[Resenha] Marcas da guerra

marcasdaguerraSinopse:

A guerra ainda não chegou ao fim, e um novo panorama galáctico se desenha. Capitão Wedge Antilles, almirante Ackbar, almirante Sloane, a caçadora de recompensas Jas Emari, o antigo agente imperial Sinjir, o garoto Temmin e sua mãe, a piloto rebelde Norra Wexley: novos personagens e velhos conhecidos dos amantes da saga, que sempre estiveram envolvidos na luta, agora devem escolher o lado ao qual jurar sua lealdade. Deverão colocar-se ao lado da Nova República ou juntar-se às fileiras imperiais.

Fonte: Editora Aleph

Quem não gosta de ver aqueles filmes de ação em que um grupo de oprimidos bem intencionados se junta para derrotar um déspota e tomar o poder para si? É uma beleza e enche nossos corações de esperança. Em Star Wars, depois que a segunda Estrela da Morte é destruída e o imperador morre, fica tudo bem na galáxia, certo? Bom, não é tão simples assim. Uma guerra sempre tem muitos desdobramentos, e é isso que vemos em Marcas da guerra.

Esse é o primeiro volume da trilogia Aftermath, que se passa alguns meses após o fim do Episódio VI – O retorno de Jedi. Ele foi lançado no final de 2015 como parte dos preparativos para a estreia de Episódio VII – O despertar da Força, e mostra como ficou a galáxia muito muito distante depois que a Aliança Rebelde se tornou a Nova República. Para isso, leva o leitor a Akiva, um planeta até então irrelevante tanto para o Império como para os rebeldes, mas que se tornará palco de um novo e grande embate entre os dois.

É para lá que está voltando Norra Wexley, piloto da Aliança Rebelde. Depois de participar da batalha que destruiu a segunda Estrela da Morte, Norra promete abandonar seus envolvimentos com a causa rebelde para se dedicar completamente ao filho, que ela tinha deixado para trás ao se alistar. O garoto agora tem seus próprios negócios, sabe se virar sozinho e faz questão de, em sua revolta adolescente, deixar bem claro que não precisa – nem quer – mais a mãe. Como se essa crise familiar não fosse suficiente, os problemas políticos da galáxia vieram atrás de Norra. Justamente em seu planeta, está acontecendo uma suspeita reunião de figurões do Império, que, sem que a Nova República saiba, estão traçando planos para reorganizar sua estrutura política após a morte do imperador.

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A piloto das treta. (fonte)

A história da piloto é então intercalada com o desenrolar dessa reunião, uma enorme briga de egos no meio da qual se encontra Rae Sloane. A grã-almirante é responsável pelo último destróier da frota imperial, e seu poder bélico lhe dá uma posição estratégica dentro do Império. Sloane apareceu pela primeira vez, ainda no início de sua carreira militar, no romance Um novo amanhecer, e é uma das personagens mais importantes do novo cânone de Star Wars. Em Marcas da guerra, ela já subiu muitas patentes e conquistou muito poder, mas continua tendo que brigar com figurões políticos sedentos por um pedaço do legado de Palpatine.

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Sloane rainha, Darth Vader nadinha (fonte)

A narrativa também mostra o ponto de vista de outros três personagens. Sinjir é um ex-agente imperial que vem fugindo do Império desde que se viu do lado errado da Batalha de Yavin. Jas Emari é uma caçadora de recompensas cujos alvos, desde essa mesma batalha, passaram a ser os imperiais. Já Jom Barrell é um agente da Nova República enviado pra descobrir o que diabos está acontecendo em Akiva. As histórias deles, e também as de Norra, Temmin e Rae, vão se cruzar em uma crise que pode causar muito impacto em toda a galáxia.

aftermath

Fan art com alguns dos protagonistas de Marcas da guerra (fonte)

Alguns leitores talvez se aproximem de Marcas da guerra com receio, pelo fato de que todos os protagonistas do livro são personagens exclusivos da literatura de Star Wars – nada de Luke Skywalker aqui. De fato, se você se interessa apenas pelos personagens principais da saga, Marcas da guerra talvez não seja a melhor opção para você. Mas ele pode surpreender bastante. Os personagens são cativantes, e não demora muito para o leitor se ver envolvido com eles.

Jas e Sinjir são especialmente interessantes: dois desajustados perigosos e sem escrúpulos, suas interações na história são muito gostosas de acompanhar. Eles se tornam uma dupla de detestáveis adoráveis. Além disso, suas trajetórias mostram outra faceta dos habitantes da galáxia: aqueles que já estiveram ao lado do Império e que, nesse pós-guerra, têm suas convicções colocadas à prova. Personagens em situações parecidas também aparecem nos diversos Interlúdios do livro: pequenas cenas em diversos lugares da galáxia, sempre mostrando algum aspecto da vida dos cidadãos comuns ou de figuras políticas nesse momento de pós-guerra. Aliás, é nessas cenas que a Disney colocou alguns easter eggs bem legais para os próximos acontecimentos importantes da saga, tanto no Universo Expandido como nos filmes.

O livro tem muita ação e humor e é contado em terceira pessoa no tempo presente, em um ritmo ágil muito parecido com o de um filme. Seus capítulos são curtos e quase sempre deixam um cliffhanger bem dramático. Se isso não bastasse para conquistar o leitor, Marcas da guerra tem seu próprio droide, como todo Star Wars que se preze. Senhor Ossudo é um droide de combate modificado por Temmin para ser seu guarda-costas, e tem uma personalidade de psicopata com um incrível humor negro. É uma versão ainda mais divertida de K-2SO, o droide de Rogue One.

Todos esses elementos tornaram Marcas da guerra uma das minhas aventuras favoritas de Star Wars. Enquanto recomendo fortemente esse livro a todos que conheço, vou continuar acompanhando as aventuras do time de Norra e torcendo pra eles se enfiarem nas piores tretas possíveis.

*

Marcas da guerra
Trilogia Aftermath – volume 1
Autor: Chuck Wendig
Tradutores: André Gordirro e Guilherme Kroll
Editora: Aleph
Ano do lançamento: 2015
408 páginas

Citações favoritas:

– Você critica o lado sombrio como se fosse uma doutrina do mal, risível em sua malevolência. Mas eu não o confundo com mal. E não confundo o lado luminoso como sendo o resultado de benevolência. Os Jedi de antigamente eram trapaceiros, mentirosos. Maníacos, com sede de poder, que agiam sob o disfarce de uma ordem monástica sagrada. Paladinos da moral, cuja diplomacia era a do sabre de luz. O lado sombrio é honesto. O lado sombrio é direto. É a faca na frente, em vez daquela enfiada nas costas.

*

– Mas nós devíamos estar orgulhosos de termos ganhado essa guerra…
– Ninguém deve se orgulhar da guerra, cabo. Ninguém. Uma guerra não é algo que fazemos por gostar de ganhar, ou por qualquer glória que haja em subjugar alguém. Fazemos isso porque queremos estar do lado certo das coisas.

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