[Resenha] Fim do Império

Esta resenha contém SPOILERS dos primeiros volumes da trilogia Aftermath: Marcas da guerra e Dívida de honra.

fim-do-imperioSinopse:

A Batalha de Endor destruiu o Império, espalhando pela galáxia suas forças remanescentes. Mas os meses após a vitória da Rebelião não têm sido fáceis. A Nova República sofreu um ataque devastador dos vestígios do Império, forçando a recém-formada democracia a intensificar sua caçada pelo inimigo escondido.
Agora, as frotas imperiais orbitam o árido planeta Jakku, enquanto caças da República se aproximam para a batalha final. Norra Wexley e sua equipe se envolvem em uma luta apocalíptica que promete devastar céu e terra. O futuro da galáxia finalmente será decidido.

Fonte: Aleph

ABRAM ALAS PARA O FINAL DA TRILOGIA COM OS MELHORES LIVROS DE STAR WARS. (O blog é meu e me reservo o direito de exagerar no caps lock quando achar necessário.) Fim do Império finalmente chega aos leitores brasileiros, trazendo os personagens pelos quais nos apaixonamos nos volumes anteriores e um desfecho maravilhoso não apenas para a trilogia como para a guerra contra o Império.

Depois de ganhar muita importância no cenário galáctico no volume anterior, os personagens de Chuck Wendig agora terão participação ativa na batalha final contra o Império. Planos secretos de Palpatine, envolvendo o planeta Jakku, são revelados, e com isso a Nova República terá a chance de derrubar de vez a frota imperial.

Assim, desde as primeiras páginas o leitor sabe que o grand finale da trilogia será a Batalha de Jakku – o embate final contra o Império, com o nível de importância da Batalha de Endor. Mencionada pela primeira vez no romance Estrelas perdidas, de Claudia Gray, essa é a batalha que deixou tantas naves destruídas espalhadas no planeta Jakku – aquele cenário pós-apocalíptico incrível que a Rey explora em O despertar da Força. A batalha é grandiosa e emocionante, e vale a pena aguardar ao longo do livro, enquanto o autor constrói a tensão e o cenário político que culminarão nela.

Wendig se mantém fiel à proposta da trilogia: mostrar muitas nuances da guerra. Fugindo da leitura mais simplista apresentada nos filmes originais, os capítulos que descrevem a Batalha de Jakku dão bastante destaque para as perdas imensas sofridas pelos rebeldes e mostram os muitos impactos causados pela guerra. Além dos traumas e lutos, dúvidas e insegurança atormentam os personagens, dando-lhes mais profundidade.

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Pra você que assistiu O despertar da Força e ficou se perguntando como esse destróier foi parar aí, Fim do Império tem a resposta.

A novidade é que agora Wendig trabalha um novo vilão, cuja importância foi crescendo nos volumes anteriores. Enquanto Dívida de honra explorou fortemente a dualidade Norra/Sloane, agora temos a oposição Sloane/Gallius Rax. Rax é um forte inimigo da República, e tornou-se também um inimigo de Sloane, o que faz com que a grã-almirante, em alguns momentos, não seja a maior vilã deste livro. Gosto muito da mudança de perspectiva que o autor apresenta, relativizando as intenções e a moralidade de personagens fiéis ao Império, além de mostrar diferentes visões dentro desse lado político. Gallius Rax, por exemplo, é cético em relação à Força – mostrando que nem só de Siths vive o Império –, e suas ferramentas de dominação são políticas e militares. E conhecemos também um pouco da formação de Armitage Hux, o general que trabalha ao lado de Kylo Ren nos filmes.

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Fan art por first-disorder. Antes de ser interpretado por Domhnall Gleeson, Armitage Hux já era lindo e perturbado.

A República também ganha mais pontos de vista. Vários capítulos são contados do ponto de vista da senadora Mon Mothma, e a partir desse foco narrativo vemos as complicações políticas internas do novo governo. Não chega a ser um livro tão político quanto Legado de sangue, mas também mostra as oposições dentro da própria República, e as dificuldades de construir uma democracia. Mais uma vez, o novo cânone de Star Wars está desmontando o maniqueísmo da trilogia original.

Mas é claro que o que me conquistou de verdade nessa trilogia foram os novos personagens, e foi uma delícia revê-los. Temmin continua crescendo e se tornando uma pessoa madura e um piloto valoroso para a Nova República. Jas continua tendo conflitos interessantes, um passado curioso e as melhores cenas de ação. E se você não está shippando Sinjir e Conder, você está errado.

Um dos temas que o autor aborda é a maternidade. Norra continua tendo suas preocupações em relação à criação de Temmin – agora não tanto relacionadas ao abandono do garoto, mas principalmente ao retorno do pai e às reviravoltas que o fizeram trair a república. Ela está constantemente dividida entre os interesses e necessidades de sua família e da República. Outra mãe que começa a lidar com esses conflitos é Leia, que está com a gestação bem avançada. Após uma vida inteira dedicada à política, a princesa de Alderaan começa a se dedicar também à vida familiar – e a se preocupar com o que o futuro da galáxia trará para o seu filho.

Os interlúdios estão menos interessantes que os de Dívida de honra – que, por sua vez, eram menos interessantes que os de Marcas da guerra. Apenas dois deles foram realmente legais – um continuava a história da tripulação da Desgoverno da Liberdade, e outro mostra brevemente o destino de Chewie. E por algum motivo o autor colocou um interlúdio com Jar Jar Binks, tentando redimi-lo perante os fãs de Star Wars. Mas não acho que cole.

Chuck Wendig é a rainha de Star Wars – acho que nenhum autor do Universo Expandido atual capta tão bem a essência da franquia. Ele faz pelo novo cânone o que Timothy Zahn fez pelo universo de Star Wars anteriormente (nos livros agora integram o selo Legends), e espero que receba o merecido reconhecimento entre os fãs.

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Fim do Império
Trilogia Aftermath – Volume 3
Autor: Chuck Wendig
Tradutora: Isadora Prospero
Editora: Aleph
Ano desta edição: 2018
448 páginas

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Citações favoritas:

E a justiça, no fim das contas, não é só um nome para vingança institucional? Cometa um crime, pague pelo crime. O castigo sempre chega, seja pelas mãos de um órgão governamental ou de um soldado solitário.

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UM ABRAÇO É COMO VIOLÊNCIA FEITA DE AMOR.

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O Império tem sido seu inimigo por tanto tempo – o que vai acontecer quando desaparecer? É como apagar um fogo sugando todo o oxigênio da sala. O fogo está apagado, mas como você respira?

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Parte dela quer confortá-lo; outra parte quer pegar a arma de raios dele e bater o cabo na sua cabeça até ele arranjar um pouco de juízo.
(Norra Wexley, sobre ser casada.)

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De novo há o confronto da velha dicotomia: justiça versus vingança. Justiça é da mente. Vingança do coração. Qual vence? Qual merece vencer?

*

– Ei. Somos você e eu, garoto. A maldita galáxia inteira contra nós, mas vamos conseguir. Eu não vou ser sempre o melhor pai… quer dizer, não sei que diabos estou fazendo aqui. Mal consigo cuidar de mim mesmo. Mas sempre vou nos manter apontados na direção certa… mesmo que haja uns zigue-zagues no caminho até ela. Aqui vai sua primeira lição: às vezes fazer a coisa certa não significa seguir uma linha reta. Às vezes você tem que… – Ele gesticula como se fosse um peixe nadando de um lado para outro, esquerda e direita e para cima e para baixo. – Não conte para sua mãe que eu disse isso.
(HAN SOLO FALANDO COM SEU FILHO RECÉM-NASCIDO, MEU CORAÇÃO NÃO AGUENTA)

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