[Resenha] Adeus tristeza

adeustristezaSinopse:

Seguindo os passos das grandes narrativas autobiográficas, como Maus, de Art Spiegelman, e Persépolis, de Marjane Satrapi, Belle Yang escolheu os quadrinhos para narrar a tumultuada saga de sua família.
A partir das disputas e dos embates entre o patriarca dos Yang e seus filhos, a autora pôde revisitar cem anos de história chinesa. O enfoque na intimidade da família ganha contornos épicos, conforme os Yang vivenciam a invasão da Manchúria pelos japoneses, a Segunda Guerra Mundial, a grande fome e a subida dos comunistas ao poder.

Fonte: Quadrinhos na Cia.

Nascida em Taiwan e criada nos Estados Unidos, Belle Yang tinha uma carreira promissora ao terminar a faculdade de artes. Porém, um ex-namorado extremamente abusivo a persegue e ameaça de morte, fazendo-a se esconder na casa dos pais, de onde não sai para nada. Foi nessa época que Yang, em meio a desentendimentos com o pai, ouviu-o contar cem anos de história da família deles, originária da China. Nesta HQ autobiográfica, a artista retratou essa história, fazendo um registro das intrigas e sofrimentos pelos quais seus ancestrais passaram ao longo do século XX.

Esses flashbacks retomam uma época em que a família Yang era composta por um patriarca e seus quatro filhos, mais a esposa, noras e netos. O leitor é apresentado à personalidade de cada um deles à medida que intrigas familiares se desenrolam, muitas vezes ligadas diretamente à situação política do país. Da invasão japonesa na Manchúria até a ascensão comunista, tudo é retratado do ponto de vista dos Yang, que eram grandes donos de terra antes dos acontecimentos que inverteram a ordem política em seu país. Esses acontecimentos são pouco explicados na obra, mas não é preciso muito conhecimento histórico para se situar na narrativa, cujo foco está nas relações familiares.

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Por intercalar passado e presente, a obra de Yang frequentemente choca ao nos mostrar o tradicionalismo existente nas opiniões de seus pais, que, para um leitor contemporâneo e ocidental soam machistas e opressoras. É tocante perceber a situação delicada de abuso em que a jovem se encontra, e me senti bem mal todas as vezes em que o pai a acusa de ser culpada por isso.

As histórias da família não são extraordinárias. A maior parte delas são picuinhas e anedotas pelas quais qualquer família pode passar. Apesar disso, a comparação com Persépolis e Maus (que foi o que me convenceu a comprar a HQ, pra começo de conversa) é cabível. Adeus tristeza é uma obra admirável, não pela história, mas pela forma delicada e carinhosa como Yang a registra, falando de pessoas com quem ela nunca conviveu mas cuja trajetória é claramente importante para a autora.

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Eu me senti honrada por ter acesso a um trabalho tão intimista, cuja produção serviu de apoio emocional e psicológico para a autora em um momento muito difícil da sua vida.

*

Adeus tristeza
Autora: Belle Yang
Tradutor: Érico Assis
Editora: Quadrinhos na Cia.
Ano de publicação: 2010
248 páginas
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2 respostas em “[Resenha] Adeus tristeza

  1. Eu não tinha compreendido bem a sinopse, mas ao ler sua resenha e ler as imagens dos pequenos quadrinhos me interessei muito. Gosto quando histórias são contadas com sensibilidade mesmo quando o conteúdo não é dos mais singulares ou incríveis. Já anotei o livro na minha lista.
    Beijos!
    asassecretas.blogspot.com.br

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