[Resenha] Fool’s Assassin

Essa resenha foi feita com base na edição da Bantam Books e contém spoilers para toda a Saga do Assassino e a trilogia Tawny Man. A tradução de trechos foi feita por mim.

th_b_Hobb_foolsassassinUKSinopse:

FitzChivalry ─ bastardo real e ex-assassino do rei ─ deixou sua vida de intrigas para trás. Vivendo como Tom Badgerlock, Fitz leva uma vida tranquila no campo. Embora seja assombrado pelo desaparecimento do Bobo, dores privadas são postas de lado no dia a dia, pelo menos até que o aparecimento de estranhos pálidos e ameaçadores lance uma sombra sinistra sobre o passado de Fitz… e o seu futuro. Agora, para proteger sua nova vida, o antigo assassino precisará novamente retomar a sua antiga…

Fonte: Amazon

Era uma vez uma época em que eu achava que GRRM era mau com os personagens. E daí eu conheci a Robin Hobb.

Se você é como eu, terminou Fool’s Fate com o coração em frangalhos e louco para começar a próxima trilogia com Fitz e o Bobo. Pois bem, se prepare, amigo, porque as coisas conseguem ficar piores.

Mas antes, é claro, até temos um pouco de felicidade (só pra deixar a queda mais dolorosa). Encontramos Fitz casado com Molly, morando em Withywoods em aparente paz, mesmo que sentindo falta do Bobo (demais) e de Nighteyes (MELHOR LOBO). Um incidente estranho perturba a paz da casa, mas Fitz rapidamente o esquece, em sua ânsia de se convencer de que nada mais o ameaça agora que vive como Tom Badgerlock. Muitos anos se passam até que outro acontecimento muda a vida do nosso querido assassino. E aqui vou dar um SPOILER, porque é impossível continuar a resenha sem ele: Molly engravida. Mas é uma gravidez bem misteriosa e incomumente longa, e a filha dos dois, a pequena Bee, é uma garota pálida, que não cresce como as crianças normais.

Recapitulando:

Criança pálida.

Que não tem crescimento como o de humanos.

E mencionei que ela tem uns sonhos proféticos?

POIS É. Não que FitzChivalry “Mestre da Negação” Farseer faça qualquer conexão em relação a alguém que ele conhecia. Para ele, a pele clara da garota é meramente herança da mãe desconhecida dele, que veio das Montanhas. Enfim, a pequena Bee cresce, hostilizada por ser tão diferente. Enquanto isso, Chade (SIM, CHADE AINDA ESTÁ VIVO) encarrega Fitz subitamente de cuidar de dois jovens bastardos: FitzVigilant, um jovem perseguido pela família do pai adotivo; e Shun, uma garota egoísta e mimada também maltratada pela família da mãe. Chade caracteristicamente não dá maiores explicações antes de jogar os dois nas mãos de Fitz, que tenta integrá-los à sua vida familiar – o que é difícil, já que nenhum dos dois gosta muito de Bee, nem está disposto a ser simpático (nem minimamente educado, na verdade).

E essa é basicamente a “trama” do livro. Coloco entre aspas porque, infelizmente, não existe uma trama em si até as últimas 50 e tantas páginas. De todos os livros da Hobb que li, esse é de longe o mais fraco. O problema é que passamos a maior parte do tempo em Withywoods, acompanhando a vida monótona de Tom Badgerlock, enquanto as intrigas e quaisquer outras coisas emocionantes acontecem à distância: vemos Nettle (hoje em dia, Skillmistress em Buckkeep), Dutiful e Kettricken só de passagem, e mesmo Chade só aparece pra deixar uns problemas na porta do Fitz. A falta de acontecimentos era tanta que eu até senti falta do ex-mentor de Fitz, que tinha seus momentos chatos mas sempre trazia alguma missão divertida para o protagonista. Passei a maior parte do livro desejando que Fitz deixasse de ser teimoso e voltasse a morar em Buckkeep. Para piorar, Shun e FitzVigilant são ambos chatíssimos e um tanto rasos. Tenho uma enorme fé na capacidade de evolução de personagens de Hobb, mas por enquanto os dois só serviram para irritar.

No entanto, Bee é uma gracinha. E aqui surge outra novidade dessa trilogia (SPOILER!), que inicialmente me deixou um pouco desorientada, mas de que acabei gostando: temos capítulos narrados pela filha de Fitz (!). A primeira vez que apareceu foi bem estranho. Depois de tantos livros narrados por Fitz, é bem ousado da Hobb fazer isso, mas entendo a necessidade – e, por mais que os capítulos de Bee não sejam mais animados que os de Fitz, eles dão uma boa fundação para a personagem, que é inteligente e fofíssima, e algumas indicações bem intrigantes do papel que ela terá no resto da trilogia. Ah, e ela faz amizade com um rapaz de Withywoods, Perseverance, que também é um fofo. Espero que ele apareça mais.

A essa altura você deve estar se perguntando: tudo bem, Isa, mas vamos ao que interessa. E O BOBO? A trilogia chama The Fitz and the Fool, afinal. Eu estava ansiosamente aguardando o reencontro dos dois. Lembra em Fool’s Errand, quando eles se reencontraram e foi um momento mágico e lindo com abraços e lágrimas?

Então, não é nada parecido com isso.

Infelizmente, ele também demora bastante para aparecer. E é só isso que vou dizer sem spoilers. Leia depois do aviso abaixo se quiser saber mais.

Entre outras coisas que me incomodaram nesse livro, está a relação de Fitz e Nettle. Eu adoro a filha mais velha de Fitz, mas ela parece ainda não confiar no pai – e, como leitora, praticamente vivendo dentro da cabeça de Fitz, com todos os seus traumas e inseguranças, fiquei um pouco irritada com a personagem. No entanto, Riddle – lembram-se dele, o espião de Chade em Tawny Man? – continua por perto, e ele e Fitz têm uma amizade legal. O relacionamento de Fitz com Molly, aliás, no qual eu não botava muita fé no final da trilogia anterior, enfim deu muito certo e fiquei feliz por Fitz ter tantos anos de felicidade com uma mulher que ele ama. Ainda não sei se acredito que tudo se resolveu tão bem entre eles, considerado todos os rolos que existiram na vida dos dois e os segredos mantidos e tal, mas adorei Molly nesse livro. Ela mostra sua força moral e humor e é uma ótima mãe. Sua relação com Bee é linda. Ah, e também revemos a maravilhosa e querida Patience!

Quanto a Fitz, continua teimoso como uma mula, não estendendo sua confiança para quase ninguém e recusando-se a aceitar conselhos úteis. Então, nada de novo aqui.

Resumindo, fiquei surpresa e um tanto quanto decepcionada com esse livro. Já deu pra ver que, ao contrário das trilogias anteriores, em que cada volume tinha uma história com começo, meio e fim, esta provavelmente será uma longa narrativa ininterrupta. E, por isso, este livro funciona como o começo. Ainda assim, foi uma leitura bem frustrante. Porém, ouvi boas coisas sobre o segundo, e considerando como acabou este livro – num cliffhanger tenso! –, imagino que a ação irá começar quente no próximo.

 

COMENTÁRIOS COM MUITOS E MUITOS SPOILERS:

  • “Branco brilhava contra o negro, como a roupa de um bobo da corte.” Segunda frase do capítulo 1. FITZ, POR FAVOR, CARA. ASSIM NÃO DÁ. E ela estabelece bem o tom do resto do livro, já que ele pensa no Bobo trinta vezes por capítulo. Pra não mencionar aquelas cartas, né? afdjhgfd meu coração
  • Descobrir que a mensageira do Bobo foi assassinada e o Fitz só vai saber que ele mandou um recado dez anos depois é DE MATAR.
  • Fiquei pasma com a morte da Molly. Foi tão de repente. Mas se tem uma coisa que Fitz sabe fazer é sofrer, né?
  • O QUE DIZER DAQUELA CONVERSA COM NETTLE? “Olha, filha, eu salvei a vida dele e não da sua mãe, mas não porque a gente tinha um caso quando você era criança, tá?” Hahahahahaha. (O discurso dele foi bem lindo, na verdade. “O que nós tínhamos era mais do que isso.” Alguém me mata logo.)
  • Fiquei com tanta pena do Fitz por todos aqueles anos em que a Bee não o olhava, nem tocava. Como se ele já não se odiasse o suficiente.
  • Nada diz “momento família” como levar sua filha com você pra queimar o cadáver de uma mulher assassinada na sua casa. Ah, Fitz ❤ (Pelo menos ele reconhece quão zoado isso é.)
  • NÃO FALE COMIGO SOBRE A MORTE DA PATIENCE.
  • Quais as chances de Shun não ser filha do Chade? Nenhuma, né? Afe, isso explica por que ela é insuportável.
  • “Ele era, eu pensei, um esqueleto muito vital.” Citação REAL de Fitz sobre Chade.
  • Tallman e seu filho, Tallerman. Só queria deixar esses nomes registrados.
  • Fitz vê um mendigo abraçando a filha e a primeira reação é esfaquear o cara várias vezes. Fitz. Mano. Você não devia ter permissão pra sair de casa.
  • Falando nisso… PUTAQUEOPARIU, ROBIN HOBB. ACHEI QUE DEPOIS DE FOOL’S FATE VOCÊ IA DAR UMA FOLGA PRO BOBO. NÃO ACREDITO QUE ELE PASSOU OS ÚLTIMOS VINTE ANOS SENDO TORTURADO ENQUANTO O FITZ CURTIA A VIDA DELE. NÃO ACREDITO QUE ELE TÁ CEGO. PORRA, HOBB, COMO VOCÊ TEM CORAGEM?
  • Não, mas sério, isso que dá amar personagens: os autores acabam com o espírito deles e você só SOFRE.
  • BEE FALANDO COM NIGHTEYES. COMO? NÃO SEI. MAS ELE TÁ DE VOLTA, DE ALGUMA FORMA. MELHOR LOBO, NEM A MORTE O IMPEDE.
  • Aliás, falando em Bee, certeza que ela é meio filha do Bobo também, né? Não acredito que a Robin Hobb me deu uma criança com três pais (ou quatro, se você contar Nighteyes). Deus abençoe essa mulher.
  • No entanto, fiquei bem chateada por o pobre Revel ter morrido. Gostava tanto dele! Achei que teria um papel maior. 😡
  • O final me deixa preocupada, porque o Fitz vai ficar se lamentando pelo sequestro pra sempre, e tenho medo de que seja um retorno àquela história do rapto do Dutiful, em que convenceram o menino de que ele estava com o “povo” dele… Ai.

*

Fool’s Assassin
Autora: Robin Hobb
Editora: Random House
Ano de publicação: 2014
690 páginas

*

Resenhas da série Realm of the Elderlings:

Trilogia Farseer/Saga do Assassino: O aprendiz de assassinoO assassino do reiA fúria do assassino

Trilogia Liveship Traders: Ship of MagicMad ShipShip of Destiny

Trilogia The Tawny Man: Fool’s ErrandGolden FoolFool’s Fate

Rain Wild Chronicles: Dragon KeeperDragon Haven – City of Dragons – Blood of Dragons

Trilogia The Fitz and the Fool: Fool’s AssassinFool’s Quest

 

Citações preferidas

Quase dez anos desde que eu vira o Bobo.

E lá estava, aquele mergulho como uma pedra caindo num poço. Eu não deixei transparecer no meu rosto ou nem em meus olhos. Aquele abismo, afinal, não tinha nada a ver com quanto tempo eu estava sem uma companhia animal. Era um tipo de solidão inteiramente diferente. Não era?

Talvez não. A solidão que nunca pode ser preenchida por qualquer um exceto aquele cuja perda criou a ausência; bem, nesse caso, talvez fosse a mesma coisa.

*

Fazia mais de uma década desde que eu sequer pensara em matar alguém.

[25 linhas depois]

Eles iam morrer. Quem tinha feito isso ia morrer.

*

Existem finais. Existem começos. Às vezes eles coincidem, com o final de uma coisa marcando o começo de outra. Mas às vezes há simplesmente um longo espaço depois de um final, uma época em que parece que tudo acabou e nada jamais poderá começar de novo.

*

“Eu tenho que colocá-lo em algum lugar para mantê-lo a salvo.”

“Para manter ele a salvo ou você mesmo?”

Ele abriu um sorriso. “É a mesma coisa, você não vê? Pessoas que são perigosas para mim raramente prosperam por muito tempo.”

*

Ah, as coisas que descobrimos e as coisas que aprendemos tarde demais. Pior são os segredos que não são segredos; as dores com que vivemos, mas que não admitimos uns aos outros.

*

“Fitz, pare de ser um asno e volte para a mesa.”

16 respostas em “[Resenha] Fool’s Assassin

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