[Resenha] O grande Gatsby

Sinopse:

Anfitrião das festas mais luxuosas de Nova York, Jay Gatsby é um jovem milionário que encarna o sonho americano dos anos 20. Admirado por todos e conhecido por ninguém, pouco se sabe sobre a origem da fortuna que fez com as próprias mãos.

É através dos olhos de Nick Carraway, seu vizinho e confidente, que nos aproximamos desse misterioso self-made man, e enxergamos o rastro de poeira imunda deixado pelo glamour e materialismo desenfreados.

Fonte: Antofágica

Festas regadas a champagne, pilhas de canapés, jantares chiques e jazz tocando ao vivo a noite inteira. O feitiço das noites na casa de Jay Gatsby, na Nova York da década de 1920, deslumbra não apenas a sociedade local. Assim como os frequentadores das festas, o leitor desse clássico se encanta com os gramados dourados da mansão e fica até tarde distraído com a bela prosa do autor – até que, como seus convidados, enfim nota o mistério que encobre a identidade desse personagem.

Conhecemos Jay Gatsby primeiro por suas festas extravagantes, depois pelos muito boatos em torno da origem de sua fortuna. É apenas quando seu vizinho Nick Carraway consegue se encontrar a sós com Gatsby, e recebe um pedido pessoal e inusitado, que a identidade desse curioso protagonista começa a se revelar.

A história de Gatsby, sua misteriosa origem e a motivação para ascender ao poder são o que dá ritmo ao andamento da trama. É uma triste história de amor que, por si só, já vale a leitura. Mas o ponto de vista sob o qual a conhecemos é igualmente relevante: esse livro é comumente usado como exemplo de história na qual o protagonista e o narrador em primeira pessoa não são o mesmo personagem. A mensagem mais impactante do romance só é possível graças ao ponto de vista de Nick Carraway, um recém-chegado à cidade, nem um pouco familiar com as festas ou com a fama do ricaço extravagante. A partir das experiências dele como forasteiro, frequentando a alta sociedade de Nova York e servindo de confidente para diversos personagens, o leitor é confrontado com as futilidades e incoerências das classes mais ricas. É com maestria que Fitzgerald usa esse recurso para mostrar o lado triste do sonho americano, revelando as mentiras da mobilidade social e da meritocracia, bem como a vida dos ricos, vazia mas ao mesmo tempo inabalável.

Uma grande metáfora a esse respeito, representada em poucos dias da vida dos personagens, faz com que o romance ressoe por muito tempo após a leitura e é parte do que o torna um retrato da sociedade e um clássico da literatura mundial.

Eu fiquei mesmo fascinada com O grande Gatsby. A escrita de Fitzgerald, cheia de descrições de opulência e gostosos jogos de palavras, transmite leveza ao descrever dias de verão idílicos, e ao mesmo tempo incomoda com os diálogos frívolos e a vida angustiante dessa Nova York dos sonhos inalcançáveis. Eu tinha assistido à adaptação de 2013 para o cinema, que é bem divertida, mas descobri que esse é um livro em que não basta conhecer a história, pois a estrutura e o estilo do autor fazem parte do pacote. Muitas pessoas festeiras se encantam pelo cenário do livro antes de mais nada, mas se você é pacato como eu, a leitura também é incrível, pela lírica e pela crítica social.

A nova edição da Antofágica traz na capa a mesma ilustração da primeira edição do livro, de 1925. Os paratextos do livro, escritos por Rita Von Hunty, Maria Elisa Cevasco e Facundo Guerra, ajudam a refletir sobre a podridão do capitalismo retratada pelo autor; e o posfácio de Sergio Rizzo discorre sobre as muitas (e não tão boas) tentativas de adaptar o romance para as telas.

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O grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradutor: Rogerio W. Galindo
Editora: Antofágica
Ano de publicação: 1925
Ano desta edição: 2020
278 páginas

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