[Resenha] Nimona

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Sinopse:

Nimona é uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu. Mas ela não sabia que seu herói possuía escrúpulos. Agora, Coração-Negro não só tem que enfrentar seu arqui-inimigo e ex-amigo, o célebre e heroico Sir Ambrosius Ouropelvis, mas também impedir que a fiel comparsa destrua todo o reino ao tentar ajudá-lo. Uma história subversiva e irreverente que mistura magia, ciência, ação e muito humor sobre camadas e mais camadas de reflexão – entre uma batalha e outra, é claro.

Fonte: Intrínseca

Ballister Coração Negro é um vilão. E é por isso que Nimona gosta dele. Um dia, ele entra em seu laboratório supersecreto e encontra essa adolescente de cabelo rosa mexendo em suas coisas e se sentindo em casa. Nimona ousadamente se autoproclama sua nova assistente e, depois de ser muito insistente e chatinha, é aceita para trabalhar com Coração Negro.

Mas o sonho da garota de ser assistente de vilão logo encontra seu primeiro obstáculo: a decepcionante constatação de que Coração Negro não é tão mau assim. Ao contrário do que ela esperava, ele tem escrúpulos e segue princípios éticos. Em suas missões juntos, ele dá várias broncas em Nimona quando a poderosa garota – que é uma metamorfa – mata os guardas em vez de arranjar um jeito pacífico de passar por eles.

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O que Nimona quer é incrementar os planos do chefe, que sempre dão errado, colocando um tanto mais de crueldade e explosões para poder enfim derrotar seu arqui-inimigo, o herói Ambrosius Ouropelvis. Mas Coração Negro, Ouropelvis e o resto do reino são controlados pela Instituição, que dita as regras e define os limites de heroísmo e de vilania praticados. Com um passado cheio de traumas e uma relação atual bastante dúbia, Coração Negro e Ouropelvis se enfrentam apenas por tradição e para manter o status quo, em batalhas nas quais o herói sempre sai ganhando, e o vilão escapa para planejar seu próximo ataque. É uma sociedade engessada, em que cada um conhece e pratica seu papel, mas Nimona chega para mudar as coisas. Ela se torna não apenas o pivô de muitas mudanças, mas também guia o leitor por um questionamento sobre os clichês da fantasia e as definições de bem e mal nesse tipo de universo.

A protagonista é encantadora, uma mistura de fofura e girl power elevado a níveis astronômicos, e é bastante complexa, com fraquezas, defeitos e um background misterioso. Seu relacionamento com Coração Negro é central para a trama e também conquista facilmente a simpatia do leitor. O espírito alegre e divertido de Nimona, que é imprevisível e inconsequente, contrastam com a austeridade e a frieza de Coração Negro, fazendo dos dois uma dupla muito fofinha. Entre um plano maligno e outro, eles têm momentos muito íntimos e normais discutindo sobre sabores de pizza ou jogando jogos de tabuleiro, e é possível sentir os dois se tornando próximos. E esse desenvolvimento é muito útil à medida que a obra se desenvolve e se torna muito mais focada nos personagens do que em seus planos e batalhas (que, apesar disso, são bem emocionantes).

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O cenário da HQ é bem interessante: vários elementos da história remetem à fantasia medieval (monarquia, vestuário, batalhas em justas, um pouco de magia), mas a ciência é avançada (os personagens conversam por teleconferência, assistem ao noticiário na tevê e usam armas de fogo). Essa mistura torna o universo criado por Stevenson bem diferente, e lhe permite articular a trama tornando indispensáveis tanto elementos de fantasia como de tecnologia. Aliás, uma das discussões secundárias da obra é a da ciência versus magia – Coração Negro é um cientista cético, mas não encontra nenhuma lógica na existência dos poderes de Nimona, que está sempre lhe lembrando que a magia não precisa de maiores explicações.

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[SPOILER]

O único aspecto dessa HQ que me decepcionou um pouco foi o queerbaiting (obrigada à Isa por me ensinar o que é isso e, consequentemente, estragar um pouquinho a minha vida). Fiquei shippando dois personagens loucamente, sabendo que eles com certeza tinham sentimentos um pelo outro, e minha esperança só morreu no último quadrinho. Em entrevista online, a autora declarou que os personagens em questão tiveram, sim, um relacionamento, e que ela se arrepende de não ter deixado isso mais claro no livro, uma vez que a representatividade LGBT é importante para ela. Moça, por favor lance um spin-off pra compensar.

[Fim do spoiler]

Publicado originalmente como uma webcomic separada em vários capítulos, Nimona tem um desenho simples e lindo e uma história envolvente, divertida e rápida de ler. A edição da Intrínseca traz ao final alguns estudos de desenvolvimento de personagem, além de duas historinhas extras, que foram publicadas como especiais de Natal.

*

Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Tradutora: Flora Pinheiro
Editora: Intrínseca
Ano desta edição: 2016
272 páginas

Exemplar cedido em parceria com a Intrínseca.

Alguns quadrinhos fofos:

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2 respostas em “[Resenha] Nimona

  1. Olá! Sua resenha me deixou muito empolgada, já tinha visto o pessoal fazendo vídeos sobre esse quadrinho antes de ele ser traduzido e fiquei com muita vontade de ler. Pela sua resenha, é uma HQ que realmente promete boas aventuras. Abraço!

  2. Pingback: [Especial] Livros favoritos de 2016 | Sem Serifa

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