[Resenha] Agências de Investigações Holísticas Dirk Gently

AgenciaInvestigacoesDirkGently_14mm.inddSinopse:

Richard MacDuff é um engenheiro de computação perfeitamente normal que sempre se comportou muito bem, até o dia em que deixa uma mensagem equivocada na secretária eletrônica de sua namorada, Susan Way. Arrependido, toma a decisão mais natural possível — escalar o prédio dela e invadir seu apartamento para roubar a fita com a gravação.

Na vizinhança, Dirk Gently bisbilhota os arredores com seu binóculo quando presencia o ato tresloucado do antigo colega de faculdade e decide entrar em contato para lhe oferecer seus serviços investigativos. Depois de uma série de acontecimentos bizarros, o detetive percebe uma interconexão obscura entre a atitude estapafúrdia do amigo e o assassinato de Gordon Way — irmão de Susan e chefe de Richard, que passa a ser suspeito do crime.

De uma hora para outra, os dois veem-se envolvidos num caso incrivelmente estranho, com elementos díspares e desconexos que, no final, conseguem se encaixar de forma perfeita e construir a trama.

Fonte: Livraria Cultura

Se você é antenado em lançamentos menos conhecidos da Netflix, talvez tenha cruzado com a série Dirk Gently’s Holistic Detective Agency (2016-) por lá — a primeira temporada está completa e a segunda chega em dezembro de 2017. Vi um episódio meio por acaso e acabei me apaixonando perdidamente, ao que descobri que era baseada em livros dos anos 80 escrita por ninguém menos que Douglas Adams. O que não surpreende, porque a série é muito louca, envolvendo viagem no tempo, troca de almas e coisas afins. Apesar disso, a trama e os personagens da série (com exceção, obviamente, de Dirk) são originais, e fora algumas referências aos livros, não há muita conexão entre os romances e a adaptação. Mas fiquei curiosa para conhecer a obra original, então fui atrás dela.

E não fiquei decepcionada. De Douglas Adams, eu tinha lido alguns volumes do Guia do Mochileiro das Galáxias, mas apesar de engraçados eles não me empolgaram tanto, enquanto este primeiro livro de Dirk Gently (existem dois completos e um terceiro incompleto) me deixou fascinada com sua trama intrincada, cheia de elementos díspares que, no fim, se unem numa resolução que te deixa… bem, no meu caso, bastante confusa, indo no Google procurar explicações. O livro exige uma boa dose de atenção do leitor desde a primeira página — nada nele é gratuito — e bem justifica uma das resenhas impressas na orelha da edição brasileira: “Logo que terminei este livro, voltei à primeira página e o li todo de novo”. Mas vale a pena, mesmo que pelo puro prazer de ter Douglas Adams te contando uma história, com aquele humor único que transforma mesmo as descrições mais banais em sacadas inteligentes e hilárias.

O personagem título, Dirk Gently (que só aparece na obra lá pela página 80 e tantas), é um detetive holístico, o que significa que não fica procurando pistas, mas acredita na conexão fundamental entre todas as coisas do universo, que o levará a solucionar um mistério. Mas mesmo o que nós (e os outros personagens) pensamos ser o mistério não é o mistério verdadeiro para Dirk, que enxerga as coisas de uma forma bem peculiar. O personagem é divertidíssimo (e foi legal constatar que a série conseguiu manter o tom de suas falas, com discursos longos que dão nó na cabeça dos interlocutores).

A trama inclui um Monge Eletrônico (não pergunte); o poeta Samuel Taylor Colerigde; fantasmas; a música do universo; entre outras coisas que seriam spoiler. A maior parte da história é focada em Richard MacDuff, um cara normal que vê sua vida ficar bem doida quando vai a um jantar comemorativo na Universidade de Cambridge e reencontra um antigo professor, um cara bem pirado que nem tem uma função muito bem definida na faculdade. Na mesma noite em que Richard passa algumas horas bizarras com o professor, seu chefe é assassinado, e ele acaba reencontrando Dirk, seu antigo colega de universidade, que o arrasta para investigar como tudo isso está conectado (embora alguns elementos não me pareçam tão conectados assim; desculpa, Douglas!).

Adoro histórias em que coisas aparentemente aleatórias e sem sentido se unem numa trama arrumadinha, e embora os personagens sejam mais condutores dessa trama do que pessoas tridimensionais, são gostosos de acompanhar — Richard, surtado com tudo que está acontecendo, é meu preferido e introduz o leitor nesse mundo insano.

Enfim, é uma leitura rápida e de rir alto, com uma trama insana e um detetive diferente de tudo que você já viu por aí. Recomendo, especialmente pra quem já é fã do Mochileiro. E se você não conhece a série, fica a recomendação forte também!

*

Agência de investigações holísticas Dirk Gently
Autor: Douglas Adams
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 1987
Ano desta edição: 2015
240 páginas

 

Citações preferidas

O Portal era o Caminho.

Ótimo.

Letras maiúsculas são sempre a melhor maneira de lidar com as coisas para as quais você não tem uma boa resposta.

*

Richard ficou petrificado por alguns instantes, tornou a secar a testa e desligou o telefone com cuidado, como se ele fosse um hamster ferido. Seu cérebro começou a gemer baixinho e chupar o dedo. Várias pequenas sinapses no fundo do seu córtex cerebral deram as mãos e começaram a dançar em círculos entoando canções de ninar.

*

Dirk indicou com um gesto vago o ambiente desleixado.

— A luz funciona — afirmou ele, apontando para a janela —, a gravidade também. — Ele largou um lápis no chão. — Quanto a todo o resto, não há nenhuma garantia.

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