[Resenha] Assassin’s Creed: Irmandade

Esta resenha contém spoilers do primeiro livro da série.

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Sinopse: Roma, outrora poderosa, jaz em ruínas. A cidade está impregnada de sofrimento e degradação, os seus cidadãos vivem sob a sombra da impiedosa família dos Bórgia. Apenas um homem poderá libertar o povo da tirania Bórgia: Ezio Auditore. A demanda de Ezio irá testá-lo até aos seus limites. César Bórgia, um homem mais malévolo e perigoso que o seu pai, o Papa, não descansará enquanto não tiver conquistado a Itália. Nestes tempos tão traiçoeiros, a conspiração está por todo o lado, até no meio da própria Irmandade…

Fonte: Livraria Cultura.

Irmandade começa na cena final de Renascença – uma cena que é retomada, por algum motivo, com alterações (que notei porque tinha acabado de ler o outro livro!). Enfim, a história continua logo depois que Ezio – e o leitor – recebem várias revelações de Minerva. Eu estava me preparando para um livro parecido com o anterior, mas tive uma boa surpresa.

Vários dos problemas que citei na resenha de Renascença sumiram, ou pelo menos foram amenizados: a história se passa em bem menos tempo (quatro anos, mas a maior parte se desenvolve em dois), os diálogos soam mais naturais e a narrativa cortou bastante aqueles momentos de explicações desnecessárias. Por concentrar a ação num período menor, o livro não dá mais aquela sensação de ser “episódico”: as cenas são mais detalhadas e ficamos conhecendo melhor as estratégias dos Assassinos, podemos vê-los interagir com mais calma, e a tensão, inclusive, aumenta, pois há uma sensação maior de imediatismo. Os capítulos são bem menores que os de Renascença, então, apesar de este ser maior, a leitura vai rápido.

Desta vez, o cenário é principalmente Roma, mas uma Roma em decadência, dominada pela família Bórgia. O grande antagonista do livro não é mais Rodrigo, e sim seu filho, Cesare, ainda mais implacável que o pai. Às vezes a família toda, incluindo a irmã Lucrécia, chega a ser quase caricaturalmente vilanesca, mas relevando alguns exageros, são personagens que realmente parecem poder derrotar os Assassinos, vez ou outra. A relação de Rodrigo, Cesare e Lucrécia e o modo como os Assassinos usam as brechas entre eles para derrotá-los são bem instigantes.

Também é bem legal ver os Assassinos trabalhando juntos: Bartolomeo, La Volpe, Ezio, Maquiavel, Mario, entre outros, que não mencionarei pra não dar spoilers. Era exatamente disso que senti falta no primeiro livro.

E falando em interação… a melhor parte da história, pra mim, foi a relação entre Ezio e Nicolau “Eu não me faço de burro com ninguém” Maquiavel. Aparentemente existia uma rivalidade entre eles (na verdade, não me lembro disso ter sido dito no primeiro livro, mas beleza), e os dois batem de frente durante boa parte da trama. Maquiavel é um grande estrategista, mas Ezio não é nenhum idiota, e por trás da suposta inimizade há um respeito mútuo. Eu poderia ter lido umas 200 páginas deles irritando, questionando e contrariando um ao outro. Ah, e quanto a Maquiavel anotando num caderninho as coisas que Ezio diz, pra depois transformar em O príncipe: fe-no-me-nal.

Infelizmente, meu livro tinha ainda mais problemas de revisão que Renascença: exagero de pronomes, erros na concordância de palavras em italiano, várias confusões com tempos verbais (presente onde deveria ser passado, imperfeito onde deveria haver um mais-que-perfeito), entre outros. Fiquei bastante surpresa, porque nunca vi erros assim em nenhum outro livro da editora, e eles incomodaram bastante durante a leitura. Não sei por que esse descaso com uma série que vende tanto.

Enfim, Irmandade é bem melhor que seu predecessor, e me deixou animada para os próximos livros da série!

*

Assassin’s Creed: Irmandade
Autor: Oliver Bowden
Tradutor: Domingos Demasi
Editora: Record
Ano de publicação: 2012
392 páginas

+ Recomendado: o trailer literal do jogo.

Partes preferidas – e momentos bizarros (COM SPOILERS):

  • Todo mundo agindo como se Ezio não matar Rodrigo tivesse sido um ato de misericórdia: só eu pensei que ele estava querendo uma morte lenta pro cara?
  • Leonardo da Vinci aparece do nada. Gente, o que é isso? Fui até atrás do original e estava assim mesmo. De repente, Ezio olha pro Leo no meio da cena em que encontra Cesare e Lucrécia – e não há nenhuma menção anterior na narrativa de que Leo estava junto com os Bórgia. Era de esperar que Ezio notasse que um de seus amigos mais antigos estava andando com os inimigos, né?! Que falha.
  • A imagem mental do Ezio mordiscando uma coxa de galinha enquanto Maquiavel trabalha duro em uns documentos não tem preço.
  • Morri de pena do Ezio apaixonado pela Caterina, sendo usado e descartado e pensando nela toda hora. Coitado! E ela gostava dele no primeiro livro! De qualquer forma, é uma ótima personagem, e adorei vê-la desafiar Lucrécia, apesar dessa nova frieza dela ser inesperada…
  • Alguém já fez um mene do Ezio motivacional? Porque ele tem várias falas ótimas nesse livro, como “Uma pequena vitória” – “Elas se acumulam”, e esta, pra inspirar você na academia: “Olha, você consegue andar, não consegue? Então também consegue correr.”
  • Em que momento da vida Ezio aprendeu a reformar e decorar casas?
  • Claudia, dona de bordel! Por essa eu não estava esperando. Adorei ela nesse livro, corajosa, sem aceitar desaforo, se juntando aos Assassinos e botando o Ezio no lugar (embora a preocupação dele fosse completamente compreensível).
  • Falando nisso, adoro que Ezio continue pensando no pai e nos irmãos, e que reconheça como a morte deles moldou sua personalidade.
  • Fiquei muito tensa enquanto Leo estava sob o jugo dos Bórgia! Mas adoro que Ezio considera ter que matá-lo, até que o vê ele e desiste em 2 segundos. Pena que eles não tiveram mais tempo juntos (e pena que Leo e Maquiavel não interagiram – que oportunidade perdida! Imagina que cenas ótimas não seriam!). Também ri muito com Leo enciumado do Michelangelo.
  • Adoro que todo mundo discute os namorados do Leo com a maior naturalidade. Até o papa começa a fofocar com o Ezio sobre o Salai. (Claro que, comparado com o tipo de coisa que andava rolando no Vaticano, não era nada escandaloso…)
  • Em um momento, o livro menciona o “poder secreto” que deixava o Ezio invisível. Pera, é um poder secreto?! Achei que ele só tinha treinado pra caramba.
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3 respostas em “[Resenha] Assassin’s Creed: Irmandade

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