[Semana da Mulher] Marjane Satrapi

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Escolher uma autora mulher para falar a respeito nesta Semana da Mulher não foi uma tarefa fácil. Tenho dado preferência a obras de mulheres por incontáveis motivos, o que me faz admirar um número cada vez maior de auroras. Apesar de todas as dúvidas se deveria focar no país, na época ou mesmo no tipo de literatura que escreve, escolhi falar de uma mulher muito admirável, cuja obra abriu meus horizontes: Marjane Ebihamis ou Marjane Satrapi como é mais conhecida, famosa pelo livro/filme Persépolis.

persepolisIraniana nascida no final dos anos 1960, a infância de Marjane foi marcada por uma difícil transição política após o Xá tomar o poder em seu país. A autora retrata esse período em sua obra mostrando as mudanças que ocorrem na vida das pessoas comuns e em especial das mulheres, o que a faz contar parte de sua história para o público, sempre com muita honestidade e clareza.

Conhecer essa autora me deu novas perspectivas sobre leitura e sensibilidade; as emoções que ela tenta transmitir em sua obra são facilmente apreendidas pelo leitor. Foi ótimo ter contato com uma escritora que nasceu no Oriente Médio, pois eu não tinha o menor conhecimento sobre as mulheres que lutam para se expressar nesses países, até que Marjane chegou para clarear minha visão e me despir dos meus pré-conceitos.Bordados

Em outra obra, Bordados, a autora descreve as relações afetivas das mulheres iranianas de sua família, que são completamente diferentes do que eu imaginava, tendo em mente as generalizações que ouvimos e aceitamos como verdades absolutas. Tendo morado tanto no oriente como no ocidente, propiciou que ela se relacionasse com homens de lá e de cá, e em suas reflexões ela nos mostra como se dão todos esses relacionamentos.

Apesar de eu só conhecer essa pequena parte da sua obra, que levanta questões sobre política e relações familiares, Marjane possui ainda uma obra infantil considerável, que não conheço pois as obras não foram traduzidas para o português. Pesquisei um pouco a respeito desses livros e a temática de um deles, Monsters Are Afraid of the Moon, me interessou bastante, pois aborda questões como os medos pelos quais as crianças passam e formas de monsterssuperá-los.

Conhecer a obra de Satrapi me fez ter grande admiração pela mulher que escreve, mas também pelos posicionamentos que a autora tem dentro de sua obra. Seus quadrinhos conseguem tratar simultaneamente situações corriqueiras e assuntos mais caros na sociedade, como a liberdade corporal e sexual da mulher (tanto do oriente como do ocidente), apesar de ela mesma estar em uma linha tênue nesse quesito por ter tido uma criação enxergada como ocidental por pessoas mais conservadoras dentro da cultura islâmica.

Há ainda muitas autoras para serem faladas tanto aqui no Sem Serifa como na vida (cotidiana e acadêmica), mas por hora fico com essa iraniana que me fez refletir sobre diversos âmbitos da vida e pensar em como sempre é possível encontrar forças para encarar os desafios impostos pela vida.

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