[Resenha] O mundo de Aisha

mundo-de-aishaSinopse:

Obrigadas a se casarem ainda meninas. Escravizadas, violentadas, por vezes assassinadas. Cobertas com o véu negro – o niqab –, as mulheres do Iêmen parecem fantasmas. Contudo, pouco a pouco, com delicadeza, coragem e determinação, elas travam uma batalha corajosa por sua emancipação. Uma revolução silenciosa está em marcha para fazerem valer seus direitos e sua liberdade. Aisha, Sabiha, Hamedda, Houssen e tantas outras: aqui estão suas histórias. Uma extraordinária reportagem em quadrinhos de Ugo Bertotti inspirada pelas imagens e pelas entrevistas da fotojornalista Agnes Montanari.

Fonte: Nemo

O mundo de Aisha é uma HQ de Ugo Bertotti baseada nas fotos e entrevistas feitas por Agnes Montanari durante uma viagem ao Iêmen. É dividida em três histórias: as duas primeiras são bem curtinhas, narrando a vida de duas mulheres, e a terceira, dividida em vários capítulos, conta um pouco da vida de Aisha e de várias mulheres que a conhecem.

A organização dessas histórias cria um arco esperançoso para a HQ como um todo. A primeira história, de Sabiha, é extremamente triste, mostrando uma mulher oprimida e torturada por motivos tão absurdamente banais que o coração do leitor fica despedaçado. Mas as histórias seguintes mostram um quadro relativamente melhor, com mulheres que vencem e superam os obstáculos impostos pela sociedade misógina à sua volta. Ainda há muita opressão e tristeza nessas histórias, mas também há sonhos e uma força inspiradora, vinda de seres humanos a quem jamais foram dadas perspectivas de uma vida melhor.

A força das mulheres retratadas nessas histórias é inspiradora e impressionante. Uma cozinheira que vence preconceitos para se tornar dona de um grande restaurante; uma arqueóloga que vê o niqab como uma garantia de que os homens a deixem estudar e trabalhar em paz; uma cabeleireira que se esforça para estudar e seguir seus sonhos mesmo depois de experiências de vida assustadoras. E é claro, Aisha, que dá título à obra, é incrível: trabalha com informática, escolheu o próprio noivo e reflete ao lado das amigas – como nós aqui do ocidente tantas vezes fazemos – se somos mesmo obrigadas a aceitar o machismo sob a desculpa de que os homens são fruto de seu tempo e sua sociedade.

Para completar o impacto emocional de tais relatos, os desenhos de Bertotti são intercalados com fotografias das personagens, e é impressionante o efeito que isso causa, lembrando o leitor de que aquelas histórias e mulheres são muito reais e aproximando-o delas.

O objetivo de Montanari com suas entrevistas foi dar voz às mulheres do Iêmen, e fez isso de forma respeitosa e imparcial (suas impressões são explicitadas apenas no posfácio, em forma de texto). O resultado é uma obra séria e concisa, mas muito sensível; uma visão interessante sobre um mundo que imaginamos ser tão diferente.

*

O mundo de Aisha: a revolução silenciosa das mulheres no Iêmen
Autor: Ugo Bertotti
Fotos: Agnes Montanari
Tradutor: Fernando Scheibe
Editora: Nemo
Ano de publicação: 2013
144 páginas

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