[Resenha] Dragon Haven

Essa resenha foi feita com base no e-book da Harper Collins e contém spoilers para as trilogias anteriores para Dragon Keeper. A tradução de trechos foi feita por mim.

DragonHaven-UKSinopse:

Os guardiões e seus dragões frágeis estão abrindo caminho pelo perigoso rio das Rain Wilds. Rivalidades e romances já estão ameaçando dividir o grupo de exploradores: mas forças externas podem se provar ainda mais perigosas. Mercadores chalcedeanos estão ansiosos para colocar as mãos em sangue e órgãos de dragão para transformá-los em remédios e lucro. E ainda há as próprias Rain Wilds: misteriosas, instáveis e sempre perigosas, com seu rio de ácido, sua floresta impenetrável e seus canais inexplorados.

Fonte: Livraria Cultura.

Se você está lendo a série Realm of the Elderlings na ordem, este é o seu 11º livro. Pois parabéns: você finalmente vai descobrir o que raios é um Elderling.

E como se isso já não fosse o bastante, outras coisas acontecem no livro! Enquanto o primeiro era meio parado, neste um evento cataclísmico vai determinar a trama. É uma surpresa que realmente mexe com o status quo da expedição e agita as coisas, que estavam meio lentas.

Começando pelo grande cliffhanger do primeiro volume: depois de experimentar o sangue do dragão cor de cobre ─ Relpda ─ Sedric vai ter que lidar com as consequências. Essas vão além de mudanças físicas e incluem uma conexão com a criatura, o que cria alguns dos momentos mais tensos e bonitos do livro. Aliás, esse dragão (dragoa? por que a língua portuguesa não tem um feminino para dragão?) é maravilhoso. Além de ter um enorme coração e comer pessoas chatas (tudo que você pode querer num amigo), solta frases espontâneas como “Eu sou tão linda!”. Sim, você é.

Voltando a Sedric: adorei o personagem neste volume. Ele tem uma boa evolução, que vai da negação para a raiva para a depressão até que, finalmente, toma as rédeas da própria vida. No processo, chega a conclusões bem importantes sobre suas ações passadas e, principalmente, a realidade de seu relacionamento com Hest. Sua amizade com Alise também sofre abalos, e foi bem legal ver questões que eu achei que iriam se enrolar até o quarto livro serem abordadas nesse. Outra coisa que se desenvolve mais rapidamente do que eu imaginei é a relação com Carson, que é um fofo.

Falando em Alise, que começa o livro ainda em competição com Fitz pra ver quem é mais tapado em relação à orientação sexual dos amigos, ela também tem uma jornada de crescimento. A grande questão “Fico com Leftrin ou mantenho minha palavra?” continua assombrando-a ─ para o tédio de Sintara, que não suporta mulheres que simplesmente não tomam o que querem ─ e os grandes desafios e decepções que enfrenta no livro testam sua força. Eu gosto muito da personagem; vê-la se libertar de todo o estrago feito por Hest é bem satisfatório.

Leftrin, por outro lado, é outro fofo (qual é a desses homens das Rain Wilds, todos compreensivos e fiéis e confiáveis?) e simplesmente fico feliz quando ele está feliz. Descobrimos um pouco mais sobre o mistério do que ele fez com a barca Tarman, o que é bem louco.

Mas se os homens adultos estão dando um show, os jovens guardiões são um bando de machistas que fazem a vida de Thymara ficar pior do que já é (e a vida dela está bem ruim, perdida no meio do nada, ligada a um dragão que a despreza). Como é o costume de Hobb, a autora trata de assuntos complicados, e nesse livro faz isso principalmente pelo ponto de vista de Thymara. A garota continua em seu dilema quanto a seguir as regras ─ agora que não há ninguém para impô-las ─ ou fazer o que todos fazem. Greft, que já era chato, dessa vez insiste que Thymara “tome uma decisão”, e chega a sugerir que, se ela não escolher um dos garotos, eles podem tomá-la à força. Tats, embora genuinamente goste dela, não entende que ela pode não estar enrolando-o ou esperando que ele “prove” o seu amor por ela, mas simplesmente não quer se relacionar com ninguém. O mais difícil é vê-la tentando se explicar para ambos (e os outros do grupo), que não a escutam. É, não é fácil ser mulher. Além disso, o livro também tem uma cena forte de aborto espontâneo e explora a posição da mulher em uma situação de abandono. Hobb continua escrevendo maravilhosamente as suas personagens femininas e as situações difíceis pelas quais passam.

Por último, tenho que mencionar os dragões. Já falei que Relpda é maravilhosa, mas realmente gosto de Sintara, por mais teimosa que seja, e adoro vê-la se achar tão esperta mas perder várias coisas (como tudo que Sedric fez debaixo do nariz de todos eles!). Os dragões adquirem mais autonomia e confiança nesse volume, e passam por uma boa evolução, assim como se tornam mais próximos ─ ou bem mais distantes ─ de seus guardiões. A proximidade causa mudanças bem interessantes.

E, só pra constar, adoro que você precise ficar elogiando os dragões pra eles fazerem qualquer coisa. Eles são uns grandes lagartos vaidosos.

Por fim, não posso deixar de mencionar que Erek e Detozi ─ os cuidadores dos pombos que aparecem nos interlúdios ─ também têm uma mini-história própria, que eu estou adorando.

O livro é bem mais animado que o anterior, embora algumas repetições na narrativa, como explicações que já ouvimos antes, tenham me irritado um pouco. Apesar disso, a leitura foi mais rápida que o do primeiro e o final é bem satisfatório. Aliás, não fosse a falta de um confronto de Alise e Sedric com Hest, seria um final digno para a série. Mas como ainda tenho dois livros, imagino que teremos muitas tretas no futuro.

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Dragon Haven
Autora: Robin Hobb
Editora: HarperCollins
Ano de publicação: 2010

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Resenhas da série Realm of the Elderlings:

Trilogia Farseer/Saga do Assassino: O aprendiz de assassinoO assassino do reiA fúria do assassino

Trilogia Liveship Traders: Ship of MagicMad ShipShip of Destiny

Trilogia The Tawny Man: Fool’s ErrandGolden FoolFool’s Fate

Rain Wild Chronicles: Dragon KeeperDragon Haven – City of Dragons – Blood of Dragons

Trilogia The Fitz and the Fool: Fool’s AssassinFool’s Quest

 

Citações preferidas

O dragão se perguntou como os humanos conseguiam sobreviver, uma vez que não eram capazes de manter seus pensamentos para si mesmos. A ironia era que, apesar de projetar cada mínima ideia que passava por suas pequenas mentes, eles não tinham a força de intelecto para sentir o que seus colegas estavam pensando. Eles tropeçavam por suas breves vidas, sem entender uns aos outros e quase todas as outras criaturas no mundo. Ela tinha ficado chocada a primeira vez que percebeu que o único modo como eles podiam se comunicar uns com os outros era fazendo barulhos com a boca e então tentando adivinhar o que o outro humano queria dizer pelos sons que fazia em resposta. “Falar”, eles o chamavam.

*

Não é à toa que os dragões pensam tão pouco de nós, se podem ouvir todos os nossos pensamentos.

Garanto a você, a maior parte do que vocês pensam nós achamos tão desinteressante que nem nos damos ao trabalho de ter opiniões sobre isso. A resposta do dragão flutuou até a mente dela.

*

“Eu mantenho a minha palavra”, Alise respondeu com pesar. “E minha honra. Nós fizemos um acordo, Hest e eu. […] Então, quando tudo isso acabar, eu deixarei Leftrin e meus dragões e meus dias de estar viva. Irei para casa e farei o melhor que puder para conceber um herdeiro para o meu marido. É o que eu prometi fazer. E se você pensa que sou uma presa gemendo e chorando nas garras de um predador, bem, talvez eu seja. Mas talvez seja preciso um tipo diferente de força para manter minha palavra quando todos os ossos no meu corpo gritam para que eu a quebre.”

*

O afeto que ele podia sentir o envolveu. Por quê? ele se perguntou. Por que ela se importava com ele?

Menos sozinha. Você faz sentido do mundo. Fala comigo. O calor dela o abraçou.

Sedric inspirou fundo. Toda a sua vida, ele soubera que as pessoas o amavam. Seus pais o tinham amado. Hest o tinha amado, ele pensou. Alise o amava. Ele conhecia o amor e aceitava que existia para ele. Mas nunca antes tinha sentido o amor como uma sensação física que emanava de outra criatura e aquecia e o reconfortava. Era incrível.

*

“Achei que só garotos se sentissem assim.”

“Assim como?”

“Como se tivéssemos que nos provar, para as pessoas saberem que somos homens agora, e não mais garotos.”

“Por que uma menina não se sentiria assim?”

[…]

“Uma menina não tem que se provar. Ninguém espera isso dela. Ela só tem que, sabe, ser uma menina.”

“Se casar e ter filhos”, ela disse.

“Bem. Algo assim. Não logo de cara, a parte de ter bebês. Mas, bem, acho que ninguém espera que as garotas…”

“Façam qualquer coisa”, ela completou a frase.

*

“Acho que, se eu te odiasse, só te odiaria. Mas uma vez que percebi que só alguém que eu amo poderia me machucar tanto, percebi que não te odeio. E é por isso que estou tão brava.”

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