, no fundo, um grande ursinho de pelúcia, todos sabemos, mas aqui temos um Han mais jovem e – se não inocente – pelo menos mais aberto a emoções, mais disposto a ficar vulnerável. Crispin mostra aquela bondade e compaixão inatas do personagem, ainda mais patentes antes de a vida transformar Han em alguém tão relutante em se envolver com os problemas alheios. Mas a autora não evita mostrar que ele também fará o que for necessário para sobreviver. O personagem continua o “malandro” que conhecemos e amamos.

Outro detalhe legal é que Han visita vários planetas: além de Ylesia, temos uma visão de Alderaan e dos níveis mais sombrios de Coruscant. E apesar do foco forte no romance, temos batalhas espaciais e muitas brigas em terra. Várias armas de raios são disparadas! E também preciso mencionar um personagem sensacional: Muuurgh (com 3 “u” s mesmo), um Togoriano que é destacado para guardar Han. O alienígena é de uma raça felinoide: algo como Chewie, se Chewie fosse um gato que dormisse enroladinho e estivesse disposto a matar Han para manter a promessa de não deixá-lo escapar.

A trama é um pouco estranha, porque o clímax parece ocorrer algumas dezenas de páginas antes do final, e então a história cai um pouco em emoção até o confronto final. Também não há grandes surpresas, mas o livro é cheio de piscadelas para o leitor (por exemplo, [SPOILER] quando Han vê Leia criança em uma gravação de boas-vindas em Alderaan, ou quando Dewlanna fala para ele sobre a Força [FIM DO SPOILER]). É uma leitura rápida e divertida com um final que deve deixar todo mundo com vontade de ler o próximo. Não vai mudar a sua vida, mas vale para passar um tempo com um personagem tão querido.

*

Armadilha do paraíso
Autora: A. C. Crispin
Tradutor: Edmo Suassuna
Editora: Aleph
Ano de publicação: 1997
Ano desta edição: 2016
356 páginas

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