[Resenha] Um de nós está mentindo

Esta resenha foi escrita pelo nosso amigo e padawan Renato Ritto, que já estudou Letras, mas estuda Editoração na ECA-USP.

um-de-nósSinopse:

Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder.
Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras.
Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera.
Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas.
Cooper, o atleta, astro do time de beisebol.
E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola.
Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta?
Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus.

Fonte: Galera Record

Um de nós está mentindo é um romance young adult escrito por Karen McManus em 2017, e lançado pelo selo Galera da editora Record em 2018. Bem característico quanto ao gênero em que se insere, o livro narra a história de cinco adolescentes que vão para a detenção por utilizarem celular em sala de aula. Entretanto, na detenção, Simon, o garoto mais odiado de toda a escola por ter criado um aplicativo de fofocas, tem um choque anafilático e morre.

Os outros quatro adolescentes, que participaram ativamente da cena trágica, acabam se tornando os personagens centrais de uma trama cheia de nós que envolve uma investigação criminal. Cada um deles teria um motivo para querer ver Simon morto e portanto, como o título do livro já sugere, um dos personagens do livro está mentindo, e cabe ao leitor descobrir em quem confiar.

A história é narrada em primeira pessoa por cada um dos quatro adolescentes que sobraram. Este, talvez, seja o maior problema do romance. A autora não conseguiu desenvolver tão bem os personagens de início para que parecesse, de verdade, que o livro era narrado por quatro pessoas diferentes. Nos capítulos iniciais fica difícil de lembrar quem é o narrador e o que ele representa na trama, então tive que voltar as páginas algumas vezes.

Como cada um deles narra suas próprias histórias, em momentos diferentes dos outros personagens, cada ponto de vista se desenvolve de maneiras muito particulares e nem sempre satisfatórias.

Bronwyn, a moça certinha e nerd que não tolera um dedo fora da linha, e Nate, o garoto-problema em condicional que já tem ficha criminal, acabam compondo a maior parte da trama. Por sua vez, Addy, a patricinha, é um pouco deixada de lado, embora desempenhe um papel importante, mas nada que não pudesse ser feito por outro personagem. Ainda assim, Addy tem mais pano de fundo e é mais vital para a trama do que Cooper, um personagem que, para mim, foi pessimamente desenvolvido. Sem tempo como protagonista, Cooper foi deixado de lado para servir apenas como um tópico comum nos romances YA atuais (que não vou mencionar qual é, para não dar spoiler). A história dele precisa ser contada, mas parece que a autora não soube fazê-lo da maneira apropriada e decidiu colocá-lo na trama para arrebanhar mais um público em potencial para o seu livro; o que dá a impressão de que Cooper é desnecessário e poderia muito bem ser um personagem esquecido de outro enredo, perdido ali por acaso.

A narrativa também tem um problema estrutural de ritmo, que acaba por deixar o romance bastante parado e sem ações. Ao que parece, a autora elegeu pontos fixos de virada na narrativa que fazem o livro andar, mas entre esses pontos a escrita ficou desgastada e pouco empolgante, o que quebra a fluidez. Isso não deveria acontecer, ainda mais se tratando de uma obra baseada em uma investigação criminal. Escritores mais experientes em tramas policiais parecem saber rechear melhor o mistério do livro a ponto de não ser necessário colocar várias cenas filler para que um ponto de virada se ligue a outro. A autora opta por não deixar pistas sobre os acontecimentos ao longo da história (ou eu fui muito tapado e não percebi que elas estavam ali), e isso também deixa o livro lento.

O saldo final é de decepção. A premissa é muito boa e o pontapé inicial da autora funcionou, mas a trama se perde em acontecimentos irrelevantes e a história parece progredir a passos de tartaruga. No final eu já nem estava mais interessado em resolver o mistério central do livro: eu só queria que ele acabasse.

*

Um de nós está mentindo
Karen McManus
Tradutor: André Gordirro
Galera Record
Ano desta edição: 2018
384 páginas

O que achou deste post?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s