[Resenha] Um mais um

UmMaisUmSinopse:

As coisas andam ruins para Jess Thomas. Muito ruins. O marido se mandou. Ela tenta sustentar os dois filhos trabalhando em dois empregos. Sempre foi otimista. Sempre fez tudo certo. Como seria se, só uma vez, ela fizesse algo definitivamente errado, mas que poderia mudar a vida deles?
Ed Nicholls é um milionário do ramo da tecnologia cuja vida está desmoronando quando ele se depara com Jess e a família na beira da estrada. Em um ato de generosidade, ele concorda em lhes dar a carona que poderá mudar para sempre a história de Jess.

Fonte: Intrínseca

Como já devo ter confessado por aqui, sou dessas que escolhe o livro pela capa. Este foi um desses casos – nunca me interessei muito pelos livros da Jojo Moyes, que não pareciam meu tipo de leitura. Mas quando vi essa capa linda, tão diferente das outras da autora (e também quando li a resenha do Sobre Livros e Traduções), resolvi dar uma chance a esta obra.

O livro conta a história de cinco personagens: Jess Thomas é uma mãe divorciada que faz milagres com sua renda de faxineira e garçonete para sustentar os dois filhos. Além das preocupações com dinheiro, ela precisa pensar na segurança da família: Nicky, um adolescente calado, que gosta de video games e usa rímel, tem sofrido bullying, incluindo agressões físicas graves. Tanzie, a garota mais nova, corre o risco de passar pelas mesmas situações, pois é um gênio da matemática que não se encaixa nem um pouco no perfil das outras garotas de sua idade. Para completar a família, temos Norman, o enorme e carinhoso cão de Tanzie.

Paralelo aos Thomas, conhecemos a vida de Ed Nicholls, um milionário do ramo da computação, que está passando por graves acusações legais e corre o risco de perder todo o seu dinheiro e talvez até ser preso.

A família Thomas descobre uma oportunidade única de participar de uma competição de matemática, cujo prêmio pode mudar suas vidas, permitindo que o pequeno gênio que é Tanzie frequente uma escola particular e desenvolva seu potencial. E é a caminho dessa competição que eles encontram Ed, que, tentando fugir dos próprios problemas, acaba oferecendo uma carona para eles, numa viagem de cinco dias até a Escócia.

O carro de Ed então se enche de colegas de viagem bastante diferentes – inclusive Norman, cujos pelos e saliva destroem o estofamento –, garantindo muitas horas de estrada bem estressantes. Para completar, Jess implica e discute o tempo todo com Ed, devido ao primeiro contato que teve com ele, em seu trabalho de faxineira.

O relacionamento do casal, assim como vários outros caminhos da trama, são bastante previsíveis. Eu teria detestado se o foco do livro fosse apenas no romance Jess/Ed – a mulher pobre, mas forte e orgulhosa, e o homem rico, de bom coração, mas traumatizado por seus relacionamentos passados. Entretanto, o livro vai além disso. Ambos os personagens têm sérios problemas familiares e de confiança, que são trabalhados de forma interessante. Fiquei positivamente surpresa com como a autora mostrou os dois lados de cada história, e retratou o mundo de uma forma bem realista: em sua história, há personagens bastante cretinos, mas que não são punidos pelo destino nem nada assim. Pelo contrário, acabam se dando bem, e nossos protagonistas têm que engolir e lidar com isso.

Um dos assuntos tratados, e de uma forma muito verossímil, é o bullying: a autora não ameniza as feridas que esse tipo de perseguição pode causar. Aliás, Nicky é meu personagem favorito. Calado e muito bonzinho, ele não tem sentimentos vingativos nem de revolta contra os pais que o abandonaram (Jess é, na verdade, sua antiga madrasta), nem contra os garotos que o perseguem. Tudo o que quer é ser deixado em paz. Um garoto bem maduro para sua idade, com muito carinho por Jess e Tanzie, ele cativa o leitor, e gostei em especial dos capítulos dele (cada capítulo mostra, em terceira pessoa, o ponto de vista de um dos protagonistas).

Tanzie também é uma ótima personagem: radiante e simpática, cativa não apenas o leitor, como todos os que convivem com ela. Como os outros personagens, ela sofre mudanças ao longo da trama, passando por momentos bem tristes, nos quais me solidarizei não apenas com a menina, mas com sua mãe – Jess é forte e conhecida por seu otimismo, o que torna um pouco desesperador os momentos em que se vê incapaz de resolver os problemas enfrentados pela filha.

De fato, como eu havia imaginado, o livro não se tornou um dos meus favoritos. Mas isso não significa que não valeu a pena conhecê-lo, pelo contrário: às vezes é bom variar um pouco de gênero, dar chance a estilos novos. Apesar da previsibilidade da trama em geral, algumas cenas me surpreenderam, e o ritmo da narrativa era tão gostoso que eu sempre queria ler “só mais um capítulo”. E gostei muito das lições de vida aprendidas pelos personagens – em especial a parte sobre acreditar na bondade dos outros. Um mais um acabou se revelando uma leitura muito gostosa e descontraída, com personagens bem construídos.

*

Um mais um
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Tradutora: Adalgisa Campos da Silva
Ano desta edição: 2015
320 páginas

Livro cedido em parceria com a Intrínseca

Citações favoritas

Sabe, você passa a vida inteira sentindo que não se encaixa direito em lugar algum. E aí um dia entra numa sala, seja na faculdade, seja num escritório ou em alguma espécie de clube, e diz simplesmente: “Ah, aí estão eles.” E de repente se sente em casa.

*

Talvez não me encaixe na minha família do mesmo modo como você, direitinho […]. Acho que, de certa forma, meu lugar é com eles.

*

Vá e receba sua punição. Depois volte e recomece. […] Faça melhor ainda da próxima vez. Sei que você consegue.

*

Pensei que as pessoas resolvessem todas essas coisas quando ficassem mais velhas, porém, obviamente, não resolvem.

2 respostas em “[Resenha] Um mais um

  1. Gracinha esse livro. Eu li todos da autora e esse é o meu preferido (me sinto até um pouco mal de dizer que não gostei tanto assim de “Como eu era antes de você”, que parece ser o preferido geral! =s). Nicky também é o meu favorito e também acho que o personagem que merecia ser punido precisava de um desfecho menos feliz (eu senti muita raiva, não sou igual ao Nicky, não! Haha). Mas fazer o que, acho que Jojo foi bem realista nessa parte… Que bom que gostou do livro, Bárbara! =)

    • Brenda, a paz de espírito do Nicky me impressionou muito (eu também senti muita raiva!). Achei essa construção bem original da parte da autora – seria bem clichê que o adolescente caladão fosse revoltado com a vida.
      Obrigada pelo comentário! ;*

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