[Semana Victor Hugo] O autor

Victor-Marie Hugo (1802-1885) foi um dos mais importantes escritores românticos franceses. Escreveu poesia, peças e romances, dois dos quais resenharemos no Sem Serifa esta semana: Notre Dame de Paris, vulgo O corcunda de Notre Dame, e Os miseráveis. Vamos falar um pouco sobre a vida desse grande autor, com direito a várias fotos peculiares!

  • Hugo era o terceiro filho de um major (depois, general) do exército de Napoleão e de uma católica monarquista. Os pais se separaram por motivos políticos e Hugo morou em Elba, Napóles e Madrid, mas voltou a ficar em Paris com a mãe, adotando suas opiniões políticas. Acabou se formando em Direito, mas era um péssimo aluno, e suas lembranças dessa época inspirariam a criação de Marius, de Os miseráveis.

Um jovem Victor Hugo divando na praia.

  • Em 1822, se casa com uma amiga de infância, Adèle Foucher, com quem tem cinco filhos.
Testando sua pose padrão para fotos.

Testando sua pose padrão para fotos.

  • Seu primeiro livro de poemas, Odes e poesias diversas (1822), tinha um viés monarquista que lhe rendeu uma pensão de Luís XVIII. Ele publicou mais poesia em 1826 e, em 1829, uma coletânea chamada Les Orientales, na qual ele se aproxima do interesse romântico pelo oriente, ao mesmo tempo em que se afasta do monarquismo da juventude.
  • Apesar de ser mais conhecido no Brasil por seus romances, Hugo escreveria poesia a vida inteira, e é considerado um dos grandes poetas franceses. Ficou curioso? Você pode dar uma olhada nos poemas (em tradução inglesa) aqui.

Aperfeiçoando a pose.

  • Seu primeiro romance foi Hans da Islândia (1823), e a publicação o aproxima de um círculo de românticos chamado Cénacle. Em 1826, lança um romance “exótico”: Bug-Jargal (traduzido em inglês como The Slave King), sobre a amizade entre um príncipe africano escravizado e um militar francês. Infelizmente não existe em português, mas você pode lê-lo em francês ou (com muitas manchas) em inglês.
  • Em 1827, escreveu a peça em versos Cromwell – quase longa demais para ser encenada. O prefácio (também longo, o que não surpreende ninguém) foi mais importante que a peça em si. Nele, Hugo propôs que o Romantismo explorasse as contradições da existência humana por meio da inclusão de elementos trágicos e cômicos em uma mesma peça, abandonando as regras formais da tragédia clássica.

Pensando sobre as desigualdades sociais na França.

  • Em 1829, publicou um dos seus romances de crítica, Os últimos dias de um condenado, um protesto contra a pena de morte.
  • Mas foi Notre Dame de Paris, de 1831, que aumentou sua fama (leia uma resenha esta quarta-feira). O sucesso do livro foi tão grande que a cidade de Paris reformou a Catedral de Notre Dame, que começou a atrair turistas devido ao romance!

Quando o seu amigo tenta roubar a foto…

  • Em 1830, ele compôs um poema em honra da Revolução de Julho (protestos contra o rei Carlos X que culminaram na sua abdicação e na instalação no poder de uma monarquia constitucionalista). Durante os anos da Revolução, Hugo lançou quatro livros de poemas, com temáticas políticas, filosóficas e pessoais, evocando a realidade da época, além de algumas peças teatrais.

… é melhor convidá-lo a imitar sua pose.

  • O motivo para as peças? Além de divulgar suas ideias, ele queria escrever papéis uma jovem atriz, Juliette Drouet, com quem começara um caso em 1833. Ela abandonaria sua profissão e acompanharia Hugo até morrer, em 1883.

Um Hugo mais maduro, ainda chateado.

  • Em 1843, uma tragédia pessoal: a filha mais velha e recém-casada, Léopoldine, morreu afogada no rio Sena, junto com o marido. Durante essa época, Hugo escreveu muitos poemas dedicados à filha e começou a trabalhar em Os miseráveis.
  • Na década de 1840, foi eleito para o Parlamento. Por motivos políticos, fugiu para Bruxelas em 1851, após um golpe de estado. Ele passaria os próximos vinte anos no exílio, primeiro na Bélgica e depois em ilhas inglesas, onde produziria algumas de suas grandes obras, incluindo poemas satíricos políticos, um volume de poemas focados na morte da filha, e a retomada de Os miseráveis, que tinha abandonado.

A pose, imortalizada a óleo! Retrato feito por Leon Joseph Florentin Bonnat, 1879.

  • Os miseráveis já causava rebuliço antes da publicação: a editora começou a promover o livro seis meses antes do lançamento, e sua primeira parte foi lançada simultaneamente em várias cidades. Embora alguns autores e pensadores da época criticassem o romance, foi um sucesso gigantesco com o público.
  • Ao longo da vida, Hugo abandonou a fé católica da mãe e adquiriu certa antipatia por essa Igreja, que retribuía o sentimento: tanto O corcunda de Notre Dame como Os miseráveis foram parar no Index Librorum Prohibitorum – a lista de livros proibidos pela Igreja! O primeiro ainda consta; o segundo foi tirado da lista em 1959.

“Como assim você não quer ler sobre os esgotos de Paris?”

  • Além de autor e político, Hugo também desenhava: produziu mais de 4.000 ilustrações, num estilo um tanto surrealista e expressionista. Ele não publicava seus desenhos, mas os dava de presente para amigos.

Desenho de um polvo, 1866.

  • Seus últimos livros incluem Os trabalhadores do mar (1866), dedicado à ilha de Guernsey e seus marinheiros; O homem que ri (1869), sobre a Inglaterra no século XVII; e Noventa e três (1874), sobre o tumultuoso ano de 1793 na França.

Hugo com os netos, em 1881.

  • Além de lutar contra a pena de morte e as desigualdades sociais, Hugo também defendia… os direitos autorais! Ele foi o fundador e presidente da Association Littéraire et Artistique Internationale, que inspiraria a criação do primeiro grande acordo internacional em defesa dos direitos dos autores, a Convenção de Berna, de 1886 (ela ainda existe e hoje tem 165 membros).
  • Em seus últimos anos enfrentou outras tragédias, como a morte de dois filhos e a internação da filha caçula em um hospício. Sua esposa faleceu em 1868 e Hugo retornaria a Paris em 1870.

Você também pode ver Hugo no Museu Rodin: o escultor recebeu uma comissão do Estado para retratá-lo após sua morte. O monumento de 1890 mostra Hugo e as Musas, sentado sobre as rochas da ilha de Guernsey. Os contemporâneos ficaram um tanto chocados ao ver o poeta nu! (X)

  • No seu aniversário de 80 anos, foi organizado um enorme tributo, incluindo um dos maiores desfiles da história da França: desde a casa do autor até a avenida Champs-Élisées e o centro de Paris, numa caminhada de seis horas. No dia seguinte, o nome da rua onde morava foi mudado para Avenue Victor-Hugo. Hugo morreu de pneumonia dois anos depois, gerando comoção nacional.
  • Hugo escreveu uma mensagem a ser publicada após sua morte, deixando 50.000 francos ao pobres, recusando orações de todas as igrejas e professando sua fé em Deus.

Quando se é tão famoso que fazem uma pintura a óleo do seu funeral. Jean Beraud, 1885.

  • Além de ser nome de ruas, parques e cidades em vários lugares do mundo e de ter seu rosto estampado em selos e cédulas, Hugo também é considerado santo (sim, santo!) na religião de Cao Dai, estabelecida no Vietnã em 1926.
  • E, como se não tivesse influenciado gente o bastante, acredita-se que Van Gogh tenha se inspirado em uma passagem de Os miseráveis para criar nada menos do que A noite estrelada.

Deu pra ter uma noção da importância do autor, né? E você, já leu algum deles? Venha nos contar sua opinião, e fique ligado na Semana Victor Hugo, que rola até sexta-feira no blog e no Face!

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Uma resposta em “[Semana Victor Hugo] O autor

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