[Resenha] O ano em que disse sim

Sinopse:

Um livro motivador da aclamada e premiada criadora e produtora executiva dos sucessos televisivos Grey’s Anatomy, Private Practice e Scandal, e produtora executiva de How to Get Away with Murder. Você nunca diz sim para nada. Foram essas seis palavras, ditas pela irmã de Shonda durante uma ceia de Ação de Graças, que levaram a autora a repensar a maneira como estava levando sua vida. Apesar da timidez e introversão, Shonda decidiu encarar o desafio de passar um ano dizendo “sim” para as oportunidades que surgiam. Os “sins” iam desde cuidar melhor de sua saúde até aceitar convites para participar de talk shows e discursos em público. Além disso, Shonda deu um difícil passo: dizer sim ao amor próprio e ao seu empoderamento. Em O ano em que disse sim, Shonda Rhimes relata, com muito bom humor, os detalhes sobre sua vida pessoal, profissional e como mergulhar de cabeça no “Ano do Sim” transformou ambas e oferece ao leitor a motivação necessária para fazer o mesmo em sua vida.

Fonte: BestSeller

Eu amo trabalhar com livros, de verdade. Mas tem semanas em que eu não quero fazer nada além de vegetar na frente de uma série e esperar o sono chegar. Foi assim que cheguei à décima temporada de Grey’s Anatomy em um período vergonhoso de tempo.

Além de estar cultivando um diploma médico fictício, também fiquei imensamente frustrada. Tenho TANTOS livros empilhados que realmente quero ler e me sinto culpada por estar investido tanto tempo nos dramas de Meredith Grey. Meu problema de gerenciamento de tempo vem, basicamente, de que não consigo dizer não para nada. Obviamente isso resulta numa sobrecarga idiota e em Giovana vegetando na frente de Grey’s Anatomy durante qualquer brecha de tempo.

Bom, já que eu estava obcecada por essa criação da Shonda Rhimes e gosto de arejar a cabeça com não ficção, comprei O ano em que disse sim. O livro é o relato de Shonda sobre como passou a desafiar a aceitar todos os convites que recebesse por um ano depois que a irmã dela a informou que “Você nunca diz sim para nada”.

Como eu estava profundamente conectada às personagens da autora, esperava que essa obra tivesse sobre mim o efeito devastador que A arte de pedir teve. Embora eu tenha lido as 250 páginas em mais ou menos dois dias – o que é significativo por eu estar sem leituras espontâneas há alguns meses –, não chegou nem perto.

Eu me diverti bastante com a leitura porque a obra é escrita de uma maneira informal que nos aproxima de Shonda; se tem uma coisa que essa mulher sabe escrever é um bom diálogo. Fiquei espantada com a timidez que a autora conta ter e como evitava se expor e receber atenção, mesmo depois de receber muito reconhecimento e ter a própria produtora (com um nome meio narcísico hehe): Shondaland.

Ao contar sua trajetória pessoal, ela apresenta como essenciais os fatos de ser mulher, negra e mãe. Fala de como é difícil ser a primeira a alcançar um objetivo – com toda a pressão de ter seus fracassos refletidos sobre outras mulheres e pessoas não brancas – e a importância de ter uma babá. Demonstra que o hábito que ela tinha de negar tudo que lhe aparecesse era uma forma muito discreta de suicídio, incluindo sua relação nociva com comida. Conta que ela não pretendia ser escritora de roteiros, queria ser a Toni Morrison. Relata momentos com sua equipe que me fizeram imaginar que ela deve ser uma chefe incrível.

“Eu receberia este prêmio em reconhecimento a ter quebrado os tetos invisíveis da indústria, como mulher e como afro-americana. (…) Atravessar a barreira para o outro lado foi simplesmente uma questão de correr por uma trilha criada pelas pegadas de todas as outras mulheres. Porque isso foi um esforço coletivo.

É muito bonito ver como Rhimes pensa muito no impacto de ter crescido cercada por irmãos em sua personalidade e também em como suas atitudes influenciam suas filhas, sua equipe e a maneira como o público pode compreender determinadas histórias – ela inclusive reforça que ao escrever Grey’s Anatomy com um elenco diverso não estava buscando representatividade, mas apresentar o mundo como ele é. E a boa recepção da série (que já vai para a 17ª temporada!!!!) permitiu que ela escrevesse uma série com protagonismo de uma mulher negra e depois dominasse as quintas-feiras na televisão (#ThankGodIt’sThursday).

Uma das coisas que mais gostei é a maneira como Shonda aborda a memória: começa o livro contanto que tem memória ruim e que seu maior medo é desenvolver Alzheimer. E aos poucos fala de como nossas lembranças podem ser enganosas, e, a longo prazo, gerar uma impressão errônea da nossa própria identidade.

Outro ponto que me agradou foi ter um vislumbre da criação das personagens e dos bastidores de Grey’s Anatomy, especialmente os trechos em que Rhimes fala sobre Cristina Yang.

A edição brasileira deixa um pouco a desejar, especialmente no texto e na impressão. Há erros de grafia e de tradução, e a densidade da tinta varia página a página. A capa, porém, é mais simpática do que a da edição original.

Embora não seja um livro que derrubou barreiras para mim, foi uma leitura rápida e gostosinha. Acredito que o único ponto negativo sejam as constantes referências às séries da autora, que podem deixar um leitor não familiarizado um pouco perdido, inclusive por conter spoilers de acontecimentos importantes.

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O ano em que eu disse sim: como dançar, ficar ao sol e ser a sua própria pessoa             
Autora: Shonda Rhimes
Tradutora: Mariana Kohnert
Editora: BestSeller
Ano de publicação: 2016
256 páginas

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Citações favoritas

Porque, cara: quando você se tornar uma pessoa com qualquer tipo de poder, não se torne uma pessoa que grita. Mesmo que seja por medo histérico.

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Christina aprendeu o que precisava aprender. A caixa de ferramentas dela está cheia. Ela conseguiu não abrir mão dos pedaços de si mesma, os pedaços dos quais precisa para ser o que outra pessoa quer. Aprendeu a não abrir mão. Aprendeu a não se acomodar. Aprendeu, por mais difícil que seja, a ser o próprio sol.

Se ao menos a vida real fosse tão simples

*

Sempre que me virem em algum lugar, fazendo sucesso em uma área da vida, isso significa quase certamente que estou falhando em outra área.

*

Qual é o oposto de uma mulher arrogante, imodesta e ousada?

Alguém sabe?

Uma mulher submissa, pudica e tímida.

Quem, em nome de Ruth Bader Ginsburg e da Rainha Beyoncé, quer ser uma mulher submissa, pudica e tímida?!

VOCÊ quer? Porque eu certamente não quero.

Fico indignada.

Mas ainda não consigo receber um elogio.

Assim como nenhuma das mulheres que conheço.

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