[Resenha] O planeta dos macacos

o-planeta-dos-macacos-capaSinopse:

Em um futuro não muito distante, três astronautas pousam em um planeta bastante parecido com a Terra, repleto de florestas luxuriantes e com clima ameno e ar perfeitamente respirável. Mas esse lugar – um pretenso paraíso – não é o que parece. Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante… os macacos.

Fonte: Editora Aleph

Um casal de cosmonautas em lua de mel, viajando a sós pelo espaço a bordo de um veleiro movido a painéis solares, encontra um inusitado objeto à deriva no vácuo: uma garrafa. Assim começa O planeta dos macacos, que é uma narrativa emoldurada por outra – dentro da garrafa, o casal encontra papéis com o relato das desventuras de Ulysse Mérou, outro cosmonauta e narrador-protagonista da história.

Desde o início, Ulysse anuncia que seu relato não terá um final agradável, mas que também não tem esperança de conseguir ajuda, e escreve apenas para alertar sobre os males que viveu e as ameaças que eles representam. Ele foi tripulante de uma missão com três astronautas que viajariam pela primeira vez ao sistema de Betelgeuse. O cientista chefe da missão, doutor Antelle, sempre fora cronicamente antissocial e até antipático à raça humana, de modo que Ulysse, que era jornalista e não astronauta, se sentia honrado de poder participar dessa jornada e absorver todo o conhecimento que Antelle raramente compartilhava.

Ao chegar no sistema de Betelgeuse, os três não apenas encontraram um planeta com as mesmas condições climáticas e atmosféricas que a Terra, como o tal planeta era habitado por animais e plantas muito semelhantes aos nossos. Mas a parte surpreendente e bizarra é que havia humanos no planeta. Não humanos inteligentes, mas versões animalescas de nossa espécie, que andavam nus na floresta, sem falar ou exprimir sentimentos. Em contraste com essas bestas, o planeta, batizado de Soror, abrigava uma espécie inteligente e desenvolvida: os macacos.

Ulysse e seus colegas descobrem naquele planeta uma sociedade organizada, com comunicação escrita, televisão, casas, prédios, carros e até aviões. Tudo isso desenvolvido por chimpanzés, orangotangos e gorilas, três espécies que trabalham em cooperação, apesar de ter uma divisão de papéis bem estabelecida.

Para azar dos terráqueos, os humanos em Soros são tratados da mesma forma que os macacos na Terra. São caçados e enjaulados e, quando não têm a sorte de ser enviados a um zoológico, são utilizados para todos os tipos de experimentos científicos. É esse o destino de Ulysse, que acidentalmente se separa dos outros dois homens e vai parar em uma jaula num laboratório. Lá, vai presenciar todo tipo de tratamento bárbaro que estamos mais do que acostumados a ver executados em animais, mas que ali usam humanos como cobaias. O desafio de Ulysse será convencer os macacos de que ele é inteligente e de que há outros humanos como ele.

Simples e direta, esta obra de Boulle é quase um ensaio sobre a condição humana. É um livro curto e bem rápido de ler, sem grandes subtramas e que, apesar de usar muitas metáforas, as explica de forma bem clara e fácil para o leitor. Fala sobre a empatia com os animais e sobre o que nos diferencia deles, além de fazer críticas bem interessantes à nossa sociedade e à falta de inovações verdadeiras na ciência e na arte. Os primeiros pareceres apresentados sobre o tratamento dado a humanos em Soror parecem um tanto óbvios e repetitivos, mas, à medida que a leitura avança, começam a aparecer algumas análises mais interessantes sobre os temas que mencionei.

Como tantos outros livros de sua época, O planeta dos macacos tem personagens femininas fracas e bobinhas, que se resumem a: uma humana selvagem gostosa de uns 16 anos e uma cientista chimpanzé inteligentíssima, mas submissa à opinião dos homens. A paixonite quase imediata que ambas desenvolvem pelo protagonista é bem esquisita (seria Ulysse um George Clooney irresistível?), e forma um triângulo amoroso bem dispensável para a trama, mas que pode ser perdoado considerando a época da escrita do livro.

A edição da Aleph traz 40 páginas de conteúdos extras, que consistem em: uma entrevista com o autor sobre a adaptação da obra para o cinema; um ensaio jornalístico sobre a vida e obra de Pierre Boulle; e um texto muito esclarecedor de Bráulio Tavares sobre as diferenças entre a ficção científica americana e a francesa.

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O planeta dos macacos
Autor: Pierre Boulle
Tradutor: André Telles
Editora: Aleph
Ano de publicação: 1963
Ano desta edição: 2015
216 páginas

Uma resposta em “[Resenha] O planeta dos macacos

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