[Resenha] O mundo perdido

o mundo perdidoSinopse:

Seis anos se passaram desde os terríveis acontecimentos no Jurassic Park. Seis anos, desde que o sonho extraordinário, nos limites entre a ciência e a imaginação humana, acabou se tornando um trágico pesadelo.

A Isla Nublar não era o único lugar usado por John Hammond em suas pesquisas genéticas de ponta. Agora, o matemático Ian Malcolm e uma equipe de cientistas – além de certos “pequenos clandestinos” – devem explorar outra ilha na Costa Rica, repleta dos mais perigosos dinossauros que já caminharam pela Terra.

Fonte: Aleph

Uma das diferenças mais palpáveis entre os livros e os filmes de Jurassic Park é o debate ético-científico (muitas vezes pseudocientífico, mas eu suspendo a descrença quando Ian Malcolm abre a boca. Ou a camisa.). O mundo perdido mantém esse debate e o foca em uma pergunta que persiste sem resposta: por que os dinossauros foram extintos?

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Aparentemente é bem difícil se livrar deles, já que sobraram vários em uma ilhazinha da Costa Rica, comprada há um tempo por uma certa empresa de biotecnologia. Empresa esta gerida por um tal Hammond, que achava dinossauros fofinhos e divertidos. Sobraram tantos dinossauros que alguns estão aparecendo mortos na costa de ilhas vizinhas – e sendo cuidadosamente incinerados pelo governo, afinal, cadáver fresco de dinossauro não fica muito bem em um guia de turismo.

Novamente a ideia de lidar com o reduto jurássico na terra veio de um moço meio fora da realidade que curte dinossauros, Richard Levine. Ele é um paleontólogo considerado pentelho pelos seus pares, e por cientistas de outras áreas – incluindo Ian Malcolm. Levine chama Jack Thorne, um especialista em veículos adaptados para safáris e pesquisas de campo perigosas, para fazer um trailer e um carro megasuperextrarreforçados, sem contar seu objetivo. Eddie Carr, um de seus funcionários mais dedicados, também fica intrigado (e, como todo mundo, irritado) com Levine. Eventualmente os dois terão que resgatar Levine – que achou que tinha tudo sob controle – e quando prepararem o trailer para a partida, duas crianças bem inteligentes que operam computadores melhor que os adultos se escondem para ir junto. Kelly e Arby são crianças com histórias de vida bem diferentes, que são amigos na escola por serem os nerds. Eles têm algumas aulas com Levine, aulas estas que ele é obrigado a dar como punição por fazer umas merdas. Como Levine sabe que está sendo seguido, pede às crianças para buscar itens suspeitos por ele. Bem responsável.

As pessoas interessadas no que Levine está aprontando são uns manos de uma empresa especialista em espionagem industrial, mas que diz que faz bioengenharia, a Biosyn. Esses personagens não são particularmente dignos de nota. Um tem mais escrúpulos, outro acha dahora jogar gente da amurada de um barco. De qualquer forma, são três caras ~do mal~ que querem ovos de dinossauros para, adivinha só, fazer uma atração. Mas a ideia deles é que os visitantes cacem os dinossauros. Claro que eles terão tudo sob controle.

Juntam-se ainda ao time de resgate nosso querido matemático especialista em teoria do caos e pouco versado em recusar rolês perigosos: Ian Malcolm; assim como Sarah Harding, uma bióloga especialista em comportamento animal que não precisa de bolas para ser mais corajosa e proativa que todos os outros. Mas o que surpreende todo mundo é que ela é ex-namorada de Ian.

Essa ilha deveria ser um ambiente sem intervenção humana, mas temos um tremendo desequilíbrio ecológico. O número de predadores é muito maior do que a ilha sustentaria, causando raptors mais fora de controle que o normal que brigam entre si e são mais selvagens na caçada. Exatamente o que precisamos.

O que os personagens precisam fazer é basicamente sobreviver até que o próximo transporte para a civilização passe. E sobreviver na Isla Sorna é bem difícil.

Não sei se Crichton recebeu feedbacks sobre o sexismo do primeiro livro (inclusive amenizado no primeiro filme, e uma comparação sobre isso consta no posfácio da última edição da Aleph), mas há melhoras no segundo. As duas personagens femininas são mais complexas, motivadas e atuantes – e bônus: têm conversas significativas entre si. Kelly tem Sarah como ídolo e exemplo de carreira, e gostei muito de ver a relação delas evoluindo no meio de todo o caô jurássico. Também não sei se ele me ouviu reclamar que ninguém nunca representa os dinossauros com as penas que a ciência nos diz que eles tinham, mas temos filhotes de T-rex com penugem ❤

A minha leitura de O mundo perdido foi menos compulsiva do que a do primeiro livro, um pouco porque a vida tá mais louca, um pouco porque eu já conhecia o jeito de narrar do Crichton e não me permiti ficar tão aflita.

Recomendo bastante para quem gosta de suspense, dinossauros e humanos que tomam decisões estúpidas.

*

O mundo perdido
Autor: Michael Crichton
Tradutora: Marcia Men
Editora: Aleph
Ano desta edição: 2016
480 páginas

Livro cedido em parceria com a Aleph.

 

Citações sobre como a humanidade é horrível:

“O que o faz pensar que os seres humanos são autoconscientes e lúcidos? Não existe evidência disso. Seres humanos nunca pensam por si mesmos, acham isso desconfortável demais. Em sua maioria, os membros de nossa espécie apenas repetem o que lhes dizem – e ficam aborrecidos se são expostos a algum ponto de vista diferente.”

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“Como é que você pode projetar para as pessoas se não conhece história e psicologia? Não pode. Porque suas fórmulas matemáticas podem ser perfeitas, mas as pessoas vão estragar tudo.”

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“No mundo moderno representa uma transgressão muito mais séria atirar em um tigre do que atirar nos próprios pais.”

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Agora King tinha todos os acessórios do sucesso: um Porsche, uma hipoteca, um divórcio, um filho que só via nos finais de semana.

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