[Resenha] Calamidade

Esta resenha contém SPOILERS dos dois primeiros volumes da trilogia Executores: Coração de Aço e Tormenta de Fogo.

calamidadeSinopse:

Os Executores estão desesperados. Perseguidos por um terrível Épico e desprovidos de seus principais recursos, eles se agarram a seus talentos e inteligência para elaborar novos planos e acabar com os supervilões. Mas David não vai se contentar em buscar a fraqueza dos vilões – entender a origem e as transformações deles pode ser a chave para a salvação definitiva do mundo.

Fonte: Aleph

O final da trilogia Executores é algo que eu queria e ao mesmo tempo não queria ler. Essa é uma série cuja premissa já é capaz de conquistar o leitor – e, nas mãos de Sanderson, rende livros deliciosos, com um universo do qual a gente não quer sair. Eu seria capaz de ler mais dez obras nesse mundo, e fiquei chateada de saber que a história de David chegaria ao fim.

Ao mesmo tempo, seria impossível não ler o terceiro volume, depois da quantidade INDECENTE de reviravoltas que o autor conseguiu colocar na trama de Tormenta de Fogo. Sanderson tinha em mãos um universo atraente e interessante (cuja concepção o autor comenta neste vídeo simpático), no qual pessoas comuns (mas com coragem excepcional) arriscam a vida para combater supervilões poderosíssimos. Então, especialmente a partir do segundo volume, o autor também foi muito corajoso ao questionar o maniqueísmo da própria premissa e começar a brincar com o limite entre o bem e o mal.

Calamidade começa em meio a… bem, uma calamidade. Os Executores estão desarmados, sem seu líder e sem aliados, após perder vários amigos, e agora sendo perseguidos por um dos Épicos mais poderosos que já existiu. É difícil imaginar uma saída para eles, e continua sendo difícil ao longo da trama. O autor segura a tensão até o final, de um jeito desesperador: os questionamentos e aflições de David não parecem estar caminhando para uma solução, tampouco o combate contra os Épicos parece se aproximar do fim.

Assim como os volumes anteriores, este também tem um cenário incrível – mais uma cidade modificada por Épicos, com uma dinâmica própria e uma população adaptada, vivendo sob as regras impostas pelos vilões locais e pela estrutura física da cidade: Ildithia, uma cidade construída de sal e que se move sozinha. A construção de mundo é mais uma vez fascinante. E Ildithia ainda abriga alguns dos meus Épicos favoritos (inclusive uma cena em uma festa repleta deles!), com destaque para Larápio – um personagem assustador de um jeito nada óbvio, e que apresenta mistérios e novos problemas para os Executores (o que só deixa a trama mais difícil de resolver). Além disso, Sanderson traz de volta um Épico peculiar que já tinha aparecido em Tormenta: Falcão Paladino, um cara que você achava já ter superado, mas que é um personagem tão bizarro, que vai continuar te intrigando.

Gostei de ver um David um pouco mais maduro nesse livro. Embora ainda faça “improvisos” bem desesperadores nos momentos mais tensos, seu relacionamento com Megan e com os outros personagens evolui, bem como suas responsabilidades entre os Executores e sua forma de encarar os Épicos. E por falar em Megan, o leitor pode esperar algumas surpresas muito loucas nessa reta final da história, tudo graças a ela.

Ler Calamidade valeu muito a pena, e o final da trilogia Executores foi emocionante e está à altura da série. Me despedi de David e dos Executores desejando mais histórias, mas muito feliz por ter acompanhado essa – mais feliz do que uma lapiseira numa sapataria.

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Calamidade
Trilogia Executores – volume 3
Autor: Brandon Sanderson
Tradutora: Isadora Prospero
Editora: Aleph
Ano desta edição: 2018
382 páginas

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Citações favoritas

O sol espiava sobre o horizonte como a cabeça de um peixe-boi radioativo gigante.

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Eu sempre sonhara que os Executores fossem um tipo de força de defesa puramente humana – pessoas comuns lutando contra um inimigo extraordinário. Mas não era assim que acontecia, era? Perseu tinha o seu cavalo mágico, Aladim tinha a sua lâmpada, e o Davi do Antigo Testamento tinha a bênção de Jeová. Se quer lutar contra um deus, é melhor ter um do seu lado também.

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Fico feliz por você não ser a mesma Megan. Não quero que seja a mesma. A minha Megan é um nascer do sol, sempre mudando, mas bela o tempo inteiro.

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Não temo mais os poderes. Se a escuridão me tomar, eu encontrarei um caminho de volta.

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