[Resenha] Alerta de risco

Alerta de riscoSinopse: “Todos temos nossos pequenos gatilhos… coisas que esperam por nós, pacientemente, em passagens sombrias da nossa vida.” É com palavras assim que Neil Gaiman apresenta Alerta de risco, uma rica coletânea de histórias de terror e de fantasmas, ficção científica e conto de fadas, fábula e poesia que exploram o poder da imaginação. Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida  em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Repleto de estranheza e terror, surpresa e diversão, Alerta de risco é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor.

Fonte: Intrínseca

Não é novidade nenhuma que gosto bastante do trabalho do Gaiman. Assim que pude colocar minhas mãos em Alerta de risco, o fiz. Boa parte dos contos apresentados no livro já tinha sido publicada em outras coletâneas ou apresentada de outras maneiras, como o conto “A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras” (e Gaiman fala aqui sobre como o leu em um festival na Opera House de Sidney).

Embora o livro apresente muitos contos dos quais gostei muito, a minha parte favorita foi a introdução, na qual Gaiman conversa com o leitor no tom agradável que me faz gostar muito de outro livro seu, o Faça boa arte. Ele conta sobre como foi olhar em retrospecto para as coisas que escreveu e encontrar similaridades entre eles. Fala um pouco sobre como a motivação do título do livro, e, de fato os contos transmitem bastante inquietação e angústias diversas.

Não gostei muito dos contos que também são poemas. Tenho consciência de que traduzir poesia é um desafio imenso, e imagino que nesse projeto de tradução os detalhes das histórias tenham sido priorizados. Mas sua leitura, com algumas exceções, apenas me causou estranhamento com a forma e não consegui me concentrar totalmente na narrativa.

Vou evitar spoilers e apenas mencionar algumas coisas dos meus contos favoritos. Em “Terminações femininas” ele fala sobre uma estátua viva apaixonada – e pela introdução sabemos que ele mandou esse conto para Amanda Palmer, que atualmente é sua esposa e antes disso foi uma noiva gigante e imóvel em uma praça. O conto “Caso de morte e mel” nos traz uma perspectiva menos tradicional de um mistério de Sherlock Holmes, e me deu saudades de ler o personagem pela pena de Doyle. “A volta do duque branco” é um conto que me deu vontade de contar histórias, junto com “Invocação da indiferença”. Ambos me ajudaram a lembrar que a nossa realidade é simultaneamente prosaica e extraordinária. “Hora nenhuma” é um conto originalmente escrito para uma coletânea de Doctor Who, e foi bom poder matar saudades das birras de Amy Pond a ponto de não mais sentir falta delas.

Como de costume, Gaiman me proporcionou uma leitura tranquila e agradável. Embora nem todos os contos sejam um caso de amor intenso, é bom perceber que eu não preciso adorar tudo de autor pra continuar gostando dele.

*

Alerta de risco
Autor: Neil Gaiman
Tradutor: Augusto Calil
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2016
303 páginas

Este livro foi cedido em parceria com a Intrínseca.

 

Citações favoritas

Não tenho medo de pessoas ruins, de malfeitores cruéis, de monstros e criaturas da noite.

As pessoas que me assustam são aquelas que acreditam estar certas, sem a menor sombra de dúvida. Aquelas que sabem como se comportar e também o que seus vizinhos precisam fazer ara ficar do lado do bem.

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Seja amigável e enigmático, e quando perguntarem a respeito da história por trás de uma tela, diga: “Não posso revelar”. Mas, pelo amor de Deus, dê a entender que uma história. É a história que eles estão comprando.

*

Estou desacostumado com os grandes gestos. Tenho mais treino nos gestos minúsculos. Em uma ocasião, fiz um menino gritar, simplesmente sorrindo para ele quando tinha se convencido que eu era feito de mármore. É o menor dos gestos que jamais será esquecido.

*

Nomes. Nomes. A velha estreitou os olhos, então balançou a cabeça. Ela era ela mesma, e o nome que recebera ao nascer tinha sido devorado pelo tempo e pela falta de uso.

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