[Especial] Os livros em que mais gostamos de trabalhar

Depois de muitos anos trabalhando no mercado editorial, a gente perde a conta de quantos livros já passaram pelas nossas mãos, entre traduções, coordenações, preparações e revisões. Claro que nem sempre trabalhamos com livros de que gostamos, mas quando acontece, é incrível. Para celebrar essas oportunidades, contamos aqui quais foram os livros em que mais gostamos de trabalhar.

Isa

Questão impossível, mas vamos lá… Quanto a tradução, eu diria a trilogia Executores (Brandon Sanderson, Aleph) por vários motivos: foi a primeira série que traduzi inteira; são livros muito imaginativos, com desafios divertidos para o tradutor em termos de descrições e nomes (eu e Babi tivemos muitas conversas a respeito disso!); e, o mais importante, são de um dos meus autores preferidos. Na época, eram a única obra do Sanderson que eu ainda não tinha lido, e descobri-los enquanto traduzia foi uma experiência ótima.

Vou trapacear um pouco e citar mais duas trilogias, que respectivamente preparei e revisei: as Crônicas da Quasinoite (Jay Kristoff, Plataforma 21), uma saga de aventura cheia de sangue e sarcasmo que amei conhecer, e Xenogênese (Octavia Butler, Morro Branco), uma obra-prima da ficção científica e livros tão envolventes que sempre tinha que me lembrar que precisava lê-los com calma em vez de devorá-los. Mas tive sorte de trabalhar em muita coisa boa ao longo dos anos!

Gi

É muito difícil escolher um só, então escolhi alguns com importância simbólica em ordem cronológica.

Foi muito importante revisar Jurassic Park (Michael Crichton, Aleph), o primeiro livro de ficção científica que leva o meu nome nos créditos.

Coordenar livros da Octavia Butler para a Morro Branco é uma honra que me deixa sem palavras, mas dou destaque para ajudar que Kindred: laços de sangue entrasse no PNLD 2018 (que me levou às lágrimas em mais de um momento) e editar a duologia Semente da Terra, que é minha obra favorita da autora.

Coordenar a produção e traduzir os poemas de Babel-17/Estrela Imperial (Samuel Delany, Morro Branco) foi particularmente especial porque senti que estávamos criando a edição mais maravilhosa possível e honrando os desejos do autor. A curva do sonho e Floresta é o nome do mundo, da Ursula K. Le Guin, me deram uma sensação similar.

Por fim, eu amei revisar a edição de 1984 (George Orwell) da Antofágica: era um dos meus livros favoritos na adolescência e foi muito definidor para o meu senso crítico (literário e da vida hahaha), então poder trabalhar numa edição tão caprichada me deu a sensação de estar honrando a minha própria trajetória.

Bárbara

Eu amo trabalhar na coordenação de livros e também na edição de texto, e tenho um carinho especial por livros que coordenei que demandaram um trabalho diferenciado com o texto. Flores para Algernon (Daniel Keyes, Aleph) e Forrest Gump (Winston Groom, Aleph) estão entre os meus trabalhos favoritos porque seus textos originais em inglês fugiam da gramática normativa, e tive que trabalhar com tradutores e revisores para estabelecer e seguir um padrão em português para esses “erros”. Em Flores para Algernon também tive a oportunidade de coordenar a produção da capa e pensar detalhes gráficos para o miolo; foi um trabalho bastante envolvente em um livro de que gosto bastante.

É sempre memorável trabalhar em edições especiais ilustradas, e tenho muito orgulho de ter ajudado a idealizar e produzir as edições de aniversário de Androides sonham com ovelhas elétricas? (Philip K. Dick, Aleph) e de 2001: uma odisseia no espaço (Arthur C. Clarke, Aleph) e as edições da Antofágica de 1984 e Revolução dos bichos (George Orwell).

Não posso deixar de mencionar também o trabalho com a coleção de livros de Star Wars da Aleph. É muito satisfatório poder trabalhar na coleção inteira e garantir a padronização e o nível de qualidade para uma franquia desse porte; além disso, esses livros me renderam muitas oportunidades e convites divertidos.

Isabela

O primeiro que me veio à mente foi o Guinness Book, não lembro quais edições fiz, mas era sempre muito interessante revisar aqueles textos, o mundo é surpreendente! Também gostei muito do livro Futebol à esquerda, de Quique Peinado. Me fez enxergar o futebol com bastante paixão e surpresa, afinal tudo é político e essa mistura com futebol ficou bem empolgante. Mas nenhum desses se compara à felicidade que senti ao revisar os livros do “Heitorverso”. A princesa e o dragão e Bê e o bebê (💖💖💖), ambos de Gabriel Ribeiro, são os livros mais preciosos e que estão em um lugar muito especial do meu coração. O primeiro é um conto de fadas pouco usual; já o segundo fala de um jeito muito poético sobre a chegada de um irmão… Me derreto toda e indico a leitura de todos!

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