[Resenha] Assassin’s Creed: Renascença

ac1Sinopse: 

Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade.

Fonte: Galera Record

Estava há tempos querendo começar essa série. Por falta de tempo/habilidade, só joguei o começo do primeiro jogo, mas a história me cativou, então comprei o box com os três primeiros livros.

O primeiro na verdade equivale ao segundo jogo (Assassin’s Creed II) e conta a história de Ezio Auditore, entre os 17 e os 44 anos. Sim, são 27 anos de história, em que muita coisa acontece na vida de Ezio, filho de um famoso banqueiro de Florença. Tudo começa quando seu pai e seus irmãos são traídos e executados – e Ezio sai em busca de respostas, encontrando no caminho a Ordem dos Assassinos. Não vou falar mais para quem não conhece a história (e quem tem o jogo já sabe de tudo isso), então vamos ao livro.

Os cenários e a trama são tão instigantes quanto eu imaginava: a Itália do século XV era um local efervescente, e o leitor encontra vários nomes conhecidos, além de alguns talvez não tão conhecidos (mas bem interessantes pra quem gosta do assunto, assim como os episódios históricos que servem de pano de fundo para a trama). O livro é uma secret history, na verdade, segundo a qual vários acontecimentos ao longo da história foram moldados por Templários e Assassinos.

Meu principal problema com a narrativa é o ritmo quase episódico dos capítulos: cada um praticamente conta toda uma missão de Ezio. As coisas acontecem sem pausa para o leitor respirar, uma após a outra. A lista de personagens no final da edição é bem necessária, inclusive, porque são muitas as pessoas que aparecem na obra.

Esse ritmo alucinante engaja o leitor, mas gosto de livros que exploram os personagens, e sinto que foi perdida uma ótima oportunidade de fazer isso: Ezio é um personagem envolvente, com um passado trágico, mas de caráter forte, compassivo e muito proativo. Lemos “flashes” de seu desenvolvimento ao longo dos anos, mas é como se o autor não pudesse parar em seu elenco de episódios para realmente explorar seus pensamentos e sentimentos. Outra oportunidade perdida foi realmente explorar as amizades que ele faz ao longo do caminho, com vários personagens interessantes: Leonardo da Vinci, Maquiavel, Caterina Sforza… gostaria de ter lido muito mais sobre como esses relacionamentos se desenvolveram.

Outro problema da obra é que faz uma coisa que não suporto: subestimar a inteligência do leitor. Tanto em diálogos como na narrativa, o autor insere informações completamente óbvias e desnecessárias, incluindo o que se costuma chamar de “maid and butler dialogue” (quando dois personagens discutem coisas que ambos já sabem, apenas para que o leitor conheça fatos importantes da trama). Mas, pelo que vi em vídeos diversos no YouTube, vários diálogos foram tirados do jogo, o que deve ser legal pra quem o conhece. Outra coisa que será reconhecida: momentos gratuitos (e hilários) em que Ezio se esconde em carroças de feno para escapar de perseguidores. (Mas tenho que dizer que não faz sentido nenhum, pra quem não jogou AC, quando Ezio dá uns Saltos de Fé, que são simplesmente mencionados no livro sem explicação.)

A minha edição – possivelmente porque foi comprada numa promoção do Submarino – tem vários erros, desde o nome do autor ter sumido da orelha até vários lapsos de revisão, e a tinta também estava meio fraca. Mas, apesar das falhas narrativas e editoriais e do ritmo acelerado, a história é muito divertida e os personagens são ótimos. Próxima parada: Irmandade.

*

Assassin’s Creed: Renascença
Autor: Oliver Bowden
Tradutor: Domingos Demasi
Editora: Record
Ano de publicação: 2011
378 páginas

Partes preferidas – e momentos bizarros (COM SPOILERS):

  • Quando o irmão de Ezio o leva ao médico depois de ele sair ferido de uma briga, e logo depois sugere uma corrida espontânea pelos telhados de Florença. Não sei muito sobre a medicina no século XV, mas sinto que em nenhuma época as pessoas achariam isso uma boa ideia.
  • O gaydar de Ezio é muito melhor do que no jogo. Ele entra no ateliê de Leonardo e em dois minutos entende tudo.
  • Ezio loser tentando flertar com Cristina! Adoro esses momentos em que ele só faz besteira. E gostei que ela o recusa quando ele a beija uns oito anos depois, fingindo ser o marido dela (Ezio, seu folgado!).
  • O assassinato discretíssimo de Alberti no meio de uma vernissage. E, como se não fosse o bastante, Ezio ainda anuncia seu nome e seus desejos de vingança em alto e bom som: o mais secreto dos assassinos. (Destaque para Lorenzo de Médici, um tempo depois, perguntando se era ele quem matou Alberti… cara, como você perdeu isso?!)
  • Ezio sendo completamente inútil no assassinato de Giuliano Médici e deixando até Lorenzo ser esfaqueado – aliás, ele some da narrativa por vários parágrafos (que raios ele tava fazendo?!) até tomar alguma atitude. Também igualmente incompreensível ele deixar o Francesco sair da igreja sem nem tentar ir atrás do cara!
  • Ezio vanguardista querendo pôr leite e açúcar no café.
  • Quando a narrativa diz que Ezio matava “apenas se não houvesse alternativa”… risos. Quer dizer, legal ele falar Requiescat in pace pra todo mundo e tal, mas ele sai cortando gargantas a torto e a direito! Podia muito bem só incapacitar uns guardinhas de vez em quando.
  • A iniciação dos Assassinos terminando com um pulo dos participantes e todo mundo olhando pro Ezio, esperando ele fazer o mesmo… imagina se ele tivesse errado, gente. Quem iria atrás dos Templários então? Vocês não pensaram direito nisso.
  • Irmã Teodora e Cateriza Sforza, destaque entre as várias mulheres legais do livro.
  • Leonardo da Vinci, apenas. ❤
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11 respostas em “[Resenha] Assassin’s Creed: Renascença

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  4. Tá aí uma série que eu quero muito ler. Não sou muito fã de videogames em geral, e por esse motivo não cheguei a jogar nenhum dos jogos Assassin’s Creed, mas me interesso muito pela história que a trama engloba.
    Tentarei adquirir o box com todos os livros nas minhas próximas compras, e assim que o fizer gostaria que desse uma olhada nas minhas futuras resenha sobre Assassin’s Creed.
    Bom, Isa, adorei a sua resenha e a temática do seu blog.
    Beijos e sucesso!

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