[Resenha] Freya das Sete Ilhas

freyaSinopse:

O narrador recebe em Londres uma carta de um de seus velhos camaradas errantes das águas orientais, que pergunta se ele se lembra do velho Nielsen, de origem dinamarquesa e também conhecido como Nelson. Ele se lembra, certamente, da fazenda de tabaco, das conversas na varanda; lembra-se sobretudo de sua filha Freya.

Fonte: Livraria Cultura

Este livro faz parte da coleção “A arte da novela”, uma parceria da editora Grua com a Livraria Cultura. A seleção de títulos promete (a coleção foi contratada sob licença da editora americana Melville House), oferecendo ao público brasileiro obras curtas (muitas, acredito, inéditas em português) de grandes escritores.

Freya das Sete Ilhas foi minha introdução a Joseph Conrad, e gostei muito da novela. Contada em primeira pessoa por um narrador observador (que tem momentos de onisciência não explicados), gira em torno de um caso ocorrido nas chamadas Sete Ilhas, um arquipélago no oceano Índico. A jovem e bela Freya, filha de um comerciante dinamarquês, se confronta com “os absurdos de três homens”: seu pai, temeroso das autoridades holandesas; Jasper Allen, um comerciante inglês apaixonado e impetuoso com o qual ela pretende fugir; e o tenente Heemskirk, um homem mesquinho que quer Freya para si.

O livro é um exemplo magnífico de suspense em um romance: o narrador faz constantes alusões ao destino infeliz do caso de Freya e Jasper, mantendo a tensão por todo o livro enquanto o leitor se pergunta qual será o desfecho. Adoro narradores observadores, e este nos dá lindas descrições e metáforas ao falar do cenário oriental, além de possuir um toque de ironia que evita que o livro fique pesado demais. Seus constantes elogios a Freya e ao amigo Jasper fazem o leitor se envolver na história e simpatizar profundamente com as personagens.

Além disso, Freya é uma personagem fascinante – por mais apaixonada que esteja, não deixa de ser “sensata”, como diz o pai, e tenta conciliar seus próprios interesses e os de Jasper com os medos do pai e a atenção do desagradável Heemskirk. Entre o casal, ela é sem dúvida quem mais mantém a cabeça no lugar, e a impressão que se tem é de que, na verdade, era uma mulher superior a esses três homens.

A tradução é boa, porém, segundo a página de créditos do livro, não houve revisão. E dá pra notar – há diversos erros que teriam sido corrigidos por um revisor, como pontuação incorreta, espaços onde não deveria haver, trechos de cacofonia, para não mencionar que a editora muitas vezes não segue o acordo ortográfico, além de haver um trecho sem sentido no meio do livro. Não sei se os outros livros da coleção também não foram revisados, mas se for o caso, é realmente uma pena. E igualmente lamentável que a Livraria Cultura tenha colado um selo de “exclusivo” impossível de descolar bem na capa do livro (que é de papel!). De qualquer modo, a obra em si é ótima e uma leitura rápida. Recomendo!

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Freya das Sete Ilhas
Autor: Joseph Conrad
Editora: Grua
Ano de publicação: 1910
Ano desta edição: 2014
136 páginas

Citações preferidas

Se formos nos espantar com cada gargalhada maléfica como uma lebre ao menor som, nada nos restaria a não ser a solidão de um deserto ou uma vida reclusa de ermitão.

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Eu acho que motivos louváveis são uma justificativa suficiente para quase tudo.

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“Você é louco, garoto. […] Ninguém me carrega. Nem mesmo você. Não sou o tipo de garota que nasceu pra ser carregada.”

Uma resposta em “[Resenha] Freya das Sete Ilhas

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