[Resenha] Você já é feminista!

feministaSinopse:

O livro apresenta 23 textos de autoras como Djamila Ribeiro, Luísa Marilac, Lola Aronovich, Nana Queiroz, Amara Moira, entre outras ativistas atuantes na Primavera das Mulheres – que colocou em evidência as novas faces do feminismo na era da Internet. Nos textos, temas como ambiente de trabalho, divisão de tarefas domésticas, machismo, tabus sexuais, parto, legalização do aborto, maternidade e família são discutidos na forma de ensaios acessíveis e introdutórios, que juntos formam um panorama das novas vertentes da discussão sobre gênero atual e sobre os direitos da mulher. Com apresentação da filósofa Marcia Tiburi.

Eu já acompanhava e admirava o trabalho da Revista AzMina há algum tempo quando este livro foi anunciado. Claro que, ansiosa que sou, comprei na pré-venda, li assim que minhas aulas do semestre passado acabaram e… Não consegui resenhar! Mas a Semana da Mulher veio aí para que eu me redimisse e compartilhasse minhas impressões sobre essa leitura.

Começarei pelo título: ele é essencial, em uma época em que há muitas mulheres rechaçando o título de feminista por não compreenderem o que essa palavra significa. Não é sobre superioridade de um gênero sobre o outro; é sobre equidade e justiça. Para quem ainda estiver em dúvida, a introdução do livro esclarece bem essa questão, e acrescenta:

“Ou seja: ser mulher e não ser feminista seria um contrassenso sem tamanho. Seria como ser um cachorro e não ser a favor dos direitos dos animais.”

O conteúdo é dividido em quatro partes, compostas por artigos curtos e fáceis de ler.  A primeira delas chama-se “Bê-a-bá do feminismo”, e faz jus ao nome. Quem chegou agora na discussão consegue colocar-se a par dela, e quem já é mais versada no assunto refresca a memória para as discussões que seguem. Essa parte conta com o quiz “Qual corrente do feminismo melhor te representa?”, que lembra bastante testes de revista adolescentes a princípio. Mas fazer esse teste acaba sendo menos sobre escolher uma vertente e mais sobre identificar o que as diferencia, e gostei que todas as correntes foram tratadas de forma respeitosa.

A segunda parte chama-se “Identidades”, e aborda identidade de gênero (incluindo um guia inclusivo de gêneros!), orientação sexual, raça e divisão sexual do trabalho. Para cada um dos assuntos, uma autora diferente que vive o assunto abordado. Os textos continuam sem formalidades desnecessárias, aproximando a leitora de cada tópico e despertando empatia para as questões que não nos tocam diretamente.

A seguir vem a parte “Direito ao corpo”, que aborda prazer sexual, pornografia, prostituição, cultura do estupro, parto e aborto. Gostei muito da ordem em que esses assuntos foram elencados e como cada texto nos impacta de maneira diferente, embora todos os temas estejam intimamente relacionados. Novamente, é tudo tratado com bastante respeito e sem melindres.

Por fim, temos “Por uma cultura de equidade”, que aborda de forma prática maneiras de transformar o cotidiano e caminhar rumo a uma sociedade mais equalitária. Senti que essa parte é um pouco mais densa, e fala desde a questão da moda até a violência doméstica.

Tive um pouco de medo de o livro ser “voltado para principiantes” e redundar demais com os meus conhecimentos, mas não foi o que aconteceu. A leitura me deu novo fôlego para lidar com os percalços diários, e me fez admirar ainda mais a equipe da revista. Além disso, ao longo do livro há várias indicações bibliográficas para quem quer se aprofundar em um assunto ou em outro. Não poderia deixar de dizer que o projeto gráfico merece um abraço à parte: a escolha de pantones foi certeira e deixou o livro lindo. As ilustrações são divertidas e bem representativas.

Recomendo a leitura para mulheres que querem saber mais sobre o feminismo e para aquelas que precisam refrescar suas ideias sobre ele. Também indico para homens que querem ser aliados na nossa luta contra o machismo estrutural, mas precisam se situar.

*

Você já é feminista
Organizadora: Nana Queiroz
Editora: Pólen
Ano de publicação: 2016
174 páginas

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A verdade é que não há clubinho, porque não existe hierarquia. Ninguém manda. Mas há vertentes, e inúmeras vezes essas vertentes discordam entre si.

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