[Resenha] Fun Home: uma tragicomédia em família

funhomeSinopse:

Pouco depois de revelar à família que é lésbica, Alison Bechdel recebe a notícia de que seu pai morreu em circunstâncias que poderiam indicar um suicídio. Nesta aclamada autobiografia em quadrinhos, Bechdel explora a difícil, dolorosa e comovente relação com o pai.

Fonte: Todavia

Quando a editora Todavia lançou a nova edição brasileira de Fun Home, no ano passado, eu nunca tinha ouvido falar desse título. Consequentemente, comecei minha leitura sem desconfiar que tinha em mãos um grande marco das histórias em quadrinhos norte-americanas. Foi uma grata surpresa, e é por isso que às vezes é tão legal confiar nas recomendações de amigos e aceitar encontros às cegas com livros emprestados.

O que encontrei nas páginas dessa HQ é uma biografia da autora, Alison Bechdel, centrada em seu relacionamento com o pai, uma figura enigmática e distante. Na orelha do livro, Bruce Bechdel é descrito como um “agente funerário de terceira geração, professor de inglês do ensino médio, restaurador compulsivo da casa vitoriana da família, especialista em preservação histórica, um pai distante e frio e um homossexual enrustido que se envolveu com alunos e com o baby-sitter de seus filhos”. Tanto esse caricato personagem como a vida da família Bechdel parecem ficção. A autora capta e registra cada sutileza da personalidade do pai, descrevendo-o e analisando-o de uma forma que às vezes só conseguimos fazer com personagens inventados. Da mesma forma, transforma cada um de seus familiares em um personagem vívido e interessante.

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Ao longo da narrativa, ela nos conta, de forma não linear, sua infância, adolescência e a vida adulta antes e depois da morte do pai, além de mostrar flashbacks que remontam à origem da família. Alison cresceu em uma cidade interiorana nos EUA, com seus pais e dois irmãos. Os Bechdel tinham a perfeita fachada de uma família tradicional, mas Fun Home escancara a realidade por trás dos muros do casarão vitoriano: um casamento sem amor, filhos criados com distanciamento e rigidez, um pai homossexual que se envolvia com menores de idade, uma filha avessa a padrões de feminilidade.

A narrativa tem muitas citações, pois Bechdel traça paralelos entre a sua vida e trechos de obras literárias e filosóficas, incluindo autores como Proust, Henry James e Fitzgerald (o favorito do pai). A paixão pelos livros é um dos delicados elos entre pai e filha, e é significativo que a autora utilize os livros como ferramenta para contar a história desse relacionamento.

Recomendo fortemente esse clássico não apenas a fãs de HQs, mas a leitores de biografias e literatura em geral. É uma obra poética, narrada com maestria e delicadeza. Para quem quiser mais sobre essa história, Fun Home foi adaptado para um premiado musical da Broadway e ganhou uma espécie de continuação, Você é minha mãe?, sobre a relação da autora com a mãe.

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Fun Home: uma tragicomédia em família
Autora: Alison Bechdel
Tradutor: André Conti
Editora: Todavia
Ano de publicação: 2006
Ano desta edição: 2018
234 páginas

Trechos favoritos:

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