[Resenha] Robô selvagem

robo-selvagemSinopse:

Nuvens deslizavam pelo céu. Aranhas teciam teias elaboradas. Frutas silvestres atraíam bocas famintas. Cogumelos brotavam de folhas em decomposição. Tartarugas mergulhavam nos lagos. Ondas quebravam na praia.
… E uma robô, camuflada na floresta, observava tudo isso.

Fonte: Intrínseca

Um navio de carga afunda próximo a uma ilha selvagem. Sua carga, caixotes que embalam grandes robôs, vai boiando até a ilha até se chocar e ser destruída nas pedras, até que só sobra uma caixa. Dela, surge Roz, uma robô que é ligada pela primeira vez nessa ilha, sem nenhum contato com humanos e sem conhecer seu propósito ou sua origem.

Robô selvagem é um romance infantil e eu, que amo robôs, me interessei de cara. A narrativa em terceira pessoa é bastante lírica e tem um ritmo lento, o que está longe de ser um defeito. O começo do livro é super tranquilo, com capítulos curtos que descrevem cada passo da robô pela ilha e tudo o que ela descobre e observa na natureza. Essa tranquilidade é agradável e marca bem o ritmo do que vai de fato acontecendo na trama: Roz aprende a viver em um ambiente novo, e faz amigos por ali – tudo isso tomando o tempo necessário, como na vida real.

robo-selvagem2

Um dos motivos pela demora é o fato de que a robô, antes de conquistar a confiança dos animais da ilha, precisa aprender a se comunicar com eles. Ela os observa e, pouco a pouco, descobre como falar a língua de cada espécie, em um esforço bonito e raro na ficção.

O choque da tecnologia com a natureza é apenas o ponto de partida para uma linda história sobre autodescoberta e amizade. Roz passa por diversas mudanças ao longo de sua história, e sua relação com os animais da floresta vai se desenvolvendo até que ela se torne um deles, parte integrante da ilha. Inusitadamente, a história também trata de maternidade e adoção, mas não vou detalhar como esses temas se encaixam na história, para evitar spoilers.

Basta dizer que Robô selvagem é uma história gostosa de acompanhar, com diálogos e reflexões que dão um quentinho no coração. Apesar de ser um livro longo, o texto é bastante leve (aliás, o narrador às vezes se dirige diretamente ao leitor, para fazer comentários de bastante informais) e adequado ao público infantil. Até crianças mais novas, que ainda não estão acostumadas com esse volume de leitura, podem aproveitar a história, se acompanhadas de um adulto que leia para elas. Além disso, o livro é ilustrado pelo próprio autor, e há imagens em quase todas as páginas.

Robô selvagem é o primeiro livro de uma série, e por enquanto as continuações ainda não foram lançadas no Brasil. O final é bem aberto, mas a leitura deste livro é como as histórias que ele apresenta e as amizades que nelas se formam: o importante não é o destino, mas sim o percurso.

*

Robô selvagem
Autor e ilustrador: Peter Brown
Tradutora: Marina Vargas
Editora: Intrínseca
Ano desta edição: 2017

Este livro foi cedido em parceria com a Intrínseca.

 

Citações favoritas:

Roz perambulava pela ilha coberta de lama e de coisas verdes que cresciam em seu corpo, e aonde fosse, ouvia palavras hostis. Essas palavras teriam deixado qualquer criatura bastante chateada, mas, como você sabe, os robôs não têm emoções, e, naquela situação, provavelmente era melhor assim.

*

– É um prazer conhecer você, Tagarela, e eu não acho que você fale muito, acho que você fala o suficiente e gosto de você, então vamos ser amigos.
Um grande sorriso se abriu no rosto do animalzinho. E, pela primeira vez, Tagarela ficou sem saber o que dizer.

*

– Acho que vou continuar a chamar você de mamãe.
– Acho que vou continuar a chamar você de filho.
– Nós somos uma família estranha – constatou Bico-Vivo, com um sorriso tímido. – Mas eu gosto mesmo assim.
– Eu também – disse Roz.

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