[Resenha] Bands of Mourning

Essa resenha foi feita com base no e-book em inglês da Tor Books, e contém spoilers dos outros livros da série Mistborn, incluindo Shadows of Self. A tradução de trechos foi feita por mim.

bandsSinopse:

As Bands of Mourning são as míticas metalminds do Lord Ruler, que deveriam dar a quem as usasse os poderes que o Lord Ruler tinha em seu comando. Um pesquisador kandra volta a Elendel com imagens que parecem retratar as Bands, assim como escritos em uma língua que ninguém consegue ler. Waxilium Ladrian é recrutado para viajar à cidade de New Seran para investigar. Ao longo do caminho ele encontra pistas que apontam para as verdadeiras metas de seu tio Edwarn.

Fonte: Livraria Cultura

Quando, QUANDO eu vou aprender que HÁ SEMPRE OUTRO SEGREDO?

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Se você já terminou Bands of Mourning, sabe do que estou falando. Mas deixemos aquele final mindblowing de lado. Na resenha de Secret History falamos mais sobre isso.

Comecei esse livro pensando que seria o último da era 2 de Mistborn, então qual não foi minha alegria ao terminá-lo e descobrir que haverá mais um livro com Wax, Wayne e Marasi! Além de eu já estar com saudades do grupo, isso me deixou bem aliviada, porque esta obra – embora fechando várias pontas soltas – não me pareceu o final de uma série, tanto em termos de trama como de evolução dos personagens.

Ao contrário do anterior, o 5º volume de Mistborn nos leva além da cidade de Elendel. Uma convocação dos kandras leva Wax, Wayne, Marasi, Steris e MeLaan atrás das míticas Bands of Mourning, objetos que supostamente fornecem ao portador todo o poder do Lord Ruler. Vê-se daí que a história vai se entrelaçar profundamente com a primeira trilogia, e de fato são desvendados mistérios e usos até então desconhecidos das três magias de Scadrial. Além disso, como era de esperar, a trama está relacionada ao tio de Wax e à tentativa do protagonista de resgatar a irmã.

Senti falta de Elendel, mas reconheço que uma mudança era necessária. Enquanto o livro anterior era basicamente uma história de detetive, este tem momentos puramente de faroeste na primeira metade, mas uma trama de fantasia mais “clássica” na segunda (uma missão atrás de um objeto mágico mítico). Mas a mudança de cenário é interessante e vem acompanhada de grandes revelações sobre Scadrial que, até o fim do livro, mudam o que os habitantes da Bacia sabiam sobre o próprio mundo e desencadeiam mais uma era de evolução tecnológica.

Wax começa o livro ainda tentando lidar com a morte de Lessie e com o que ele vê como a traição de Harmony. Sua evolução ao longo desta obra é talvez a mais completa – desde o prólogo, em que vemos um Wax adolescente deliciosamente perdedor na vida e confuso com seu papel no mundo, até o final, em que ele reconhece quem realmente é e encontra certa medida de paz com isso. Ele passa por uma jornada bem satisfatória. Sua relação com a irmã é importante para o livro, porém achei a personagem e suas ações bastante previsíveis, o que prejudica um pouco o clímax do livro.

Marasi me pareceu bem mais interessante do que no volume anterior, talvez por não estar tão presa à profissão. Ter que passar um tempo com a irmã também rende boas cenas e maior compreensão entre elas; e o reconhecimento de que ela precisa parar de se comparar com Wax (assim como o fim desse quase-romance entre eles) foi bem-vindo. Também gostei muito das suas cenas com Wayne na primeira metade do livro (mais na seção com spoilers!).

Wayne, por outro lado, embora ainda seja um dos meus preferidos, pareceu sofrer uma regressão desde o livro anterior. Exceto por um momento bem dramático, não houve continuação daquele vislumbre de profundidade do personagem e arrependimento em relação ao passado. Também achei que Brandon forçou um pouco a mão nas piadas: Wayne faz algumas tiradas menos bobas/engraçadas e mais parecidas com a de um bêbado abordando mulheres nas ruas (incluindo uma sobre um ménage com um casal de lésbicas e uma sobre mulheres gordas – sério?!). Fora isso, ele esteve envolvido numa cena que, para mim, foi o momento mais emocionante da obra. Ainda adoro o personagem e torço para que o quarto livro lhe dê mais profundidade e menos babaquice.

Pra compensar, Steris é simplesmente adorável. Às vezes Brandon exagera um pouco nas “peculiaridades” da personagem (como sua obsessão com listas e organização), mas de modo geral ela tem uma evolução tão bacana que relevei. Na verdade, me identifiquei bastante com certos aspectos dela, e fiquei surpresa com como sua relação com Wax evolui de modo natural e fofo (e como eles encontram um ponto em comum em não se sentirem à vontade em seus papéis predeterminados). Gostei também de ela não ter nenhum poder e ainda conseguir contribuir do seu próprio jeito com a missão (ainda mais com Waxilium “O que é Tato?” Ladrian destruindo relações diplomáticas por todo canto).

MeLaan é apenas uma ótima personagem. Badass e sempre hilária.

Esse livro tem talvez o melhor ritmo da série: cada uma das três partes tem uma sequência de cenas muito emocionante, seguida por cenas mais tranquilas para vermos as consequências e relaxarmos um pouco. Mas gostei mais da primeira metade do que da segunda e o clímax não me impressionou tanto – a grande plot twist não vem com a resolução da trama principal, mas no epílogo. Por outro lado, é um senhor plot twist – daqueles que só são trazidos a você por Brandon Sanderson – e fãs de Mistborn com certeza vão ficar de queixo caído.

 

COMENTÁRIOS COM SPOILERS:

  • Era bem óbvio que Telsin era uma traidora, embora eu tenha ficado surpresa com o fato de ela estar acima de Suit na hierarquia.
  • Duas cenas maravilhosas na primeira metade: o ataque ao trem em movimento (praticamente um filme de faroeste, amei) e a cena com todos eles horrorizando a dona do hotel. Sensacional.
  • Só eu achei que o Brandon estava foreshadowing Marasi/Wayne no começo do livro? (Só você: leitora atenta, full Feruchemist, capitã dos ships.) Até gostei de Wayne e MeLaan juntos – especialmente quando ele não ligou nada para a mudança de gênero (!) – mas a questão da idade é um pouco perturbadora, e achei que Marasi e Wayne podiam ser um casal bem legal. Eles vão no cemitério roubar túmulos! Tem algo mais romântico?
  • Achei que faltou mais interações entre Wayne e Steris. Em Shadows, ele foi super rude com ela e achei que isso ia levar a algum confronto nesse livro (no fim, só uma cortada do Wax quando ele tenta fazer mais uma piada no final).
  • Eu não acreditava que o Wax ia ficar morto e mesmo assim chorei lágrimas de sangue nessa cena (principalmente por causa de Wayne). Porém, o retorno previsível dele também contribuiu para deixar o clímax do livro menos poderoso do que poderia ter sido.
  • Queria muito que o Wayne encontrasse o ranking da Steris e percebesse que ele tem menos pontos que a Marasi.
  • Nada me preparou para aquele epílogo. NADA.

*

Bands of Mourning (e-book)
Série: Mistborn (vol. 5)
Autor: Brandon Sanderson
Editora: Tor Books
Ano de publicação: 2016
376 páginas

 

Citações preferidas

“Você gosta de brincar com a percepção que as pessoas têm de você, não gosta? Procura deixá-las desconfortáveis, pra que fiquem na dúvida.”

“É um dos pequenos prazeres que eu ainda tenho, Steris.”

*

“Flor bonita,” disse o kandra. “Posso ficar com o seu esqueleto quando você morrer?”

*

“O contrato não precisa estipular nossos limites.”

“Perdão, mas eu pensava que esse era exatamente o propósito de um contrato: definir e estipular limites.”

“E o propósito da vida é testar nossos limites,” Wax disse, “despedaçá-los, escapar deles.”

*

“Você acabou de subir no topo de um trem em movimento e atirar num bandido, salvando seu noivo.”

“Convém a uma mulher,” ela disse, “mostrar interesse nos hobbies do seu marido.”

*

É claro. Uma mulher precisaria trocar de roupa para algo assim. Não poderia infiltrar um templo antigo e remoto sem os acessórios apropriados. Wayne passou a mão pelo cabelo, então teve um momento de pânico. Seu chapéu!

*

“Eu ainda senti que fui bagagem pela maior parte da viagem.”

[…]

“Acho que todos nos sentimos assim. Arrastados de um lugar para outro pelo dever, ou a sociedade, ou o próprio Deus. Parece que só estamos sendo levados, mesmo nas nossas próprias vidas. Mas, de vez em quando, encaramos uma escolha. Uma escolha real. Podemos não ser capazes de escolher o que acontece conosco, ou onde vamos parar, mas nos apontamos para uma direção.”

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Uma resposta em “[Resenha] Bands of Mourning

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